Uma fraude teria atingido diversos investidores, supostamente enganados por um bom de papo que vendia uma oportunidade de investimento “imperdível”.
No papel, a proposta parecia irresistível. Na prática, porém, o que era anunciado como um “bom negócio” teria se transformado em um pesadelo para clientes de um comércio de numismática e investimento inaugurado em 2018 em Perpignan. O estabelecimento teria encerrado as atividades de forma discreta em outubro do ano passado, e o responsável pela loja segue, por enquanto, inlocalizável.
Como funcionava a arnaque à moeda de ouro (Perpignan)
Segundo a France 3 Occitânia, o gestor é suspeito de uma armação com moeda de ouro. O mecanismo descrito é o seguinte: as pessoas compravam uma moeda e assinavam um contrato com o vendedor. Em troca, ele prometia um rendimento que, em alguns casos, chegava perto de 20%, com pagamento trimestral aos clientes.
Com o tempo, novos interessados passaram a procurar a loja, impulsionados tanto pela aparente atratividade da oferta quanto pelo “boca a boca” de outros clientes.
“Tudo virou fumaça”, diz a advogada Valérie Cons
Citada pela reportagem, a advogada Dra. Valérie Cons, de Perpignan, que representa parte dos reclamantes no caso, descreveu como a promessa ganhou credibilidade entre pessoas comuns:
“Parecia extremamente vantajoso. Diante do cenário económico atual, tão angustiante, e da disparada do ouro, muita gente pensou: é isto que precisamos. Tenho clientes com pouco dinheiro que venderam a casa e queriam comprar barras de ouro, mas, quando conheceram este senhor, ele os deixou confiantes, manipulou-os. Tudo virou fumaça.”
Sinais de alerta: atrasos, desculpa do cofre e valor abaixo do prometido
Com o passar do tempo, alguns investidores começaram a desconfiar de inconsistências. Aproximadamente 20 pessoas estariam envolvidas. Quando os pagamentos trimestrais deixaram de cair, o gestor teria alegado inicialmente que se tratava de um contratempo temporário ligado ao cofre-forte.
Depois, quando clientes tentaram reaver as moedas e mandá-las avaliar, muitos teriam descoberto que o valor prometido não batia com a realidade, conforme relatou a advogada.
Por que se fala em pirâmide de Ponzi
A France 3 classificou a suspeita de fraude como uma pirâmide de Ponzi. Em termos simples, trata-se de um golpe que depende de um fluxo contínuo de novas vítimas: o fraudador consegue honrar pagamentos enquanto entra dinheiro novo. Quando ocorre um incumprimento, o esquema desmorona e a farsa vem à tona.
Um sinal típico deste tipo de esquema é a combinação de promessa de rentabilidade alta com regularidade rígida (por exemplo, “pagamento trimestral garantido”), especialmente quando não há transparência verificável sobre onde o dinheiro está a ser aplicado e como o ativo (neste caso, moedas) é custodiado e precificado.
Investigações e dimensão do prejuízo
No caso em questão, a Dra. Valérie Cons estima os danos em quase € 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões, em valores aproximados) apenas entre os sete clientes que ela representa.
Após queixas registadas em setembro de 2025, o Ministério Público abriu uma investigação, e a polícia da esquadra de Perpignan tenta localizar o gestor acusado.
Como se proteger em investimentos com ouro e numismática
Em operações com ouro e moedas, é prudente exigir documentação clara sobre autenticidade, peso e pureza, além de pedir critérios objetivos de precificação (por exemplo, referência diária de mercado e spreads). Também é recomendável confirmar como e onde o ativo é guardado (custódia), e se o comprador pode retirar o bem a qualquer momento sem “taxas surpresa” ou justificativas vagas.
Outro cuidado essencial é desconfiar de retornos muito acima do padrão do mercado - sobretudo quando são apresentados como “quase certos” e pagos em intervalos fixos. Em geral, quanto mais simples e garantida a promessa parece, maior deve ser o nível de verificação independente antes de comprometer poupanças, vender património ou concentrar todo o capital num único vendedor.
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