Pular para o conteúdo

"Não enxergo mais a estrada": faróis de carros estão se tornando perigosos demais.

Carro preto com faróis acesos e placa personalizada "TOO BRIGHT" estacionado em ambiente urbano à noite.

Quem dirige à noite no Brasil provavelmente já passou por isso: de repente, um facho de luz branca “estoura” na sua frente e a estrada some por alguns instantes. Os faróis dos carros estão cada vez mais fortes - e isso vem elevando o risco para motoristas e motociclistas.

O motivo é bem conhecido por quem pega estrada com frequência. Os faróis nunca foram tão potentes por causa da popularização dos LEDs na indústria automotiva. Essa luz mais branca incomoda muito mais do que os antigos halógenos, cuja iluminação amarelada se espalhava de forma mais suave.

Além disso, os LEDs emitem mais luz em comprimentos de onda aos quais o olho humano é mais sensível à noite; por isso, parecem mais agressivos do que os instrumentos indicam. A isso se soma o tamanho dos veículos. Os SUVs, ultra populares, têm faróis mais altos do que os de outros modelos, atingindo diretamente a retina de quem vem no sentido contrário.

E o problema está longe de ser pontual. Um estudo encomendado pelo Ministério dos Transportes do Reino Unido e publicado em fevereiro passado confirmou a dimensão do fenômeno: 97% dos motoristas entrevistados são regularmente ou às vezes ofuscados, enquanto 33% dirigem menos à noite - ou nem dirigem - por causa do brilho dos faróis. Pior: metade dos condutores afetados afirma ficar temporariamente “cego”.

Le Royaume-Uni prend le taureau par les cornes

Diante da enxurrada de reclamações, o governo britânico decidiu enfrentar o tema de forma direta. Na próxima estratégia nacional de segurança viária, ele prevê revisar o desenho dos faróis, estudar sua intensidade, cor e orientação, e adaptar a regulamentação em consequência. Um grande estudo independente, conduzido neste inverno pelo Transport Research Laboratory, deve servir de base para novas normas, que podem chegar a impor limites de intensidade e endurecer as inspeções técnicas.

Por enquanto, nenhuma iniciativa equivalente surgiu na França. Ainda assim, os riscos estão longe de ser teóricos. Um ofuscamento repentino provoca um reflexo de desviar o olhar, prejudica a percepção de distâncias e, por alguns segundos, reduz a visibilidade - o que pode ser dramático. Isso é ainda mais crítico para motociclistas: por estarem mais baixos, seus olhos ficam diretamente no eixo dos faróis mais altos dos SUVs, enquanto reflexos na viseira ou no asfalto pioram ainda mais a perda de visão.

Até que as regras eventualmente fiquem mais rígidas, especialistas recomendam adotar o máximo de cuidados possível. Vale, por exemplo, conferir se os faróis estão bem regulados, especialmente após uma batida ou troca de lâmpada. Também é melhor evitar LED não homologado e lembrar de baixar manualmente o facho quando o carro estiver carregado. Manter o para-brisa limpo também ajuda, para evitar que a luz se espalhe e se difrate em marcas e sujeiras.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário