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Testei o Realme 16 Pro+: a bateria me impressionou, o resto me surpreendeu.

Homem jovem sentado ao ar livre, olhando para o celular com câmera, café e fones sobre a mesa.

Eu queria, sim, colocar o Realme 16 Pro+ à prova. Não porque a realme seja uma marca incontornável na França - ainda não é -, mas porque, no papel, o conjunto de promessas é difícil de ignorar.

A proposta é direta: bateria XXL, câmara de 200 megapíxeis e um visual assinado por um designer japonês reconhecido, tudo por menos de 600 €. “Matador de topo de linha”? A expressão é usada até demais, mas a ambição existe. Depois de seis semanas como telemóvel principal, aqui vai a minha opinião, com os prós e os limites bem claros.


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Nota para o Brasil: os preços acima são de referência em euro e variam bastante quando entram impostos, frete e garantia local. Se a compra for por importação, vale colocar na conta o custo de um carregador compatível e a diferença entre assistência internacional e assistência no Brasil.


Realme 16 Pro+ e o design: chama atenção - e sabe disso

Para dar cara ao aparelho, a realme voltou a trabalhar com o designer japonês Naoto Fukasawa (o mesmo que já tinha colaborado nos GT 2 Pro e GT Master Edition). O resultado aparece logo no primeiro toque: a traseira recebe um revestimento de silicone de base biológica, feito a partir de palha vegetal. Segundo a marca, é uma estreia na indústria - e, na prática, a sensação é realmente diferente.

A textura é fina, levemente elástica e lembra couro natural sem tentar “imitar” couro. No meu modelo de teste, a cor Master Gold dá um ar caprichado, quase premium, mas sem exagero.

Esse material ainda resolve dois problemas clássicos:

  • Escorrega bem menos do que vidro ou plástico polido (adeus “barra de sabonete” quando a mão está húmida).
  • Quase não marca dedos, o que deixa o aspeto limpo no dia a dia.

O conjunto de câmaras, chamado de “Metal Mirror Camera Deco”, também faz parte do espetáculo: acabamento espelhado e uma base quadrada que desce suavemente em direção à traseira. Fica elegante e, principalmente, não parece uma cópia do que todo mundo está a fazer.

A tela tem bordas em cascata (o antigo “waterfall”), o que suaviza o contorno e ajuda no conforto ao segurar. Com 203 g e 8,49 mm de espessura, não é o mais leve nem o mais fino da categoria; dá para sentir que é um aparelho grande, mais confortável para mãos maiores. Ainda assim, no uso diário, ele passa uma impressão de construção acima do que o preço sugere.

O contraponto aqui é claro: o motor háptico. A vibração ao digitar é meio “borrachuda”, pouco definida - daquele tipo que se associava a telemóveis de entrada de alguns anos atrás. Incomoda no começo, depois a gente acostuma, mas fica aquém do restante do conjunto.

Por fim, um diferencial importante: certificação IP69K. Nessa faixa de preço, não é comum ver resistência não só à imersão, mas também a jatos de água em alta pressão. É um extra bem-vindo.


Tela para usar sob sol forte

O painel AMOLED de 6,8” entrega imagem de alto nível. A definição é alta, os contrastes são profundos (característica de OLED) e as bordas bem finas ajudam na sensação de imersão. A calibração de cores padrão vem um pouco “viva” demais, mas uma rápida ida às definições resolve sem esforço.

O que mais impressiona é o brilho: a tela continua legível em pleno sol, mesmo em situações em que muitos concorrentes começam a sofrer. E, para quem usa o telemóvel à noite ou em ambiente escuro, há um cuidado adicional: a dimerização em alta frequência reduz o cintilado, ajudando no conforto visual - algo que nem sempre aparece nesta faixa de preço.

A realme escolheu LTPS em vez de LTPO. Na prática, isso significa um consumo um pouco maior em modo de tela sempre ativa, mas não ao ponto de comprometer o que a bateria entrega (e a bateria é exatamente onde este modelo mais se destaca). Como decisão de custo, faz sentido; no uso real, a diferença é quase imperceptível.


Desempenho equilibrado e uma bateria fora do padrão

No dia a dia, o Realme 16 Pro+ é rápido e consistente: apps abrem depressa, alternar entre tarefas é tranquilo, e a interface - com a realme UI 7.0 - mantém a sensação de fluidez esperada para a categoria.

Para jogos, a realme apostou num recurso de interpolação de frames por IA para aumentar a sensação de suavidade, o que ajuda a contornar a força apenas mediana do GPU. Em títulos exigentes como Genshin Impact, o resultado é convincente, sem engasgos evidentes. Também gostei do controlo térmico: mesmo em sessões longas, o aquecimento fica bem contido. E há um detalhe inteligente: quando o carregador está ligado, o sistema consegue alimentar diretamente a placa-mãe, reduzindo a sobrecarga térmica que costuma vir da bateria durante uso pesado.

Bateria de 7.000 mAh (silício-carbono): muda a rotina

Aqui está o grande argumento do aparelho: 7.000 mAh, com tecnologia silício-carbono. Em termos simples, é uma química mais moderna do que o íon‑lítio tradicional, permitindo colocar mais energia num espaço semelhante.

Com um uso “normal” (redes sociais, e-mail, navegação, algumas fotos e um pouco de streaming), eu passei de dois dias completos sem ligar na tomada - dois dias de verdade. Isso altera hábitos: você deixa de pensar em carga o tempo todo.

Mesmo puxando mais (streaming à noite, fotografia durante o dia e algumas sessões de jogo), o telemóvel ainda chegava ao fim de um dia cheio com cerca de 30%. Nesta faixa de preço, é difícil pedir muito mais.

A recarga SuperVOOC de 80 W acompanha bem esse tamanho de bateria:

  • cerca de 25 minutos para ir de 0 a 50%
  • pouco mais de 1 hora para chegar a 100%

Dois pontos práticos:

  • O carregador não vem na caixa, e será preciso gastar algo em torno de 50 € a mais para um modelo compatível.
  • Não há carregamento sem fio, o que ainda é aceitável pelo posicionamento do produto.

A realme também promete que a bateria mantém mais de 80% da capacidade após seis anos de uso. Não dá para validar isso agora, mas é uma garantia interessante no papel.

Dica prática (especialmente no Brasil): se você já tem carregadores USB‑C em casa, confirme compatibilidade real com o padrão de carga rápida antes de comprar um novo. E, em compra por importação, considere que o “barato” pode encarecer com adaptadores, carregador oficial e suporte pós-venda.


Software bem polido, com IA por todo lado

A realme UI 7.0 roda sobre Android 16. Quem já usou um Oppo vai reconhecer várias escolhas, porque a experiência é muito próxima do ColorOS, uma das interfaces mais maduras atualmente. O que mais me agrada aqui é a combinação de:

  • organização lógica
  • muita personalização
  • fluidez consistente

Em suporte, a realme promete cinco anos de atualizações principais do Android e seis anos de correções de segurança. Para um intermediário, é um compromisso forte.

A IA aparece em várias frentes - nem sempre essencial, mas muitas vezes útil. O “Génio de edição por IA” (nome extravagante, sim) fica acessível pela galeria e traz um pacote generativo amplo: mudar cabelo, roupas, fundo e ajustar iluminação em retratos. Com base no modelo Nano Banana, do Google, ele entrega resultados surpreendentes para retoques simples a partir de um comando curto. Em segundos, um retrato comum ganha cara de ensaio. É um tipo de ferramenta claramente pensada para redes sociais (ou para “vestir melhor” alguém numa brincadeira editorial).

Romain, o nosso editor-chefe, ao natural (à esquerda), vestido para o inverno (ao centro) e para um casamento (à direita). As duas últimas imagens foram geradas a partir da primeira pela IA do realme 16 Pro+.

Para um público mais específico, existe o treinador de jogo por IA, focado em quem joga PUBG Mobile ou Mobile Legends: ele analisa a forma como você joga e sugere ajustes para melhorar desempenho. Já a “alça inteligente por IA” permite enviar um elemento que está na tela diretamente para um app de terceiros com um gesto. E, claro, o Gemini do Google também entra no pacote, tanto via assistente de voz quanto em apps como o Gmail.


Fotografia: dois módulos fortes e um “patinho feio”

O conjunto traseiro do Realme 16 Pro+ tem três câmaras:

  • Principal: 200 MP (1/1,56”), lente f/1,8, com estabilização óptica (OIS)
  • Teleobjetiva: 50 MP (1/2,75”), lente f/2,8, com OIS, zoom óptico 3,5x
  • Ultra grande-angular: 8 MP (1/4”), lente f/2,2

Na frente, a câmara de selfies traz:

  • 50 MP (1/2,88”), lente f/2,4

Em boa luz, a câmara principal faz fotos bem convincentes: nitidez excelente, cores fiéis depois de ajustar o padrão (que tende a saturar um pouco) e uma gestão de alcance dinâmico bem trabalhada.

O destaque, para mim, é a teleobjetiva de 3,5x. Ela é nítida e estável graças ao OIS e, no geral, faz um trabalho excelente. O modo retrato funciona muito bem tanto em pessoas quanto em objetos e natureza morta. O zoom digital continua utilizável até 10x e, com alguma tolerância, até 20x. A partir de 30x, a perda de detalhe fica grande demais para manter credibilidade.

Quando a luz cai, a principal e a teleobjetiva continuam competentes. O modo noturno, com ajuda de IA, segura bem a cena - embora às vezes clareie demais para deixar a foto mais luminosa do que o ambiente real. Fora isso, é um conjunto sólido.

Já a ultra grande-angular é, sem rodeios, o elo mais fraco. São apenas 8 MP contra 200 e 50 MP dos outros sensores; a diferença aparece rápido, principalmente em baixa luz. De dia, dá para usar sem drama, mas em interiores ou à noite ela denuncia limites.

A função Paisagem por IA corrige automaticamente a perspectiva no momento da captura.

Entre os recursos que me surpreenderam positivamente estão o “Paisagem por IA”, que endireita perspectivas em fotos de arquitetura, e a assistência de composição de cena, que sugere ajustes de enquadramento em tempo real. Este último é especialmente útil para quem ainda não tem tanta prática com fotografia.


O que eu acho do Realme 16 Pro+

O Realme 16 Pro+ é uma surpresa muito boa. Ele não é perfeito - o háptico fica abaixo do padrão e a ultra grande-angular é limitada -, mas acerta o essencial com bastante convicção.

O ponto mais memorável é a autonomia: passar dois dias sem carregar continua raro (e muito bem-vindo). A tela é ótima, o design é realmente original e a fotografia é forte em dois dos três módulos. A realme UI está entre as melhores interfaces Android, a IA costuma ajudar sem se tornar intrusiva, e o compromisso de cinco anos de atualizações é um argumento de peso.

Na França, ele foi anunciado a 480 € na versão 8 GB/256 GB e 550 € na versão 12 GB/512 GB até 31 de março (depois, 530 € e 600 €, respetivamente). Ele acaba a disputar atenção com rivais consistentes como Nothing Phone (3a) e Motorola Edge 60 Pro. Dentro desse cenário, o pacote se sustenta - e só a bateria já pode ser o fator decisivo para muita gente.


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realme 16 Pro+ - a partir de 530 €

Nota geral: 9,1

Critério Nota
Tela 9,0/10
Desempenho 8,0/10
Autonomia 10,0/10
Fotografia 9,0/10
Relação qualidade/preço 9,5/10

O que gostámos

  • Autonomia
  • Qualidade de foto em boa luz
  • Design e construção
  • Integração de IA relevante
  • Certificação IP69K

O que gostámos menos

  • Resposta háptica fraca
  • Ultra grande-angular limitada

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