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Falta de chips de memória e aumento dos preços de eletrônicos devem continuar até 2030.

Jovem em loja de eletrônicos, segurando um celular e uma etiqueta, ao lado de placa "out of stock".

A presidência do conglomerado sul-coreano SK, um dos maiores fornecedores globais de chips de memória, avalia que a escassez provocada pela corrida por IA (inteligência artificial) pode se estender até 2030. O efeito prático já aparece na indústria: com menos disponibilidade de memória, os custos de fabricação tendem a subir e isso pressiona preços e margens em smartphones, PCs e outros eletrônicos.

Escassez de chips de memória e IA: por que o problema pode ir até 2030

A atual escassez de chips de memória está fortemente ligada ao apetite de novos centros de dados voltados à inteligência artificial. Segundo a Reuters, durante a conferência anual da Nvidia, Chey Tae-Won, presidente do grupo SK, indicou que a falta de oferta no mercado mundial pode permanecer como um gargalo até 2030 - lembrando que a SK está entre as empresas mais relevantes nesse segmento.

O ponto central é que as infraestruturas modernas de IA exigem um tipo específico de memória, conhecida como HBM (High Bandwidth Memory). Com a demanda por HBM absorvendo capacidade das fabricantes, sobra menos espaço de produção para outras categorias, o que acaba reduzindo a oferta de RAM destinada a dispositivos de consumo e corporativos, como smartphones e PCs.

Além disso, ampliar a produção não é algo imediato. De acordo com a Reuters, Chey Tae-Won afirmou que a SK precisa de tempo - no mínimo 4 a 5 anos - para elevar o volume fabricado e acompanhar essa aceleração da procura. Ainda assim, a empresa sinalizou a intenção de anunciar uma estratégia voltada a tentar estabilizar os preços no mercado.

Uma crise que já afeta marcas - e pode derrubar embarques de PCs e smartphones

O impacto dessa escassez já aparece nas projeções de mercado. A consultoria IDC estima que os embarques globais de PCs devem cair 11,3% em 2026. Para smartphones, a expectativa é ainda mais negativa no curto prazo: a IDC projeta queda de 12,9% nos embarques neste ano.

Apesar do cenário apertado, a IDC também aponta sinais de melhora mais adiante, com estabilização a partir do próximo ano e um rebote em 2028. Em documento publicado em fevereiro, a consultoria registra a seguinte expectativa: “Prevemos um crescimento modesto de 1,9% para os smartphones em 2027, seguido por uma recuperação mais forte de 5,2% em 2028.”

Nem todas as fabricantes sofrem do mesmo jeito

A severidade do problema tende a variar conforme o porte e o poder de compra de cada marca. Empresas que fabricam grandes volumes geralmente conseguem negociar melhor com fornecedores, tanto em preço quanto em prioridade de entrega, quando comparadas às companhias que compram quantidades menores de chips de memória.

Como o setor costuma reagir em escassez prolongada de memória

Em ciclos longos de falta de componentes, é comum que fabricantes de eletrônicos e fornecedores adotem medidas para reduzir o risco. Entre as iniciativas mais frequentes estão contratos de fornecimento de longo prazo, ajustes de portfólio (priorizando produtos com maior margem) e redesenhos de configurações para diminuir a dependência de componentes mais disputados.

Do lado do mercado, outra consequência típica é a busca por alternativas e otimizações: melhor aproveitamento de memória via software, maior ênfase em compressão e eficiência, além de estratégias de compras mais antecipadas para evitar picos de preço - medidas que podem ajudar a atravessar o período de escassez, ainda que não resolvam o gargalo estrutural de capacidade produtiva.

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