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A Marinha dos EUA removeu do Oriente Médio os navios caça-minas classe Avenger, que já estavam desativados.

Dois militares observam navio de guerra com bandeira dos EUA atracado em porto ensolarado.

Os quatro navios de contramedidas de minas da classe Avenger da Marinha dos EUA deixaram o Oriente Médio naquela que tudo indica ser a última movimentação operacional antes de serem definitivamente retirados de uso, abrindo espaço para a transição rumo aos mais recentes navios de combate litorâneo (LCS) da classe Independence. Em novas imagens divulgadas em canais oficiais, a Marinha confirmou que o USS Devastator, o USS Dextrous, o USS Gladiator e o USS Sentry partiram do antigo porto de origem no Bahrein após serem embarcados no navio cargueiro M/V Seaway Hawk, que carregou as quatro embarcações em 9 de janeiro.

Em nota à imprensa, o Comando Central dos EUA (NAVCENT) descreveu a operação como parte do redesdobramento regional e reforçou o caráter planejado da transferência: “Os navios de contramedidas de minas da classe Avenger, já desativados, foram transferidos com segurança como parte da transição de forças da Marinha dos EUA na região. A operação de transferência exigiu planejamento detalhado, coordenação e execução rigorosa para garantir o transporte seguro dos navios de contramedidas de minas desativados. (…) Esses esforços apoiam a prontidão contínua da frota e a transição responsável de plataformas legadas, mantendo o ímpeto operacional e a eficácia da missão em todo o domínio marítimo.”

Destino final na Filadélfia e contrato de desmantelamento

Após a retirada do Bahrein, o destino final dos quatro navios será Filadélfia, Pensilvânia, onde eles serão entregues à Sealift Inc. para desmantelamento. A medida decorre de um contrato firmado no ano passado entre a empresa e a Marinha dos EUA, com investimento próximo de US$ 7 milhões e prazos de conclusão estabelecidos para fevereiro do próximo ano.

Classe Avenger: redução da frota e fim próximo do ciclo

Com a baixa desses quatro navios, a Marinha dos EUA passa a manter apenas quatro unidades da classe Avenger em serviço. Elas estão atualmente desdobradas no Japão, embora também sejam apontadas como próximas de serem retiradas pela instituição.

No auge, a força contava com 14 navios desse tipo, incorporados ao longo do período de 1987 a 1994, formando por décadas o núcleo dedicado a missões de caça e neutralização de minas em áreas críticas de navegação.

Características dos navios de contramedidas de minas da classe Avenger (MCM)

Em termos de especificações e missão, a classe Avenger reúne navios com deslocamento superior a 1.300 toneladas e cerca de 68 metros de comprimento (aproximadamente 224 pés). A função central dessas embarcações é localizar e neutralizar minas lançadas por forças inimigas - incluindo as submersas.

Para isso, os navios contam com: - Sonar especializado para busca e identificação de ameaças sob a superfície; - Radar voltado à detecção de minas ou indícios na superfície; - Um sistema de varredura capaz de emitir assinaturas acústicas e magnéticas muito semelhantes às de um navio, estimulando a detonação de certos tipos de minas a uma distância considerada segura; - Pequenos submarinos/veículos submersíveis aptos a cortar cabos de amarração e a neutralizar ameaças posicionadas no fundo do mar.

Classe Independence (LCS) e módulos de contramedidas de minas: o substituto escolhido

Na transição planejada, os navios da classe Independence passarão a assumir parte desse conjunto de tarefas por meio de módulos especializados de contramedidas de minas. O pacote inclui sonar rebocado e novos veículos de superfície não tripulados, equipados com os sistemas de varredura de minas já citados.

Essas capacidades são ampliadas com o emprego de helicópteros embarcados MH-60 Sea Hawk, que recebem sistemas de detecção para apoiar as operações. No início do ano passado, a Marinha dos EUA chegou a configurar o USS Canberra nesse padrão e o enviou ao Bahrein em maio de 2025.

Críticas e desafios operacionais na troca de plataforma

A escolha dos LCS da classe Independence para assumir esse papel, porém, não veio sem questionamentos. Entre as preocupações mais recorrentes estão: - Problemas técnicos historicamente associados à plataforma; - Poder de fogo limitado para operar em cenários mais hostis, o que tende a exigir o emprego de capacidades complementares para elevar a proteção do navio durante a missão; - O fato de os LCS serem consideravelmente maiores do que os navios da classe Avenger, algo que, na prática, demanda revisão de procedimentos e doutrinas para operar com segurança em áreas potencialmente minadas.

Por que contramedidas de minas seguem centrais no Oriente Médio

Mesmo com a retirada dos navios da classe Avenger do Oriente Médio, o tema permanece altamente sensível na região. Rotas de comércio e corredores marítimos estratégicos concentram tráfego intenso, e minas navais continuam sendo uma ameaça de alto impacto e baixo custo para interromper a navegação. Por isso, a transição para módulos embarcados em navios de combate litorâneo (LCS) busca preservar a capacidade de resposta, ainda que com outra arquitetura de força.

O que muda com o desmantelamento e a transição de “plataformas legadas”

O envio para desmantelamento em Filadélfia também marca uma etapa importante de gestão de ciclo de vida: ao retirar “plataformas legadas” e concentrar recursos em sistemas mais novos, a Marinha dos EUA tenta equilibrar custos de manutenção, disponibilidade e modernização. Na prática, a mudança exige treinamento, adaptação de logística e integração fina entre navios, módulos e meios aéreos - especialmente em missões nas quais procedimentos e margens de segurança costumam ser mais conservadores.

Créditos da imagem: Suboficial de Segunda Classe Iain Page

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