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Exército Brasileiro avança na revitalização do Leopard 1A5BR e mantém a capacidade blindada até 2040

Dois militares brasileiros analisam peça técnica em oficina com tanques de guerra ao fundo e mesa de trabalho.

Dentro do Programa de Forças Blindadas Estratégicas, o Exército Brasileiro (EB) vem acelerando a revitalização dos tanques Leopard 1A5BR para preservar a prontidão das unidades enquanto amadurece a decisão sobre o futuro blindado da Força. A meta é manter poder de fogo, mobilidade e disponibilidade em um horizonte que pode chegar a 2040, evitando lacunas operacionais durante a transição para uma nova geração de viaturas.

Ao mesmo tempo, o EB segue analisando caminhos para a substituição dessa frota no próprio Programa de Forças Blindadas Estratégicas. A avaliação, iniciada em 2024, contempla a compra de Veículos de Combate de Infantaria (VBC Fuz) e Veículos de Combate de Tanques (VBC CC), com alternativas como o CV90 e o CV90120 da BAE Systems, o Sabra Luz da Elbit Systems e o VT5 da Norinco. Trata-se de um planejamento de longo prazo estimado em mais de R$ 30 bilhões (USD 5,3 bilhões), cujo objetivo é dotar o Exército de 2.096 veículos blindados modernos até 2040.

Revitalização do Leopard 1A5BR no Pq R Mnt/3 (Santa Maria) com apoio do IME

A execução do pacote de revitalização do Leopard 1A5BR ocorre no Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3), em Santa Maria (RS). No local, profissionais especializados conduzem um ciclo completo de intervenções que envolve troca de componentes eletrônicos, inspeções e correções estruturais no chassi e na torre, além da adoção de soluções técnicas concebidas por engenheiros do Instituto de Engenharia Militar (IME).

Conforme destacou o diretor do Parque Regional de Manutenção, Coronel Idunalvo Mariano, a iniciativa assegura a ampliação do emprego desses blindados por um período significativo: “a revitalização do Leopard garante mais 15 anos de vida útil operacional, fortalecendo a projeção de poder do Exército Brasileiro”.

Cronograma, entregas e testes: 52 carros em até 10 anos

As atividades começaram em 2025 e preveem a atualização de 52 tanques ao longo de uma década. As duas primeiras viaturas já retornaram às unidades após cumprirem testes de desempenho e confiabilidade.

Em média, cada Leopard 1A5BR passa por cerca de dois meses de trabalho intensivo. Nesse período, são checados e ajustados, entre outros pontos, os sistemas de partida, frenagem e estabilização da torre, além da calibração do armamento principal. Finalizada a etapa industrial, os carros são reenviados aos respectivos regimentos de cavalaria blindada, concentrados nos três estados sob responsabilidade do Comando Militar do Sul, que reúne aproximadamente 80% da frota de veículos blindados do país.

Autonomia industrial e nacionalização de peças no Parque Santa Maria

O projeto também evidencia a intenção do EB de aumentar a autonomia industrial ligada à manutenção e à disponibilidade de material. No Parque Santa Maria, uma área dedicada a Estudos e Projetos vem elaborando peças de fabricação nacional para substituir itens antes obtidos no exterior, com impacto direto na redução de custos e na regularidade do abastecimento de sobressalentes.

Além de diminuir a dependência de fornecedores externos, essa linha de trabalho reforça a inovação tecnológica no ambiente de defesa e favorece a sustentabilidade do programa, ao tornar o suporte logístico menos vulnerável a variações cambiais, prazos internacionais e restrições de mercado.

Efeito na prontidão: manutenção, treinamento e cadeia logística

A revitalização não se limita ao retorno do blindado ao pátio da unidade: ela influencia treinamento de tripulações, padronização de procedimentos e rotinas de manutenção. Com sistemas revisados e parâmetros de funcionamento estabilizados, tende a haver maior previsibilidade na instrução e menor tempo de indisponibilidade por falhas recorrentes, o que melhora a taxa de utilização em exercícios e certificações.

Outro ganho relevante é o fortalecimento da cadeia logística. Ao combinar revisão profunda, peças redesenhadas e maior nacionalização, o EB amplia a capacidade de planejar estoques e ciclos de manutenção com mais segurança, reduzindo o risco de viaturas paradas por itens de difícil reposição.

Recuperação do M60A3 TTS Patton na Operação Patton 2025

Em paralelo ao programa do Leopard, o Exército também avançou na recomposição da frota de M60A3 TTS Patton. Após a Operação Patton 2025, 17 unidades voltaram ao serviço operacional, resultado de um esforço de manutenção amplo e semelhante, em objetivo, ao aplicado aos Leopard.

Assim, tanto as intervenções nos Leopard 1A5BR quanto as ações envolvendo o M60A3 TTS Patton funcionam como medidas de transição: mantêm a capacidade de combate enquanto o EB consolida o novo padrão de blindados que deverá equipar o país nas próximas décadas.

Imagens usadas apenas para ilustração.

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