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Helicópteros Uber sobrevoando a Côte d’Azur? A tensão aumenta em Saint-Tropez.

Casal sentado em café à beira-mar observando três helicópteros voando entre barcos e prédios ao fundo.

A partir do próximo ano, a Uber e a Joby Aviation pretendem colocar em operação voos de helicóptero em diversas cidades da Costa Azul (Riviera Francesa) - para desgosto de muitos moradores da região.

A Joby Aviation, startup californiana focada em eVTOL (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical), quer impulsionar uma nova geração de mobilidade urbana com baixo ruído e proposta de “emissão zero”. Para acelerar esse plano, a empresa comprou, em agosto de 2025, a divisão de transporte de passageiros da Blade Air Mobility, conhecida por rotas com helicópteros na área de Nova York e também no sul da França, especialmente no corredor Nice–Mônaco–Saint-Tropez.

Essa compra reforçou a colaboração com a Uber. As duas companhias - parceiras desde 2019 - informaram que, já no ano que vem, os voos da Blade passarão a aparecer dentro do aplicativo da Uber. Para JoeBen Bevirt, fundador da Joby, essa integração é um passo natural dentro da parceria global e um preparo para a chegada das aeronaves elétricas, silenciosas e de emissão zero.

Em 2024, a Blade levou mais de 50 mil passageiros em cerca de 15 rotas, incluindo várias no Mediterrâneo. A partir de 2026, a proposta é que o usuário consiga, ao menos em teoria, fechar todo o trajeto no app em uma jornada contínua: carro por aplicativo na saída, trecho aéreo de helicóptero e, por fim, novo carro por aplicativo no desembarque - um formato claramente voltado ao público de maior poder aquisitivo.

Mais adiante, a Joby planeja substituir parte dessas operações por seus próprios eVTOL, com capacidade para quatro passageiros e velocidade próxima de 320 km/h. A empresa afirma que o nível de ruído seria 100 vezes menor do que o de um helicóptero.

Além da conveniência, esse tipo de serviço costuma depender de uma malha de apoio que vai muito além do aplicativo: pontos de embarque e desembarque (helipontos e áreas dedicadas), controle de fluxo, equipes em solo e integração com a infraestrutura local. Em regiões turísticas com pico sazonal, qualquer ampliação de operações tende a esbarrar rapidamente em limites práticos - de espaço, de segurança e de convivência urbana.

Outro ponto sensível é a regulação. Mesmo antes de uma eventual transição para eVTOL, a operação com aeronaves precisa de autorizações formais, rotas definidas e regras claras para reduzir impacto em áreas residenciais. Na prática, o “como” e o “onde” esses voos ocorrerão pode ser tão decisivo quanto a tecnologia anunciada.

Uber, Joby Aviation e eVTOL na Costa Azul: a reação local

No litoral, a novidade não foi recebida com entusiasmo. Segundo O Parisiense, políticos e associações locais reagiram com dureza à possibilidade de ver “rotas Uber” sobrevoando o céu de Saint-Tropez. A área já enfrenta, a cada verão, um cenário de saturação: em alguns pontos, há registro de mais de 50 sobrevoos diários, patamar que moradores consideram insustentável.

Michel Perrault, vice-prefeito de Saint-Tropez, destacou que no último verão o número de voos de helicópteros tradicionais caiu após ações coordenadas pela Prefeitura do departamento de Var, e que o incômodo também diminuiu. Para ele, isso não pode ser revertido com a chegada de novas aeronaves.

A mesma preocupação é compartilhada pela associação Halte Hélicos, que há anos pressiona contra rotações consideradas excessivas. O presidente, Jean-Claude Molho, reforça que qualquer operação aérea precisa passar por autorização completa e que esse tipo de permissão não é simples de obter. Se a Uber realmente tentar ganhar espaço no ar, ele indica que haverá resistência organizada.

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