A primeira vez que ouvi alguém soltar um “parei de usar a air fryer”, eu travei no meio do gole do café. Era justamente aquela amiga que botava tudo ali dentro para “dar uma douradinha” - de batata congelada a couve-flor - como se a caixinha barulhenta fosse o centro do universo na bancada. Só que, do nada, ela apareceu com um aparelho novo, de inox, e a fritadeira foi parar lá no fundo, tipo celular velho esquecido na gaveta. Ela apertou um botão e o equipamento, sem drama, foi de “assar” para “cozinhar no vapor” e depois para “cozimento lento”, como quem muda de música. A cozinha não virou um forno, nada espirrou gordura, e vinte minutos depois o jantar parecia coisa de quem passou a tarde cozinhando.
O que está surgindo agora é uma geração de multicooker nove em um - e ela não fica presa ao “fritar”. Na prática, dá para ocupar o lugar de quase nove aparelhos diferentes que vivem se revezando (ou juntando poeira) na sua casa.
Da fritadeira de uma função ao multicooker nove em um que muda a rotina
É só bater o olho em qualquer cozinha hoje para entender como a gente chegou aqui: bancadas lotadas de aparelhos que prometeram “mudar a vida”. O forninho que assa de um lado e deixa o outro pálido, a panela elétrica de cozimento lento que sai do armário duas vezes por ano, a fritadeira a ar que parece turbina e ainda resseca metade do que você coloca lá dentro.
A diferença é que o multicooker dessa nova leva não quer ser “mais uma air fryer”. A proposta é assar, cozinhar no vapor, grelhar, refogar, desidratar, cozinhar lentamente, dourar/rostar, reaquecer e, sim, continuar entregando aquela batata crocante.
Uma caixa, nove modos de preparo. Uma tomada - e metade do armário volta a respirar.
Pensa na Emma, 34, morando num apartamento pequeno, com uma cozinha do tamanho de um guarda-roupa. Por anos, a fritadeira a ar dividiu espaço com uma panela de arroz, um mini-forno e uma panela de cozimento lento enorme que ela quase não encostava. Ela fazia o jantar no meio de uma pilha de aparelhos, encaixando coisas em cima da geladeira como um Tetris que deu errado.
Até que ela comprou um multicooker nove em um “só para testar por uma semana”. Dois meses depois, a fritadeira a ar já tinha ido embora no Marketplace do Facebook, a panela de arroz sumiu, e o forno virou praticamente um lugar para guardar pratos.
Hoje ela cozinha grão-de-bico sob pressão, faz bolinhos no vapor, deixa a pele do frango crocante e ainda assa pão de banana - tudo no mesmo aparelho. A única queixa? Escolher qual função usar.
Por que a fritadeira a ar resolveu só uma parte do problema
A lógica dessa troca é simples: a fritadeira a ar atacou um desejo bem específico - comida crocante com menos óleo - mas deixou o resto da rotina de fora. Ainda faltava um jeito prático de apurar um ensopado, reaquecer macarrão sem virar serragem ou assar uma lasanha numa terça-feira sem transformar a casa numa sauna.
Os aparelhos nove em um entram exatamente nesse buraco. Não é só “calor”: é calor com intenção. Eles combinam ar com convecção para crocância, controle fino de temperatura para cozimento lento, vapor para maciez e um reaquecimento mais gentil que não destrói as sobras.
A virada real não é “fritar”; é trocar cinco ou seis escolhas espalhadas pela cozinha por um único equipamento bem usado.
Como conviver com um multicooker nove em um sem se enrolar
O jeito mais sensato de domar uma máquina com nove funções é começar só com duas ou três. Para muita gente, isso significa: fritar a ar, cozinhar no vapor e cozimento lento. Use como se fosse uma fritadeira a ar mais esperta por uma semana; depois, em um dia qualquer, encaixe um vapor rápido para legumes ou bolinhos.
Quando a confiança vem, acrescente assar e dourar/rostar. De repente, aqueles jantares na assadeira passam a acontecer “dentro da caixa”, que pré-aquece em poucos minutos e não esquenta a cozinha inteira.
Pense nela como uma amizade nova: não cobre que faça tudo no primeiro dia. Deixe o aparelho se provar, receita por receita, numa noite comum de semana.
A armadilha clássica desses “tudo em um” é tentar usar todas as funções de uma vez. É assim que alguém resolve desidratar morango, assar um cheesecake e cozinhar um curry lentamente no mesmo domingo - e depois decreta que “é complicado demais”.
Pegue leve com você. Comece pelo que já faz parte da sua rotina: frango assado, legumes, snacks congelados, arroz, mingau. Em seguida, substitua uma refeição feita na panela pela versão no cozimento lento ou na pressão.
E vamos combinar: ninguém usa todas as funções todos os dias. Quem mantém o hábito é quem aceita ser um pouco preguiçoso com o aparelho - e usa o atalho sem culpa.
Um detalhe que ajuda muito (e quase ninguém comenta) é separar um “kit de rotina”: uma escova macia para cantinhos, um pano para limpar a vedação e um pote para deixar os acessórios secarem. Com isso, a limpeza deixa de ser aquela tarefa chata que faz você largar o aparelho na segunda semana.
Também vale criar o hábito de conferir a capacidade antes de comprar: se você cozinha para uma família, precisa de uma cuba maior; se mora sozinho ou em casal, um modelo compacto pode entregar o mesmo resultado gastando menos energia e ocupando menos bancada. Esse ajuste simples evita frustração - tanto com “não cabe” quanto com “é grande demais para o meu dia a dia”.
As pessoas que continuam usando o multicooker nove em um por meses costumam repetir a mesma ideia:
“Eu parei de pensar nele como um aparelho e passei a tratar como meu fogão principal, só que mora na bancada”, diz Marc, pai de dois filhos que faz comida em lotes aos domingos. “Depois que eu decorei os botões, praticamente deixei o forno para usar só no Natal.”
Para não enlouquecer, muita gente guarda uma mini “cola mental” de usos certeiros:
- Durante a semana: frite a ar legumes e proteína juntos, ou faça arroz no vapor enquanto o prato principal doura.
- Fim de semana: cozinhe um panelão de molho no cozimento lento e finalize porções com um jato rápido para dar crocância.
- Manhãs corridas: use reaquecer e vapor para sobras macias - sem aquele ar triste de comida ressecada.
- Dias de calor: prepare refeições completas sem ligar o forno grande nem suar no preparo.
- Casas pequenas: asse, doure e grelhe em porções menores e mais eficientes, sem desperdício de energia.
Uma revolução silenciosa na cozinha - e o multicooker nove em um no centro disso
Dê uma volta pela sua própria cozinha, nem que seja na imaginação. Quantas coisas ficam na tomada ou encostadas, esperando o dia em que “vou ter tempo”? A máquina de pão que brilhou num único fim de semana heroico. O liquidificador que jurou virar smoothie verde. A fiel - e barulhenta - fritadeira a ar no canto.
Os multicookers nove em um representam algo maior do que uma caixa nova e bonita. Eles empurram a gente para menos decisões, menos cabos, menos aquela culpa de “eu devia usar mais isso” estampada na bancada.
Não são perfeitos. Às vezes apitam em horários impróprios, ocupam um quadrado generoso de espaço e podem assustar quem está começando a cozinhar. Ainda assim, liberam uma coisa poderosa: cozinhar comida de verdade com menos carga mental.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para quem lê |
|---|---|---|
| Substitui vários aparelhos | Reúne fritar a ar, assar, dourar/rostar, cozinhar no vapor, grelhar, refogar, cozimento lento, reaquecer e desidratar | Libera espaço na bancada e reduz a bagunça em cozinhas pequenas ou muito usadas |
| Cozinha do dia a dia mais rápida e inteligente | Pré-aquece rápido, usa calor direcionado e vapor, e concentra o preparo num único compartimento | Encurta o tempo das refeições de semana e tende a gastar menos energia do que fornos grandes |
| Se adapta a diferentes rotinas | Funciona para cozinhar em lotes, casas pequenas, famílias e noites de “preguiça com fome” | Ajuda a criar uma rotina flexível e realista de comida caseira |
Perguntas frequentes (FAQ)
Um multicooker nove em um é mesmo melhor do que uma fritadeira a ar?
Para a maioria das pessoas, sim: ele continua fritando a ar, mas também cozinha no vapor, faz cozimento lento e assa - ou seja, entra no seu dia a dia inteiro, não só nos lanches crocantes.Ele gasta mais eletricidade do que um forno tradicional?
Em geral, não. Como a câmara é menor, aquece mais rápido e desperdiça menos energia aquecendo a cozinha, o consumo costuma ser menor do que o de um forno grande.Dá para substituir o forno de vez?
Para assados enormes de datas especiais, provavelmente não. Mas para o cotidiano - legumes dourados, bolos pequenos, reaquecer pizza - ele dá conta com folga.Limpar é mais trabalhoso do que na fritadeira a ar?
O cesto ou a cuba interna ainda precisam ser lavados, mas muitos modelos têm peças que vão à lava-louças e costumam gerar menos respingos de gordura nas paredes ao redor.O que cozinhar primeiro para pegar confiança?
Comece com algo conhecido, como batatas douradas ou sobrecoxas no modo fritar a ar. Depois, faça um legume no vapor e, na mesma semana, teste uma sopa simples no cozimento lento.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário