As regras sucessórias passaram por uma virada no início do ano e vão mudar de novo em 2025. Depois de uma primeira reforma que já está valendo desde janeiro, a próxima etapa mira diretamente as tarifas bancárias de sucessão, com limites bem mais rígidos e um nível de transparência que não existia até aqui. Na prática, isso tende a alterar a forma como muitas famílias lidam com a parte financeira de um herança.
Reforma de janeiro de 2025: uso do dinheiro para despesas imediatas após o falecimento
Desde 1º de janeiro de 2025, entrou em vigor uma medida para deixar mais simples (e menos pesada) a gestão financeira logo após a morte. Ela trata do pagamento do funeral e de gastos urgentes diretamente a partir das contas bancárias da pessoa falecida. O teto legal, que antes era de 5.000 euros, passou para 5.910 euros, ajudando a cobrir melhor um funeral cujo custo médio já supera 4.700 euros.
Na prática, as contas continuam sendo bloqueadas quando ocorre o óbito, mas o banco pode reembolsar quem adiantou os valores - desde que apresente as notas e recibos - respeitando o limite desse novo teto.
Esse valor não serve apenas para o funeral. Ele também engloba as chamadas despesas conservatórias, isto é, gastos inevitáveis para impedir que a situação financeira se deteriore, como o último aluguel, contas essenciais com vencimento imediato, impostos pendentes, custos médicos do fim de vida, entre outros.
Se o saldo disponível na conta não for suficiente para cobrir essas despesas, os herdeiros precisam arcar com a diferença. Ainda assim, existe um alívio: até 1.500 euros podem ser deduzidos da sucessão, oferecendo uma pequena redução fiscal em um período em que os gastos costumam se acumular. O foco dessa primeira reforma foi reduzir a pressão financeira imediata e tornar os procedimentos mais simples para famílias enlutadas.
O que muda em 13 de novembro de 2025: reforma das tarifas bancárias de sucessão
A partir de 13 de novembro de 2025, entra em vigor uma segunda reforma - desta vez voltada a transformar, de forma profunda, a cobrança de tarifas bancárias ligadas às sucessões. A meta é encerrar práticas muito desiguais e, em alguns casos, abusivas, que elevavam a conta sem explicação objetiva.
Sucessões de até 5.000 euros: custo zero
Pela nova regra, qualquer sucessão abaixo de 5.000 euros será totalmente gratuita no banco. Nenhuma instituição poderá cobrar pela abertura do processo, encerramento de contas ou transferência de ativos nesses casos. Isso deve aliviar uma parcela relevante das transmissões patrimoniais.
Acima de 5.000 euros: teto de 1% do valor total
Quando a sucessão ultrapassar esse patamar, os bancos terão de respeitar um limite máximo de 1% do valor total da herança. Esse teto busca impedir cobranças imprevisíveis que, mesmo para operações padronizadas, às vezes ultrapassavam 150 ou 200 euros. Se houver cobrança acima do permitido, os herdeiros passam a ter uma base legal robusta para contestar.
Falecimento de menor de idade e tabela pública: gratuidade e transparência
A reforma também estabelece que, no falecimento de um menor de idade, todos os procedimentos bancários serão integralmente gratuitos, uma medida de caráter moral defendida há anos por associações.
Além disso, todo o setor bancário terá de adotar uma tabela tarifária unificada e pública, acessível a qualquer pessoa. A proposta é criar uma transparência inédita para que cada família saiba com antecedência quanto será cobrado e por qual motivo.
Como se preparar para lidar com o banco durante a sucessão
Na prática, a organização faz diferença para reduzir atrasos e evitar idas e vindas. Em geral, os bancos exigem documentos como certidão de óbito, identificação dos herdeiros, comprovantes de despesas (no caso de reembolso) e papéis do processo sucessório. Ter esses itens reunidos desde o início ajuda a acelerar o encerramento das contas e a transferência dos valores.
O que fazer se houver cobrança indevida
Com regras mais claras - especialmente o custo zero até 5.000 euros e o teto de 1% acima disso -, fica mais simples confrontar cobranças fora do padrão. Uma boa prática é solicitar a discriminação detalhada de cada item cobrado e guardar todos os comprovantes e comunicações. Se a cobrança não estiver alinhada ao limite aplicável, os herdeiros ganham respaldo para pedir correção e, se necessário, formalizar a contestação pelos canais oficiais do próprio banco e dos órgãos competentes.
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