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Xavier Dupont de Ligonnès: caso ganha nova reviravolta nos EUA com informações inquietantes!

Homem liga foto de suspeito a pontos em mapa dos EUA em quadro de investigação com fotos de locais.

Quinze anos depois dos acontecimentos, as autoridades voltam a pedir ajuda diretamente aos internautas.

No condado de Brewster, no estado do Texas, um território com apenas 9.546 habitantes (segundo os recenseamentos mais recentes), a polícia local surpreendeu ao publicar, na quarta-feira, 25 de março, um apelo por testemunhas no Facebook - algo que poucos esperavam ver relacionado ao caso Xavier Dupont de Ligonnès.

A publicação dizia, em essência:

O gabinete do xerife do condado de Brewster procura informações sobre o paradeiro de Xavier Dupont de Ligonnès. Estas fotos têm cerca de 15 anos, mas são as imagens mais recentes de que se tem conhecimento. Se você reconhece esta pessoa ou tem alguma informação, ligue para 432-837-3488 ou para o 911 em caso de emergência.

Segundo a AFP, que divulgou um material visual ligado ao pedido, o gabinete do xerife informou que ele “pode ter sido visto em 2020 no condado, acompanhado de um labrador preto”.

Pouco depois, a mesma autoridade acrescentou mais detalhes sobre a origem do movimento:

No início desta semana, o xerife Dodson foi procurado por uma equipe de imprensa privada, que incluía um ex-agente - um dos primeiros investigadores. Durante a entrevista, o xerife Dodson soube que Ligonnès já havia viajado para o condado de Brewster e teria dito que era um de seus lugares preferidos. Nosso apelo por testemunhas tem o objetivo de reunir qualquer pista relacionada a este caso terrível, hoje arquivado. Recebemos muitas ligações, e-mails e mensagens da imprensa, tanto nacional quanto internacional. No momento, sem novas provas ou informações, não conseguiremos responder a essas solicitações individualmente. Vamos atualizar as informações por esta página do Facebook. Mais uma vez, se você tiver qualquer informação, não hesite em nos contatar.

Além de reacender o interesse público, um apelo desse tipo costuma ter outra função prática: separar boatos de relatos verificáveis. Em casos antigos e de grande repercussão, as autoridades tendem a priorizar informações com detalhes objetivos (data aproximada, local, descrição, imagens, placas, trajetos), justamente para evitar que a investigação se perca em identificações precipitadas.

Também é comum que pistas envolvendo outros países dependam de cooperação entre instituições. Mesmo quando uma polícia local recebe um relato, o avanço costuma exigir checagens cruzadas com bases de dados, registros e contatos com órgãos federais - o que ajuda a entender por que muitas “supostas aparições” não se transformam em prova formal.

A pista americana e o caso Xavier Dupont de Ligonnès

Para relembrar o caso: em abril de 2011, investigadores encontraram, sob o terraço de uma casa no boulevard Schuman, em Nantes, os corpos de Agnès Dupont de Ligonnès e de seus quatro filhos. O marido, Xavier Dupont de Ligonnès, desapareceu e continua oficialmente não localizado.

O último sinal de vida apontado pela polícia foi uma figura registrada de forma rápida por uma câmera de vigilância em Roquebrune-sur-Argens, no departamento de Var, em 15 de abril daquele mesmo ano.

Desde então, forças de segurança de vários países não conseguiram confirmar seu paradeiro. Ao longo do tempo, surgiram diversas ocasiões em que se acreditou tê-lo identificado - sem que isso se convertesse em comprovação conclusiva.

Entre as linhas de investigação exploradas por curiosos e por pessoas que acompanham o caso, ganhou espaço o que se convencionou chamar de “pista americana”. Essa hipótese se apoia, em parte, em uma viagem marcante que o fugitivo teria feito em 1990 com o amigo Michel Rétif.

De acordo com diferentes reportagens que investigaram o tema, essa experiência teria deixado uma impressão profunda: a vastidão do Oeste dos Estados Unidos teria se desenhado, para ele, como um refúgio ideal para quem deseja “desaparecer”.

Pouco antes da tragédia, ele teria enviado ao amigo uma mensagem considerada ambígua por alguns observadores, mencionando um reencontro em um lugar conhecido apenas por ambos. Para investigadores e jornalistas, isso foi interpretado como uma possível referência às extensões isoladas dos EUA por onde teriam passado no passado.

Apesar de diversos relatos ao longo dos anos apontando supostas aparições na América do Norte, o FBI e as autoridades francesas ainda não apresentaram qualquer prova formal de que ele estivesse em território americano.

Resta saber se o apelo feito pela polícia do condado de Brewster se apoia em elementos concretos recém-surgidos ou se representa, sobretudo, uma tentativa de reativar um processo antigo que, até aqui, continua sem uma resposta definitiva.

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