Apesar das tarifas aplicadas pela União Europeia aos carros elétricos fabricados na China, o avanço das marcas chinesas no continente segue em ritmo forte. Um exemplo recente é a Dongfeng, que comunicou a intensificação da sua ofensiva comercial na Europa.
De acordo com números da DataForce, a montadora emplacou até agora apenas 1.930 veículos em mercados europeus. Ainda assim, o plano é bem mais ousado: chegar a 80 mil unidades vendidas em 2026. Para 2025, a meta definida ficava entre 25 mil e 30 mil carros - um objetivo que, a menos que haja uma forte aceleração nos últimos meses do ano, tende a se tornar cada vez mais difícil de alcançar.
Estratégia da Dongfeng na Europa: elétricos e além
Para tentar cumprir as metas, a Dongfeng pretende levar ao consumidor europeu um portfólio variado, combinando diferentes motorizações: motores a combustão, sistemas híbridos e híbridos plug-in, elétricos com extensor de autonomia (EREV) e modelos 100% elétricos.
“Estamos apostando em modelos elétricos no longo prazo. Mas, no médio prazo, acho que há espaço para híbridos e híbridos plug-in”, afirmou Xie Qian, diretor-executivo da Dongfeng Europa.
A linha destinada à Europa deve reunir cerca de dez modelos, indo de compactos urbanos a utilitários esportivos (SUV) e picapes. Essa oferta será distribuída entre três marcas: Dongfeng (generalista), Voyah (de luxo) e M-Hero (voltada ao uso fora de estrada).
“A Europa é um mercado grande e diverso. Nossa intenção é manter flexibilidade”, resumiu o executivo.
Rede de concessionárias e mercados prioritários
A expansão se apoiará em uma rede de 170 concessionárias, com previsão de crescer para 280 até o fim do ano. Nesta etapa inicial, o foco deve se concentrar em quatro países: Itália, Polônia, Alemanha e França, segundo a Reuters.
Além da capilaridade comercial, o desafio também passa por manter padrões consistentes de atendimento entre diferentes mercados. Em um continente com perfis de consumo variados e exigências regulatórias rigorosas, a experiência de compra e a disponibilidade de suporte técnico tendem a pesar tanto quanto preço e especificações.
Produção local e foco em pós-venda
A Dongfeng também reconhece a possibilidade de produzir na Europa, mas condiciona a decisão ao desempenho das vendas - ou seja, a fabricação local só deve avançar se o volume justificar o investimento.
“No próximo ano, vamos focar em melhorar a satisfação dos clientes, a qualidade da nossa rede de concessionárias, dos nossos pontos de venda e também do pós-venda”, disse Xie.
Esse reforço no pós-venda tende a ser decisivo, especialmente com a ampliação do mix de tecnologias (combustão, híbridos, híbridos plug-in, EREV e 100% elétricos). Garantia, manutenção, disponibilidade de peças e treinamento de equipes técnicas são fatores que influenciam diretamente a confiança do consumidor e, consequentemente, a capacidade da marca de sustentar crescimento em escala no mercado europeu.
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