A Terra quase foi “roçada” por um pequeno asteroide na semana passada: ele passou tão perto quanto a Estação Espacial Internacional (ISS) costuma orbitar. Com isso, o evento entrou para a lista como o segundo sobrevoo mais próximo já registado entre os casos conhecidos.
Asteroide 2025 TF: aproximação extrema na órbita da ISS
O asteroide 2025 TF cruzou os céus sobre a Antártica às 00:47:26 (UTC) de quarta-feira, 1.º de outubro, a uma altitude de aproximadamente 428 km. Essa marca fica dentro da faixa típica da órbita da ISS, que varia entre 370 e 460 km de altitude.
Apesar de ter sido “por pouco”, ainda não é o recorde absoluto. O título de aproximação conhecida mais apertada (sem colisão) permanece com o 2020 VT4, que passou a cerca de 368 km da Terra, em novembro de 2020.
O que conta como “sobrevoo” mais próximo (sem impacto)
Aqui estamos a falar das aproximações que não resultam em impacto. Em situações ocasionais, alguns objetos chegam a tocar as camadas superiores da atmosfera, perdem parte da massa ao aquecer, e acabam por “quicar” e voltar ao espaço - num efeito que lembra uma pedra a saltar na superfície de um lago.
E, claro, já houve asteroides que chegaram bem mais perto - basta perguntar aos dinossauros. Além disso, esta lista considera apenas o que foi observado e catalogado: ao longo de 4,5 mil milhões de anos de história do planeta, é plausível que a Terra tenha tido encontros ainda mais rasantes sem que tivéssemos registos.
Tamanho do 2025 TF e risco real
Mesmo que o 2025 TF tivesse atingido a Terra, não seria motivo de preocupação. O corpo rochoso mede apenas entre 1 e 3 metros de diâmetro. No pior cenário, a maior parte teria sido consumida na atmosfera, produzindo sobretudo um espetáculo luminoso - e, com sorte, um pequeno meteorito que poderia acabar por ser encontrado… talvez até por algum pinguim na Antártica.
Esse tipo de objeto, pela dimensão, raramente chega ao solo com energia suficiente para causar danos relevantes. Em geral, o principal interesse científico está em compreender a frequência dessas passagens e melhorar os modelos de deteção e previsão.
Descoberta tardia: Kitt Peak-Bok Observatory e Catalina Sky Survey
Curiosamente, o 2025 TF só foi identificado depois de já ter passado pela Terra. O primeiro relatório veio do Kitt Peak-Bok Observatory, no Arizona, às 06:36 (UTC). Mais tarde, foi possível reconstruir a trajetória ao localizar registos anteriores no Catalina Sky Survey, que o captou apenas duas horas após a sua máxima aproximação.
Isto não é tão raro quanto parece: objetos muito pequenos podem ser difíceis de detetar com antecedência, sobretudo quando se aproximam a grande velocidade, com brilho fraco, ou surgem numa geometria desfavorável em relação ao Sol (o que limita a observação a partir do solo). Por isso, catálogos e programas de varrimento do céu são essenciais para “encaixar as peças” e refinar órbitas após a passagem.
Próxima visita, segundo a JPL, será bem mais distante
Enquanto o 2025 TF se afasta agora para a escuridão do espaço, é provável que volte a cruzar a vizinhança terrestre no futuro. De acordo com estimativas da JPL para a sua órbita, ele deve regressar à nossa região em abril de 2087 - mas, dessa vez, mantendo uma margem confortável.
A previsão é que o asteroide chegue a cerca de 8 milhões de km da Terra, o que equivale a aproximadamente 21 vezes a distância média até a Lua.
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