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A IA está mudando a Dell

Homem trabalhando em manutenção de hardware em um servidor em sala de data center.

A Dell, conhecida há décadas principalmente por seus computadores pessoais, vem passando por uma transformação acelerada. A empresa, que historicamente se destacou no mercado de PCs, agora também se consolidou como fornecedora de soluções completas para inteligência artificial. Esse novo eixo de negócios deve impulsionar uma receita 103% maior no ano fiscal em curso.

Para o público em geral, a Dell sempre foi sinônimo de PC. Hoje, porém, a fabricante norte-americana já ocupa espaço também como especialista em infraestrutura para IA. Embora continue atuando no segmento de computadores, é a inteligência artificial que está sustentando sua expansão neste momento. Em 2022, quando as vendas globais de computadores despencavam, surgiu uma nova oportunidade para a companhia com a popularização da IA generativa impulsionada pelo ChatGPT. Em 2025, essa mudança de rumo levou a Dell a alcançar uma receita recorde de US$ 113,5 bilhões no ano fiscal encerrado em 30 de janeiro de 2026, o que representa alta de 19% em relação ao ano anterior.

“As perspectivas abertas pela IA estão transformando a nossa empresa”, afirmou Jeff Clarke, vice-presidente e diretor de operações da Dell Technologies, durante a apresentação dos resultados financeiros, em fevereiro. No ano fiscal anterior, a Dell recebeu pedidos de servidores otimizados para IA que somaram US$ 64 bilhões, enquanto as entregas chegaram a US$ 25 bilhões. Já no trimestre encerrado em 30 de janeiro, a receita dessa nova frente avançou 342% na comparação anual. Para o ano corrente, a companhia projeta US$ 50 bilhões em faturamento com servidores preparados para IA, um crescimento de 103% em relação ao ano anterior.

Dell e as fábricas de IA: o que falta são componentes

Para atender empresas com demandas em inteligência artificial, a Dell oferece pacotes completos que reúnem servidores de IA desenvolvidos com a Nvidia, armazenamento e soluções de conectividade. David Kennedy, diretor financeiro da Dell, chama essas ofertas de “fábricas de IA”. Em entrevista à Fortune, ele informou que essa linha já conta com 4 mil clientes corporativos, sendo 750 adicionados apenas no último trimestre fiscal. Segundo a empresa, a procura vem sendo estimulada por novos players de computação em nuvem, por projetos de IA soberana e também pela base já existente de clientes da Dell.

No momento, o problema não é a demanda, e sim a capacidade de oferta. Em outras palavras, o mercado simplesmente não dispõe de componentes suficientes para atender a todos os pedidos. Ainda assim, a Dell estaria em posição favorável no abastecimento, graças ao relacionamento já consolidado com seus fornecedores.

A estratégia da empresa também reflete uma mudança mais ampla no setor de tecnologia: em vez de depender apenas da venda de hardware tradicional, fabricantes passaram a disputar um mercado de infraestrutura crítica para modelos de IA. Nesse cenário, a Dell tenta combinar escala industrial, capacidade de integração e relacionamento com grandes corporações para se manter entre os principais beneficiados pela corrida da inteligência artificial.

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