Nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, foi exibida no ar uma conversa privada envolvendo Siavosh Ghazi e a LCI. O repórter franco-iraniano afirma ser alvo de censura sistemática.
Mais de três semanas após os primeiros ataques dos Estados Unidos ao Irã, a guerra no Irã segue em curso no Oriente Médio, sem sinais concretos de trégua. O clima continua altamente instável - e a possibilidade de agravamento do conflito segue no radar.
Um dos fatores que ampliaram a tensão foi o fechamento do estreito de Ormuz, passagem considerada crucial para o comércio global e, especialmente, para o fluxo internacional de energia. Nesse cenário, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, teria imposto um ultimato ao Irã, o que aumentou as preocupações sobre uma eventual escalada.
Desde o início da guerra, Siavosh Ghazi figura entre os poucos jornalistas presentes no país para acompanhar os acontecimentos de perto. Aos 64 anos, ele relata a situação diretamente de Teerã para diversos veículos francófonos. Em um ambiente no qual o trabalho da imprensa estrangeira costuma ser rigidamente supervisionado, a atuação no terreno se torna ainda mais relevante para registrar o que ocorre.
Guerra no Irã: Siavosh Ghazi e as tensões com a LCI e outros meios franceses
A partir de 28 de fevereiro de 2026, Siavosh Ghazi passou a ser requisitado com intensidade ainda maior. Mantendo colaboração constante com France 24 e RFI, ele vem realizando entradas ao vivo, reportagens e participações em link para uma ampla rede de emissoras francófonas, sempre a partir de Teerã.
Na manhã de 23 de março de 2026, um trecho apresentado como parte de uma transmissão ao vivo da LCI se espalhou rapidamente no X (antigo Twitter). Nas imagens, aparece por instantes a interface do WhatsApp na tela, exibindo várias chamadas perdidas e uma mensagem atribuída ao correspondente. No texto, em tom duro, ele teria escrito: “não contem mais comigo. Cansei dessa censura sistemática”. Tudo isso teria ocorrido durante uma participação ao vivo do jornalista no canal de notícias.
Paralelamente, outra gravação envolvendo o repórter em link com a BFM TV também circulou nas redes. Nela, o jornalista baseado em Teerã encerra de forma abrupta a comunicação por vídeo, interrompendo a transmissão ao vivo. Ainda assim, o contexto exato do episódio não foi esclarecido de maneira definitiva.
A combinação desses dois vídeos alimentou comentários e questionamentos sobre a relação entre um dos raros correspondentes francófonos instalados em Teerã e diferentes redações de meios franceses. O caso também se encaixa em um debate mais amplo: como conciliar exigências editoriais com limitações de acesso, risco operacional e restrições impostas a jornalistas que atuam no Irã.
Além do impacto político e militar, há reflexos econômicos perceptíveis quando o estreito de Ormuz entra no centro da crise. Mesmo para países fora da região, como o Brasil, qualquer ameaça prolongada à rota pode pressionar cadeias logísticas globais e afetar preços internacionais de energia, com efeitos indiretos sobre inflação, transporte e custos industriais.
Em situações assim, cresce também a disputa por controle narrativo: de um lado, governos e autoridades tentando moldar a informação; de outro, emissoras buscando rapidez e exclusividade. Para quem está no campo, isso pode significar embates sobre o que vai ao ar, em que formato e com quais limitações - e, em casos extremos, rupturas públicas ou sinais de desgaste, como os episódios atribuídos a Siavosh Ghazi com LCI e BFM TV.
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