Pular para o conteúdo

Apesar das críticas, Spotify divulga resultados acima do esperado.

Jovem analisando gráfico de crescimento em laptop, sentado em mesa com microfone, fone e smartphone.

O Spotify acaba de divulgar o seu balanço trimestral referente ao período de junho a setembro - e os números vieram fortes, com alta de 11% no total de usuários ativos mensais. Diante disso, fica a pergunta: as críticas recentes eram só barulho?

A empresa emplacou mais um trimestre recorde e atingiu um novo marco simbólico de 713 milhões de usuários ativos por mês. Esse avanço pode estar ligado, em parte, à inclusão de novas funcionalidades para quem usa o serviço na modalidade gratuita.

No mesmo intervalo, o número de assinantes pagantes cresceu 12%, chegando a 281 milhões. Como tem sido padrão no modelo de negócios da companhia, as assinaturas continuam sendo a principal fonte de receita, à frente da publicidade.

Em receita, o Spotify somou € 4,3 bilhões no trimestre, o que representa crescimento de 12% a câmbio constante. Já a margem bruta - indicador que reflete a rentabilidade depois de descontados os custos diretos de distribuição de música - também avançou, alcançando 31,6%.

Por fim, o resultado operacional (o lucro após as despesas operacionais) ficou em € 582 milhões, um patamar inédito para o Spotify até aqui. Um desempenho bastante animador, comemorado pelo CEO Daniel Ek, que, vale lembrar, deve deixar o cargo em breve:

“A empresa está bem. Estamos avançando mais rápido do que nunca e temos todas as alavancas necessárias - política de preços, inovação de produto, eficiência operacional e, em breve, a retomada da publicidade - para continuar fazendo crescer tanto nossa receita quanto nossos lucros. Tudo depende dos nossos usuários: hoje são 700 milhões voltando sempre, com engajamento em níveis históricos. Estamos construindo o Spotify para o longo prazo.”

Além dos números, o trimestre também reforça uma tendência: o Spotify vem apostando em ajustar a experiência do plano gratuito para converter mais gente ao pagamento e aumentar retenção. Na prática, melhorias em recomendações, mais ferramentas de descoberta e refinamentos de interface costumam ter impacto direto no crescimento de usuários ativos mensais, especialmente em mercados onde o preço pesa mais no bolso.

Outro ponto que ajuda a explicar a resiliência do serviço é o efeito de rede: quanto mais gente usa, mais dados a plataforma tem para personalizar playlists e sugestões - e isso dificulta a migração para concorrentes. Ainda assim, a disputa com players como Apple Music, YouTube Music e serviços regionais segue acirrada, principalmente no quesito qualidade de áudio e percepção de valor.

Por que o Spotify é criticado? (Spotify e a política de remuneração)

Mesmo com estatísticas impressionantes, o Spotify enfrenta uma insatisfação crescente. Nos últimos tempos, a plataforma sueca virou alvo de críticas intensas de artistas, usuários e analistas do setor. O principal motivo é a nova política de remuneração, que deixa de repassar royalties para faixas com pouquíssimas execuções.

Para muitos músicos independentes, a mudança é vista como injusta e como um modelo “feito sob medida” para favorecer as grandes gravadoras (majors), que já concentram grande parte do volume de streams e do poder de negociação.

Podcasts, livros áudio, preços e cortes: decisões que dividiram a percepção do Spotify

Outra frente que segue gerando debate é a expansão do Spotify para além da música, com investimentos em podcasts e livros áudio. Há quem interprete esse movimento como um distanciamento gradual do “DNA musical” da empresa, ainda mais porque a companhia fez uma série de demissões ao mesmo tempo em que elevou os preços das assinaturas.

Essas escolhas acabam sendo mal recebidas por parte do público, especialmente em um contexto em que o grupo registra lucros recordes - o que alimenta a sensação de que o consumidor paga mais, enquanto a empresa corta custos.

Outras polêmicas e o objetivo de 1 bilhão de usuários em 2030

Somam-se a isso controvérsias ligadas à desinformação em alguns podcasts, críticas a campanhas publicitárias consideradas pouco responsáveis do ponto de vista ambiental e, para parte dos usuários, uma experiência de áudio inferior à oferecida por rivais.

Ainda assim, o saldo de popularidade parece favorecer o Spotify: a plataforma está mais usada do que nunca e segue bem posicionada para perseguir o seu objetivo mais ambicioso - chegar a 1 bilhão de usuários em 2030.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário