O retorno da nave tripulada chinesa Shenzhou-20, com três astronautas, foi adiado após a suspeita de um impacto com um minúsculo detrito espacial, informou na quarta-feira a agência espacial do país.
Segundo a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), a Shenzhou-20 pode ter sido atingida por um fragmento muito pequeno de lixo espacial. A entidade afirmou que estão em andamento uma análise do impacto e uma avaliação de riscos, como parte dos procedimentos de segurança.
A descida estava prevista para a quarta-feira, mas foi postergada para garantir a integridade da tripulação, de acordo com o comunicado oficial. A CMSA, contudo, não anunciou uma nova data para a volta.
Shenzhou-20: pouso seria no sítio de aterrissagem de Dongfeng, na Mongólia Interior
Os astronautas Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jie eram esperados no sítio de aterrissagem de Dongfeng, no norte da Mongólia Interior, onde tradicionalmente são conduzidas as operações de recebimento e resgate após a reentrada.
Estação espacial Tiangong e a troca semestral de equipes
Enquanto isso, uma tripulação de substituição chegou à estação espacial Tiangong na semana passada a bordo da Shenzhou-21.
A Tiangong opera com equipes de três astronautas, que são revezadas a cada seis meses, mantendo a presença humana contínua no complexo orbital.
A joia do programa espacial chinês e o objetivo de alcançar EUA e Rússia
A Tiangong é considerada a principal vitrine do programa espacial da China, que recebeu bilhões de dólares em investimentos com o objetivo de reduzir a distância tecnológica e operacional em relação aos Estados Unidos e à Rússia.
Nesta semana, a mídia estatal chinesa divulgou um vídeo em que integrantes das duas tripulações aparecem comendo asas de frango “grelhadas” a bordo da estação.
Próximos passos: missão tripulada à Lua e base na superfície lunar
A China também mantém planos ambiciosos: enviar uma missão tripulada à Lua até o fim da década e, mais adiante, construir uma base na superfície lunar.
Risco de detritos espaciais e medidas de prevenção
O episódio reforça um desafio constante das operações em órbita: a presença de detritos espaciais, que incluem fragmentos de satélites, partes de foguetes e resíduos de colisões antigas. Mesmo partículas muito pequenas podem causar danos significativos, pois se deslocam a velocidades extremamente altas, exigindo monitoramento contínuo e protocolos de contingência.
Em situações de suspeita de impacto, é comum que as equipes técnicas priorizem inspeções e análises adicionais antes de autorizar a reentrada e a aterrissagem. A reentrada envolve altas cargas térmicas e mecânicas, e qualquer incerteza sobre a integridade do veículo pode levar à decisão de adiar o retorno até que a margem de segurança seja considerada adequada.
© Agence France-Presse
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