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Coros lança o Pace 4: o novo relógio GPS traz várias novidades e supera o Pace 3.

Homem correndo no parque verificando dados em relógio inteligente no pulso.

O maior concorrente da Garmin no segmento de relógio esportivo acaba de revelar um novo modelo ultraleve voltado a quem treina corrida, ciclismo e natação. A Coros Pace 4 chega como um salto relevante em relação à Pace 3, coloca em xeque a razão de existir da Pace Pro e, pela primeira vez nesta linha, estreia tela AMOLED, microfone e um visual mais discreto.

A Coros preferiu não fazer alarde no anúncio: o relógio apareceu de forma quase “casual” no pulso de Eliud Kipchoge em Nova York, durante um momento simbólico da carreira do maratonista - a corrida pela coleção completa dos seis maratonas mais prestigiados do mundo. E o detalhe que mais chamou atenção foi imediato: a Pace 4 acendeu com AMOLED, um movimento que reposiciona a família Pace dentro do próprio catálogo da marca e também frente às opções de entrada ultraleves onde a Garmin historicamente domina, mas nem sempre consegue “blindar” preço e peso.

Relógio esportivo: a Coros troca a Pace 3 pela Coros Pace 4

Lançada originalmente em agosto de 2023, a Pace 3 dá lugar à Coros Pace 4. O preço sobe pouco: € 269 em vez de € 249, mantendo a proposta central da linha - medições precisas, corpo ultraleve e autonomia forte. Só que, olhando a ficha técnica, a Pace 4 deixa a Pace 3 com números bem menos impressionantes do que pareciam há pouco tempo.

Com a integração de uma tela AMOLED, a Pace 4 também reduz a distância que existia para a Pace Pro. Aliás, a tendência é que a Pace Pro perca espaço: com a Pace 4 mais moderna, mais leve e com bateria ainda mais agressiva, fica difícil justificar a permanência da Pro no mercado apenas com diferenciais pontuais.

Ainda assim, a Coros deixa claro o que a Pace 4 não é: não haverá mapas, nem versão celular (para ligações), nem lanterna embutida - recurso cada vez mais comum em modelos recentes da Garmin. A ideia aqui é desempenho esportivo com foco em peso e autonomia, sem “encher” o relógio de extras.

Também não há grande avanço em funções de uso cotidiano. Um ponto que pode frustrar parte do público: a Coros segue sem apostar em pagamento por aproximação (NFC), algo que a Garmin oferece com o Garmin Pay. Para quem corre ou pedala sem carteira e sem telemóvel, pagar um café ou uma água no caminho é o tipo de conveniência que faz falta.

Design e tela AMOLED da Coros Pace 4 (ultraleve e sóbria)

A Coros Pace 4 mantém dimensões muito próximas às da Pace 3: 43,4 × 43,4 mm, com 11,8 mm de espessura (antes eram 11,7 mm). O peso segue como um dos grandes argumentos: 32 g com pulseira de nylon e 40 g com pulseira de silicone. A tela tem 1,2 polegada.

No visual, a mudança lembra o caminho iniciado na Coros Pace Pro: a tela passa a ficar mais “integrada” à moldura, com transição mais suave. A construção continua focada em leveza e custo, com corpo em plástico e um acabamento em dois tons entre a moldura e a lateral, onde ficam os botões.

A diferença funcional mais evidente no hardware é a chegada de um novo botão no lado esquerdo da caixa - um comando extra que impacta diretamente a navegação do sistema (detalhes mais abaixo).

A grande virada, porém, está no painel. Sai o transflectivo tradicional da Coros (que ajudava a economizar energia e reduzir preço) e entra a AMOLED. Na prática, isso traz cores mais vivas, contraste superior e pretos realmente pretos (com píxeis apagados). A marca afirma que a resolução é 164% maior do que na Pace 3: são 390 × 390 píxeis, com brilho máximo de 1.500 nits (no mesmo nível da Pace Pro). No vidro de proteção, a linha Pace continua com vidro mineral, uma escolha coerente com o posicionamento de custo e peso (em vez de opções mais caras e resistentes).

Bateria e autonomia da Coros Pace 4 (GPS e GPS dupla frequência)

A Coros já tinha surpreendido ao lançar a Pace Pro: a adoção de AMOLED não “explodiu” o consumo como muita gente espera. O que muda agora é que a Pace 4 consegue ir além - e com folga.

  • Até 41 horas em GPS (com todos os sistemas/instrumentos ativados)
    • comparação: 31 horas na Pace Pro e 25 horas na Pace 3
  • Até 31 horas em GPS dupla frequência
    • comparação: 15 horas na Pace 3
  • Até 19 dias em uso diário (sem atividade GPS)
    • comparação: 15 dias na Pace 3

Para deixar os números mais claros:

Cenário de uso Coros Pace 4 Pace Pro Pace 3
GPS (todos os sistemas) 41 h 31 h 25 h
GPS dupla frequência 31 h - 15 h
Uso diário (sem GPS) 19 dias - 15 dias

Always-on: impacto da tela sempre acesa

Como a Pace 4 agora é AMOLED, ela passa a ter modo Always-on (tela permanentemente ligada). Dá para ativar o Always-on apenas durante a atividade ou o tempo todo, inclusive fora dos treinos.

Com Always-on ligado, a autonomia cai: - Em GPS (todos os sistemas): vai para 31 horas (redução de 10 horas). - Em GPS dupla frequência: fica em 24 horas, um patamar que a marca coloca como equivalente ao observado na Pace Pro.

A comparação com a Pace 3 não é direta nesse ponto, porque a Pace 3 não usa AMOLED e não trabalha com Always-on da mesma forma.

A Coros também promove a melhoria com recortes simples: - +16 horas em GPS (todos os sistemas) vs. Pace 3
- +4 dias no uso diário vs. Pace 3
- +3 horas em GPS (todos os sistemas) vs. Pace Pro

Segundo a própria Coros, a vantagem da Pace 4 sobre a Pace Pro vem de uma combinação entre capacidade de bateria e tela menor (1,2" contra 1,3").

Botão de ação e microfone na Coros Pace 4

Além de tela e bateria, a Pace 4 estreia duas mudanças importantes no uso prático: um novo botão de ação e um microfone.

O botão extra serve para deixar a navegação mais rápida. Até aqui, a interface da Coros privilegiava a rolagem horizontal entre menus e dados. Com o terceiro botão, passa a ficar mais simples deslizar de um lado para o outro (da esquerda para a direita) para alternar menus, chegar ao controlo multimédia, entrar em navegação e aceder às configurações gerais do relógio.

Já o microfone não foi pensado como recurso para chamadas. A proposta é outra: facilitar a tomada de notas após o treino. A Coros defende que comentários sobre sensação, esforço e contexto são valiosos para entender ciclos de treino e evolução - mas quase ninguém quer parar para digitar um texto ao terminar a sessão. A solução passa por gravar a voz e transcrever as impressões, salvando um texto (e também o áudio) no histórico do treino dentro do aplicativo.

Um ponto extra que vale considerar no dia a dia (além da ficha técnica)

Para quem segue planilhas e gosta de acompanhar consistência, um relógio ultraleve como a Pace 4 tende a ser mais “invisível” no pulso - especialmente em treinos longos e no sono. Esse conforto influencia adesão: quanto menos incômodo, maior a chance de usar o relógio o tempo todo e manter uma rotina de dados mais completa.

Também é recomendável pensar no seu cenário de treino: em locais com prédios altos, túneis ou muita interferência, o GPS dupla frequência pode ser um diferencial real de rastreio; já em percursos abertos, o ganho pode ser menor, e você pode preferir economizar bateria com modos de GPS mais simples.

Preço e data de lançamento da Coros Pace 4

Dois anos após a Pace 3, a Coros Pace 4 chega ao mercado por € 269 (alta de € 20). A venda começa em 10 de novembro e a disponibilidade em lojas físicas é esperada no início de dezembro (por exemplo, na Decathlon).

No lançamento, há apenas as cores preta e branca, e somente com pulseira de silicone - uma escolha infeliz para quem prioriza conforto e peso, já que a pulseira de nylon costuma ser mais leve, mais agradável na pele e com ajuste mais rápido e preciso. A Coros justifica que teve dificuldades para receber as pulseiras de nylon a tempo do início das vendas.

Outra informação relevante: a Coros vai reduzir, a partir de 14 de novembro, os preços de modelos anteriores: - Pace 3: cai € 20, para € 229 - Pace Pro: cai € 50, para € 349

A orientação é que os dois modelos antigos serão vendidos até acabar o estoque - o que reforça a leitura de que a Pace Pro está perto de se despedir. Mesmo oferecendo mapas e um sensor cardíaco elétrico (ausentes na Pace 4), ela passa a parecer pesada demais e cara demais frente à nova Pace 4, além de competir internamente com relógios mais robustos e de maior autonomia voltados ao trail.

Resta ver o que a Coros vai preparar para 2026 depois de uma atualização tão agressiva na família Pace.

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