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"É um escândalo: agora os bancos registram clientes que pagam com cheque."

Mulher atendente entrega cheque a cliente sentado em banco com computador e agenda na mesa.

O pagamento por cheque já foi muito valorizado na França, mas vem perdendo espaço de forma gradual. Tanto que o Ministério da Economia e das Finanças (conhecido como Bercy) observou, por exemplo, que a quantidade de cheques compensados pelo Tesouro Público caiu 72% em dez anos. A Direção-Geral das Finanças Públicas (DGFiP), inclusive, declara abertamente que está analisando a possibilidade de recusar cheques no pagamento de multas e impostos.

Nesse cenário de queda de uso, entrou em vigor uma mudança legislativa aprovada em 6 de novembro, com o objetivo de endurecer a resposta às fraudes associadas ao cheque. Como aponta o portal L’Internaute, hoje já existe um arquivo nacional que registra incidentes de pagamento relacionados a cheques - e o funcionamento desse mecanismo vai passar por ajustes.

Nova lei de controle de cheques: mudanças para combater a fraude

Pelas novas regras, os bancos que emitem cheques passam a ser obrigados a comunicar ao arquivo qualquer rejeição de cheque motivada por falsificação ou contrafação, segundo a publicação.

Além disso, será criado um novo banco de dados: o Arquivo Nacional de Contas Sinalizadas por Risco de Fraude (FNC-RF). Ele reunirá as coordenadas bancárias de contas que os próprios bancos considerarem suspeitas. Esse arquivo será administrado pelo Banco da França e financiado por prestadores de serviços de pagamento, conforme relata o site especializado.

Um sistema compatível com privacidade e proteção de dados (RGPD)?

A criação e o uso de bases desse tipo inevitavelmente levantam dúvidas sobre privacidade. De acordo com L’Internaute, o número de pessoas autorizadas a acessar o FNC-RF será restrito, como forma de cumprir o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

Além disso, a Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL) deverá emitir um parecer sobre as regras dessa coleta, bem como sobre armazenamento, prazo de conservação e condições de consulta do arquivo.

O que pode mudar na prática para quem deposita um cheque

Para os clientes, há efeitos práticos a considerar. A partir do momento em que um cheque for depositado, os bancos poderão consultar diretamente o arquivo de incidentes de pagamento. Antes, as instituições precisavam aguardar a compensação para então tomar providências.

Com isso, se houver suspeita de fraude, o gerente ou a área de controle do banco pode optar por postergar o crédito na conta enquanto realiza verificações. Esse tipo de procedimento pode se tornar burocrático, consumir tempo e acabar prejudicando o usuário, especialmente quando o cheque é legítimo.

Por que endurecer agora: o peso de cheques perdidos ou roubados

Ainda que a medida possa gerar transtornos para quem for suspeito injustamente, ela não foi adotada “por capricho”. Segundo números do ano passado citados pela reportagem, 89% das fraudes com cheque vinham de cheques perdidos ou roubados.

A expectativa é que o novo sistema ajude a frear esse tipo de ocorrência, considerado preocupante, ao ampliar a capacidade de identificar rapidamente padrões e contas associadas a riscos.

Pontos de atenção e boas práticas para reduzir riscos

Com controles mais rígidos e mais consultas a arquivos de incidentes de pagamento, tende a crescer a importância de cuidados básicos no uso desse meio: guardar talões com segurança, registrar rapidamente perdas e conferir dados do beneficiário antes de assinar. Em caso de depósito ou recebimento de cheque, também pode ser útil manter comprovantes e comunicação documentada, pois isso pode acelerar esclarecimentos se houver bloqueio preventivo.

Ao mesmo tempo, o declínio do cheque acompanha uma transição mais ampla para meios eletrônicos. Quanto mais o cheque se torna exceção, mais as tentativas de fraude podem se concentrar nesse instrumento - o que ajuda a explicar por que o poder público e o setor financeiro apostam em mecanismos como o FNC-RF e no reforço dos registros de incidentes de pagamento para aumentar a rastreabilidade e a prevenção.

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