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70% dos franceses apoiam proibir redes sociais para menores de 15 anos. O referendo já está decidido?

Adolescente com expressão triste mexendo no celular em cozinha, enquanto casal conversa ao fundo.

Redes sociais, menores de quinze anos e saúde mental

Quase três em cada quatro franceses defendem a proibição das redes sociais para menores de 15 anos. Num momento em que a possibilidade de um referendo sobre o assunto está sendo considerada, esse resultado fortalece o discurso de quem quer regras mais duras para o uso dessas plataformas.

Proibir o acesso às redes sociais para quem ainda não completou 15 anos? A França está debatendo essa hipótese. Emmanuel Macron chegou a mencionar a ideia de consultar a população por meio de um referendo. Agora, uma nova pesquisa da Missão Interministerial de Combate às Drogas e às Condutas Aditivas (MILDECA), em parceria com a Toluna Harris Interactive, mostra que 70% dos franceses apoiariam a medida. Quando a discussão passa a ser a restrição para menores de 13 anos, o índice sobe para 90%.

Isso ajuda a entender por que a dependência das redes, sobretudo entre os mais jovens, é vista como um grande problema de saúde pública. Esse é o principal tema da pesquisa, que traz vários sinais de alerta. Segundo o levantamento, 21% dos entrevistados passam mais de três horas por dia nas redes sociais. Entre eles, 76% admitem que dedicam tempo demais a essas plataformas. Entre os menores de 24 anos, esse percentual chega a 80%. Ou seja, existe consciência de que o uso está saindo do controle.

Redes sociais e saúde mental

Os números mais preocupantes da pesquisa dizem respeito ao efeito negativo das redes na saúde mental, principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Entre os entrevistados que se consideram dependentes, 45% afirmam que o uso das plataformas piora o próprio estado de espírito. Além disso, 38% dos franceses dizem que os influenciadores influenciam a forma como pensam. Dentro desse grupo, metade declara viver uma saúde mental fragilizada, o que a torna mais vulnerável a mensagens negativas. Um retrato alarmante.

O celular, e com ele as redes sociais, tomou conta da vida cotidiana - talvez em excesso. Metade dos participantes diz checar as notificações antes de dormir. E o cenário fica ainda mais preocupante quando se vê que um em cada três faz isso durante as refeições, justamente um momento que deveria ficar protegido. Isso não é um comportamento restrito aos jovens. No total, 16% dos franceses reconhecem que continuam trabalhando pelo celular fora do horário de expediente. Em resumo, ninguém realmente se desconecta.

Esse quadro também mostra por que escolas e famílias vêm dando mais atenção à educação digital. Estabelecer horários sem tela, limitar o tempo de uso e conversar sobre privacidade, comparação social e conteúdo algorítmico pode reduzir riscos sem depender apenas de proibições amplas. Em muitos casos, o objetivo não é demonizar as redes, mas ensinar como usá-las sem deixar que elas ocupem todo o espaço da rotina.

Outra questão que ganha importância é a responsabilidade das plataformas. Verificação de idade mais eficiente, configurações de segurança mais simples e menos mecanismos feitos para prender a atenção poderiam diminuir parte do problema. Sem esse tipo de avanço, qualquer tentativa de frear o uso excessivo acaba esbarrando em um ambiente digital pensado para estimular a permanência constante.

É uma pesquisa que causa arrepio e reaquece o debate sobre dependência. Estamos viciados? Sem dúvida. De um jeito ou de outro, as notificações acabam invadindo outras necessidades básicas, como sono, atividade física e refeições. Isso é inevitável? Não. As redes têm aspectos positivos, mas também exigem aprendizado para um uso mais controlado e para a desconexão consciente. A grande pergunta é se isso ainda é possível num cenário em que quase todo mundo está ligado o tempo inteiro. Se o referendo realmente acontecer, o resultado provavelmente não será surpresa, mas ao menos servirá para lançar luz sobre um tema de saúde pública.

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