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Teste da GoPro Max 2: a terceira geração será que acertou?

Homem sorrindo segura câmera GoPro submerso em rio com ciclista e pessoa remando em pedra ao fundo.

Cincos anos, em tecnologia, mudam tudo: o que antes parecia “bom o bastante” vira rapidamente datado. Ainda assim, foi esse o intervalo que a GoPro levou para colocar no mercado a Max 2, sua terceira câmera 360. A Max lançada em 2019 tinha ideias acertadas, mas ainda deixava a desejar (bem menos, vale dizer, do que a GoPro Fusion, a primeira tentativa da marca).

Nesse meio-tempo, a concorrência não ficou parada. Com a linha X, a Insta360 foi, pouco a pouco, dominando o segmento e transformando a câmera 360 de brinquedo de early adopter em ferramenta de criação de conteúdo para o público em geral.

A GoPro consegue correr atrás do prejuízo? A empresa aposta alto e empilha promessas interessantes: salto para 8K, chegada de um modo LOG voltado a profissionais e gerenciamento de cores em 10 bits. Isso basta para convencer quem está de olho no segmento, ainda mais depois da entrada surpresa da DJI com a bem-sucedida Osmo 360? Para responder, analisamos tudo em detalhes e usamos a câmera por um mês.

Solidité et ergonomie avant tout

No design e na ergonomia, não dá para esperar uma revolução. Tirando algumas ranhuras na parte frontal e o logo que agora aparece em azul, a Max 2 é praticamente idêntica à Max 1. Há, porém, uma mudança bem-vinda: além do encaixe tradicional da GoPro, a novidade traz também uma rosca padrão de 1/4’’.

Pode parecer pouco, mas essa atenção ajuda bastante no dia a dia. Em compensação, não conte com reutilizar baterias das GoPro Black ou da primeira Max: elas não são compatíveis. A GoPro poderia ter seguido o exemplo da DJI, que usa o mesmo formato de bateria nas Osmo “tradicionais” e na versão 360. Uma pena.

A Max 2 é à prova d’água até 5 metros de profundidade. Aqui, a GoPro fica devendo um pouco: a DJI Osmo 360 vai a 10 m, e a Insta360 X5 chega a 15 m, sempre sem caixa estanque. Para quem curte mergulho e snorkeling, isso significa procurar outra opção - ou esperar por uma caixa de mergulho dedicada. É um pouco frustrante para uma marca que construiu reputação em uso “casca-grossa” no outdoor.

No restante, nada a reclamar: a construção é caprichada e passa confiança. E, em caso de quebra das lentes, a GoPro finalmente oferece um kit de troca imediata. Vendido por 50 euros, ele inclui duas lentes de vidro e uma ferramenta de substituição. A ideia é usar sem precisar enviar para assistência, com troca possível no “campo”. É uma solução excelente. Não chega a ser inédita (a Insta360 tem algo semelhante para a X5 e a X4 Air), mas o kit da GoPro parece um pouco mais simples de instalar.

8K, pour quoi faire ?

A principal crítica feita à GoPro Max era a resolução limitada para a proposta. A Max 2 resolve isso ao sair de 5,6K e chegar a vídeo 360° em 8K (7680×3840 pixels) a 30 quadros/segundo.

Mas por que 8K importa tanto? Para 99% das pessoas, o grande barato de uma câmera 360 não é publicar um vídeo esférico. O diferencial real está no recorte livre na pós-produção. Na captura, a câmera grava absolutamente tudo ao redor - e você não precisa “enquadrar” nada.

O enquadramento vem depois, extraindo trechos “planos” e escolhendo o ângulo de tomada. Com um único arquivo, dá para criar vídeos bem diferentes: seguir um assunto e depois mudar para POV em um clique, inclinar o horizonte, e por aí vai.
Com 5,6K, extrair um vídeo “tradicional” nem sempre ficava convincente. Era preciso evitar zoom para não perder definição e, em alguns casos, nem o Full HD ficava realmente limpo.

Gravando em 8K, os trechos em Full HD extraídos ficam com nitidez irrepreensível, com uma margem de zoom e recorte que antes parecia mais coisa de câmera profissional. A 4K dá para usar, mas é melhor não exagerar no zoom ou em recortes agressivos para preservar a qualidade final.

A 8K da Max 2 é chamada pela GoPro de “8K de verdade”: nenhum pixel preto ou sobreposto (usado na costura das bordas) entra na conta dos 8K. A marca diz que a imagem tem pelo menos 3840 pixels ativos em dois eixos, por sensor. Com isso, a resolução efetiva seria 16 a 21% superior à dos concorrentes.

Dá até para se arriscar a extrair tomadas em 4K que não agridem os olhos. A Max 2 também finalmente entrega um modo de lente única convincente em 4K 60 fps (ou Full HD 60 fps). Pelos nossos testes, ela substitui tranquilamente uma câmera de ação em muitas situações.

Encodage 10-bits

Na parte técnica, a Max 2 suporta captura em GP-LOG, essencial para videomakers profissionais, além de codificação de cor em 10 bits. Assim, ela entra no mesmo patamar da DJI Osmo 360, registrando mais de um bilhão de tonalidades.

Na prática, isso significa uma faixa dinâmica bem mais ampla. Dá para recuperar na pós detalhes em sombras fechadas e em altas luzes estouradas. O GP-LOG oferece uma base neutra para uma correção de cor precisa. Claro, os perfis de cor tradicionais da GoPro seguem disponíveis para quem prefere um resultado pronto e mais “padrão GoPro”.

Os clipes ficam muito bons com luz forte ou moderada, o que não surpreende em um produto GoPro pensado com o uso ao ar livre em mente. Não tivemos oportunidade de testar o resultado em captação subaquática, mas a tendência é que seja, no mínimo, correta.

Quando a luz cai, a imagem perde um pouco de qualidade. Ainda é totalmente utilizável, mas ao extrair trechos em 4K aparece um leve granulado nas áreas escuras.

A Max 2 traz 6 microfones (contra 4 nas rivais) para captura de áudio espacial imersiva. Mais importante: o processamento de redução de vento - um ponto fraco frequente em câmeras de ação - se mostrou bem eficiente nos nossos testes. Outro acerto é a possibilidade de conectar fones Bluetooth à câmera e usá-los como microfone sem fio.

A câmera usa uma bateria removível de 1960 mAh. Dependendo da resolução, do bitrate e do modo, conseguimos entre 60 e 150 minutos. Quem faz trilha, pedal ou viagem longa deve considerar comprar uma ou duas baterias extras, além do carregador rápido opcional.

Interface soignée, app bien pensée

Feita para ser operada com a ponta do dedo, a interface da Max 2 é a mesma das action cams Hero Black. Ela é simples, rápida e eficiente, mesmo em plena ação. É bem útil poder criar atalhos personalizados na tela conforme o uso, além de contar com um controle por voz que funciona bem.

O app companheiro Quik dá acesso a todos os parâmetros e controles pelo smartphone. Ele também oferece montagem e edição, seja manualmente ou com modelos prontos. Em ambos os casos, não é preciso ser expert em vídeo para se virar: o recorte é feito depois, do jeito que o criador quiser.

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O app usa um sistema de keyframes: basta definir dois pontos e ele gera um movimento suave de um para o outro. Alguns exemplos aparecem no vídeo incorporado a este teste. Criar conteúdos para redes sociais acaba sendo divertido, rápido e realmente intuitivo.

Se o app é bom, ainda não chega ao nível de sofisticação do que a Insta360 oferece. Em compensação, ele brilha com as tecnologias de estabilização HyperSmooth, que entregam um efeito “drone” mesmo quando a câmera está sendo chacoalhada sem dó na captura (na ponta de uma haste de 1,5 m na bicicleta, por exemplo).

Claro, também dá para puxar os arquivos e tratar no computador. Para isso, é preciso instalar o GoPro Player. Bem menos completo que a versão mobile, ele serve principalmente para preparar as sequências e depois montá-las em um editor tradicional.

Usuários de Premiere Pro, After Effects e DaVinci Resolve também podem usar o GoPro ReFrame, plugin gratuito para trabalhar os vídeos direto no software. Um detalhe legal: a versão atual do plugin funciona com qualquer arquivo 360, inclusive os de DJI ou Insta360.

Notre avis sur la GoPro Max 2

Depois dos testes, fica claro que a Max 2 corrige vários problemas da Max 1. Destacamos a qualidade dos clipes em Full HD e 4K, além da facilidade de uso do app companheiro. A autonomia é correta para a categoria, mas é bem provável que você queira comprar uma ou duas baterias extras logo no começo.

No mais, é bom reencontrar o que consagrou as GoPro: interface simples e intuitiva, ótima qualidade de imagem com boa luminosidade e, principalmente, uma estabilização praticamente perfeita. O áudio captado é bem competente e a atenuação de ruídos parasitas (vento) faz um ótimo trabalho.

Há pouco do que reclamar da Max 2, além de um aquecimento perceptível ao gravar em 8K e da vedação limitada a 5 metros de profundidade (10 m na DJI Osmo 360 e 15 m na Insta360 X5). Isso pesa ainda mais porque a GoPro não lança uma caixa estanque junto com a câmera.

Em preço, a Max 2 custa 420 euros: ela fica entre a Osmo 360 (348 euros) e a Insta360 X5 (590 euros). Achamos esse posicionamento coerente: a DJI reduz margens para impor seu primeiro modelo, enquanto a Insta360 reforça o perfil premium com um produto topo de linha sem grandes concessões.

420 €

8.9

Conception

9.5/10

Qualité vidéo

8.5/10

Autonomie et recharge

8.5/10

Application

9.0/10

Rapport qualité-prix

9.0/10

On aime

  • Qualidade das imagens em ambientes externos
  • Excelente estabilização
  • App companheiro bem-sucedido
  • Plugins para Premiere, After Effects e DaVinci Resolve
  • Lentes fáceis de trocar em caso de quebra

On aime moins

  • Aquecimento em 8K
  • À prova d’água apenas até 5 metros

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