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Apple perde uma de suas estrelas em ascensão: o cérebro por trás do iPhone Air deixa a empresa.

Homem caminhando ao ar livre perto de prédio com laptop aberto e gráficos digitais flutuando no ar.

Abidur Chowdhury, o nome por trás do design do iPhone Air, decidiu deixar a Apple. O engenheiro britânico vai seguir novos caminhos ao se juntar a uma start-up focada em IA. Na prática, o que essa saída sinaliza?

O mercado de trabalho em tecnologia é altamente dinâmico: profissionais circulam conforme surgem vagas, projetos e oportunidades. Ainda assim, a decisão de Chowdhury chama atenção porque acontece no meio de uma fase de forte valorização interna - e num momento em que a disputa por talentos migrando para empresas de inteligência artificial está mais acirrada do que nunca.

Chowdhury havia entrado na Apple em 2019, na divisão de design, com a missão (implícita) de ajudar a manter o padrão deixado por Jony Ive. Ele estava em plena ascensão dentro da empresa de Cupertino, o que torna a mudança ainda mais significativa.

Abidur Chowdhury e o iPhone Air: a promessa da Apple que migra para a IA

Nos últimos tempos, Abidur Chowdhury ganhou espaço e responsabilidade na Apple. Ele é apontado como o principal responsável pelo design do iPhone Air. Reservado e pouco conhecido do grande público, acabou recebendo destaque na última Keynote: no anúncio do iPhone Air, foi a voz dele que abriu a apresentação, antes de John Ternus - frequentemente citado como possível futuro CEO - assumir o restante do segmento.

A saída não passou despercebida. Segundo a Bloomberg, a demissão repentina provocou repercussão interna e levantou discussões dentro da empresa. E há um contexto mais amplo: nos últimos meses, outros nomes relevantes da área de design também pediram desligamento, como Evans Hankey, Tang Tan, Cyrus Daniel e Erik de Jong, todos seguindo para novos desafios fora da Apple.

Leia também – Análise do iPhone Air: uma certa visão do futuro

Esse movimento indica insatisfação generalizada dentro da Apple? Não necessariamente. A Silicon Valley é um ambiente competitivo e, com a IA em plena expansão, é natural que engenheiros e designers busquem espaços onde consigam experimentar mais, tomar decisões com mais autonomia e ver seus projetos avançarem com menos camadas de aprovação - algo comum em organizações muito grandes. Para Chowdhury, a atração por uma start-up de IA pode ter sido justamente a chance de atuar com mais velocidade e impacto direto no produto.

Também é importante considerar um aspecto típico dessas transições: em start-ups, o trabalho tende a ser menos segmentado. Designers e engenheiros frequentemente participam de decisões de produto, estratégia e até posicionamento. Para alguém que vinha ganhando protagonismo, mas ainda dentro de uma estrutura corporativa, esse “salto” pode representar um próximo passo natural de carreira.

A Bloomberg faz uma ressalva relevante: a saída de Chowdhury não teria relação com um suposto fracasso comercial do iPhone Air. Mesmo sem virar um fenômeno de vendas, o aparelho teve o design elogiado por críticos e usuários. Aliás, existe a leitura de que a própria Apple já antecipava um desempenho mais contido e que o iPhone Air poderia funcionar como um teste de conceito - um ensaio antes do lançamento do iPhone Fold em 2026.

De qualquer forma, a perda de um profissional como Abidur Chowdhury não é positiva para a Apple. Além do peso do talento individual, uma sequência de saídas na área de design costuma exigir reorganizações internas, redistribuição de liderança e, muitas vezes, ajustes de visão para manter a consistência dos próximos produtos.

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