Puma pode estar perto de virar chinesa - e isso tem tudo para mexer com a indústria de sportswear.
No universo do sportswear, há motivos para preocupação. Enquanto Nike e Adidas continuam como referências incontestáveis, o grupo Anta Sports vem avançando gradualmente em alguns mercados - com destaque para a China. Dono de marcas como Fila e Jack Wolfskin, além de controlar Salomon e Arc’Teryx, trata-se de um player que não deve ser subestimado. E o gigante asiático quer ampliar ainda mais o portfólio: a alemã Puma pode ser o próximo alvo.
De acordo com a Bloomberg, a Anta Sports estaria de olho na marca de sportswear fundada por Rudolf Dassler em 1948, que hoje luta para se manter em evidência. Naturalmente, porém, ela não é a única interessada: outros nomes de peso do setor acompanham de perto a possibilidade de compra. A disputa promete.
Puma e Anta Sports: uma compra que pode virar o jogo no sportswear
A Anta Sports já mostrou que sabe (e consegue) jogar alto. Em 2019, o grupo liderou um consórcio e desembolsou US$ 5,2 bilhões para adquirir a Amer Sports, dona de marcas consagradas como Salomon e Arc’Teryx. A operação reforçou a ambição global da empresa e ampliou sua presença em categorias estratégicas - do outdoor ao desempenho técnico. Agora, a Anta pode tentar repetir a dose, desta vez com a Puma.
O momento da empresa alemã ajuda a explicar por que a hipótese ganhou força. Neste ano, as ações da Puma recuaram 62%, ao mesmo tempo em que o grupo registrou prejuízo líquido de € 309 milhões e viu a receita encolher. Para tentar reverter o quadro, a companhia contratou Arthur Hoeld, ex-Adidas, com a missão de reorganizar a casa - mas a recuperação ainda não engrenou.
Há também um componente acionário relevante. A Puma tem 29% de seu capital nas mãos da holding Artémis, da família Pinault. Em setembro, François-Henri Pinault afirmou que a participação na Puma é “interessante”, mas “não estratégica” - uma sinalização que o mercado costuma interpretar como abertura para mudanças.
Com valor de mercado em torno de € 26 bilhões na Bolsa de Hong Kong e uma estratégia fortemente orientada a P&D, além do foco em materiais inovadores, a Anta Sports poderia representar um impulso importante para recolocar a Puma em trajetória de crescimento. Para a Anta, a aquisição também seria um passo decisivo: consolidaria sua força no sportswear, criaria uma via mais direta para o mercado europeu e elevaria a pressão competitiva sobre rivais como Nike e Adidas.
Além do dinheiro e da escala, o que costuma decidir esse tipo de negócio é a capacidade de preservar o valor de marca. No caso da Puma, o desafio seria manter a identidade alemã e o apelo global, ao mesmo tempo em que se acelera a inovação, a distribuição e a eficiência operacional - sem diluir o posicionamento que a diferencia no varejo e no esporte.
Outro ponto que pode pesar é o caminho regulatório e a execução pós-compra. Uma transação desse porte tende a envolver aprovações e análises de concorrência, além de integração de cadeias de fornecimento, gestão de portfólio e estratégia de canais (lojas próprias, atacado e comércio eletrônico). Se bem conduzida, a combinação pode destravar crescimento; se mal coordenada, pode gerar ruídos e perda de foco.
Ainda não está decidido: Li Ning e Asics também entram na disputa
Apesar do burburinho, nada está definido. Outros concorrentes estão no páreo e podem superar a Anta Sports na reta final. Entre os interessados citados estão a também chinesa Li Ning e a japonesa Asics, o que amplia o número de candidatos e aumenta a imprevisibilidade do desfecho.
Resta esperar para entender o que acontecerá com a marca alemã. Seja quem for o comprador, uma coisa é certa: uma eventual aquisição da Puma dificilmente passará despercebida - e pode redesenhar parte do equilíbrio de forças na indústria global de sportswear.
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