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O diretor da Auchan afirma que nenhum emprego será cortado, nem nas lojas nem nos depósitos.

Gerente em terno orienta equipe com coletes refletivos em reunião no corredor de supermercado.

A apreensão entre as equipes é evidente, mas a direção da Auchan afirma que não há motivo para alarme.

Na terça-feira, 25 de novembro, a Auchan informou que cerca de 300 supermercados na França deixarão sua bandeira e passarão a operar sob as marcas Intermarché e Netto, ambas pertencentes ao grupo Les Mousquetaires. O anúncio acendeu temores internos de cortes de postos de trabalho, e o tema rapidamente ganhou destaque.

Na manhã desta sexta-feira, em entrevista à France Info, o diretor-geral da Auchan Retail, Guillaume Darrasse, procurou tranquilizar os colaboradores. Segundo ele, a mudança não foi concebida como um plano de redução de despesas: “Não é esse o projeto, não é um projeto de diminuição de custos. É um projeto de desenvolvimento e de crescimento.” Ainda de acordo com Darrasse, uma redução do quadro “não está na ordem do dia”, nem nas lojas nem nas áreas de suporte e nos centros de distribuição.

Sindicatos demonstram preocupação com os próximos passos na Auchan

Apesar do tom adotado pela direção, resta saber como a mensagem será recebida pelos trabalhadores e por seus representantes. Entre os sindicatos, a reação foi marcada por surpresa e inquietação.

René Carette, delegado sindical central da CFDT na Auchan, citado pelo Le Parisien, afirmou que a notícia caiu como um choque após sinalizações anteriores do grupo: “Há um ano, nos anunciavam um plano social (2.400 supressões de empregos) e hoje é um golpe duro”, mencionando ainda “11.000 empregados sacrificados”, transferidos para a “concorrência, com menos garantias sociais e incerteza”.

A CFTC expressou avaliação semelhante, classificando o anúncio como “dramático para todas essas famílias”. Para Djamal Otmani, delegado central do sindicato na Auchan, é indispensável que exista um acompanhamento estruturado para os trabalhadores impactados.

Como vai funcionar a transferência para Intermarché e Netto (Les Mousquetaires)

O plano divulgado pela Auchan prevê que a totalidade de seus quase 300 supermercados no país seja transferida para as redes Intermarché e Netto, ambas sob o guarda-chuva do Les Mousquetaires. Em paralelo, a varejista pretende concentrar esforços em seus 117 hipermercados e nas operações de “drive” (retirada de compras com o carro) na França continental, com o objetivo de retomar a rentabilidade.

A expectativa é que a operação seja concluída até o fim de 2026.

No desenho apresentado, será criada uma nova entidade jurídica responsável por explorar esses supermercados, que serão franqueados por contrato junto ao Intermarché. Ainda assim, Guillaume Darrasse confirmou que os colaboradores e os diretores das unidades envolvidas continuarão vinculados ao grupo Auchan, passando a responder por essa nova organização interna.

O que a lógica de franquia pode mudar no dia a dia

Embora a direção indique continuidade do vínculo com a Auchan, um modelo de franquia contratual costuma trazer mudanças operacionais relevantes. Em geral, há ajustes em processos, sistemas de compras, política comercial, padrões de loja e metas - pontos que podem influenciar rotinas, treinamentos e formas de gestão local, mesmo quando não há alteração imediata de empregador.

Para reduzir ruídos, um fator decisivo tende a ser a clareza do cronograma: quando cada unidade muda de bandeira, quais etapas de transição ocorrerão (TI, logística, sortimento, comunicação visual) e como serão tratadas situações específicas, como mobilidade interna, realocação de funções e evolução de carreiras durante a integração.

Próximos pontos de atenção para trabalhadores e representantes

Com a operação prevista para avançar até 2026, é provável que os sindicatos cobrem garantias formais, mecanismos de acompanhamento e transparência sobre impactos concretos. Em processos desse porte, discussões sobre condições de trabalho, manutenção de benefícios, organização de jornadas e canais de suporte ao colaborador ganham peso, especialmente para reduzir a sensação de incerteza mencionada pelas representações sindicais.

Mais detalhes sobre o tema foram publicados em um artigo anterior do próprio veículo citado.

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