A indústria não está fabricando chips de memória em volume suficiente para sustentar a corrida da IA, e isso tende a encarecer diversos eletrônicos.
Para atender a procura global por inteligência artificial, as grandes empresas de tecnologia estão despejando investimentos em novos centros de dados. Como fornecer memória para essas infraestruturas é mais rentável, os fabricantes acabam priorizando esse tipo de pedido - e, com isso, reduzem o foco em componentes destinados a produtos de consumo, como smartphones e PCs. O resultado mais provável é um cenário de escassez que pode fazer o preço da RAM disparar em 2026.
Sinais de alta já em 2025: Raspberry Pi, Micron e a marca Crucial
Mesmo antes de 2025 terminar, a Raspberry Pi já comunicou reajustes de preços. Em paralelo, a Micron, uma das maiores produtoras de RAM, anunciou o encerramento da marca Crucial, voltada ao público geral. Nas palavras de Sumit Sadana, vice-presidente executivo e diretor comercial da Micron Technology: “O crescimento dos centros de dados, impulsionado pela inteligência artificial, levou a um forte aumento da demanda por memória e armazenamento. A Micron tomou a difícil decisão de sair do mercado consumidor Crucial para melhorar o fornecimento e o suporte a seus clientes estratégicos mais importantes em segmentos de crescimento mais rápido.”
A pressão atinge HBM, memória de smartphone e até memórias flash (pen drives)
No mercado de smartphones, a Xiaomi já soou o alerta. E, em uma análise publicada nesta semana, a Reuters aponta que a pressão de oferta não se limita a um único tipo de componente: ela atinge memórias de alta largura de banda usadas em centros de dados, memória empregada em smartphones e até memórias flash de dispositivos como pen drives.
Em alguns segmentos, os preços já teriam dobrado desde fevereiro - e, ainda assim, isso seria apenas o começo. Além disso, já circulam rumores sobre um possível aumento de preços em processadores AMD, enquanto o problema de memória também deve respingar no mercado de GPU. Em um texto, o Gizmodo resume o cenário de forma direta: este simplesmente não é um bom momento para montar um PC.
Um problema que pode se estender até 2027 (ou mais)
Infelizmente, a normalização não deve ocorrer rápido. Segundo a Reuters, a sul-coreana SK Hynix, uma das principais fornecedoras, já teria informado analistas de que a escassez de memórias pode se prolongar até o fim de 2027. E embora os fabricantes de chips de memória já estejam ampliando capacidade, novas fábricas só devem entrar em operação em 2027 ou 2028.
Nem todas as marcas serão afetadas do mesmo jeito: Lenovo e Apple
O impacto, porém, tende a variar conforme a estratégia de cada empresa. A Lenovo, líder no mercado de PCs, estaria formando estoques de memórias e de componentes críticos para manter sua linha de produtos. Já de acordo com a Ars Technica, analistas avaliam que a Apple provavelmente já garantiu a quantidade de RAM necessária. Além disso, uma companhia como a Apple, com margens elevadas, costuma ter mais fôlego para absorver custos extras do que concorrentes com rentabilidade menor.
O que isso pode significar para o consumidor (e por que o Brasil pode sentir mais)
Para quem compra no varejo, uma consequência prática é a alta em upgrades e peças avulsas (módulos de RAM e itens ligados a memória), além de computadores e celulares com mais armazenamento e memória. No Brasil, essa pressão pode ficar ainda mais intensa quando combinada com variações do câmbio e com a cadeia de importação, que costuma repassar custos de forma rápida.
Também vale considerar que empresas e integradores tendem a disputar os mesmos lotes de componentes em épocas de escassez, o que pode reduzir promoções e alongar prazos de reposição. Para quem depende de PC para trabalho, pode fazer sentido planejar compras com antecedência, priorizando configurações equilibradas e evitando “montagens” no pico de volatilidade de preço.
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