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4 de fevereiro de 2026, 21:20
Crédito da imagem: RusPhotoBank
Stellantis adia o lançamento do Peugeot 3008 e do Peugeot 5008 por problemas com baterias
A Stellantis está a enfrentar atrasos relevantes no cronograma de lançamento de seus novos carros elétricos, após contratempos numa das fábricas de baterias mais estratégicas da cadeia de fornecimento. Segundo informações publicadas pela Bloomberg, a fabricante francesa de baterias Automotive Cells Co. (ACC) tem encontrado dificuldades para produzir baterias de longo alcance destinadas aos novos Peugeot 3008 e Peugeot 5008.
Esses acumuladores são justamente os que garantem aos modelos de topo da Stellantis as especificações prometidas ao público. No entanto, o volume real de produção ficou muito abaixo do esperado: em vez do patamar planeado, a ACC estaria a entregar cerca de 1.000 conjuntos por mês, um número várias vezes menor do que o necessário para sustentar o ritmo industrial previsto.
Com essa diferença entre plano e execução, o início das entregas acaba empurrado para a frente - em até oito meses. Na prática, isso pressiona o planeamento de produção da Stellantis e coloca em xeque partes importantes da sua estratégia de eletrificação na Europa, num momento em que a concorrência entre marcas elétricas está cada vez mais intensa.
A ACC admite que o calendário está apertado: “A aceleração da produção é muito difícil, mas estamos a fazer tudo o que é possível para atender os clientes”, afirmou o secretário-geral da empresa.
Baterias de longo alcance da ACC e a pressão sobre o plano elétrico da Stellantis
Para a Stellantis, o cenário torna-se ainda mais desconfortável por acontecer pouco depois da decisão de reduzir as vendas, nos Estados Unidos, de versões híbridas de modelos como Jeep Wrangler, Grand Cherokee e Chrysler Pacifica - a procura ficou abaixo do que o grupo esperava. Agora, com o gargalo das baterias de longo alcance, o ritmo da transição europeia para a tração elétrica pode perder força, abrindo espaço para rivais ganharem terreno.
Além do impacto direto nos modelos Peugeot 3008 e Peugeot 5008, atrasos desse tipo costumam gerar um efeito dominó: ajustes de turnos, reprogramação de componentes, renegociação logística e, em alguns casos, mudanças na configuração de versões para manter parte da produção ativa enquanto a bateria “ideal” não chega em volume suficiente.
Outro ponto que tende a pesar é a percepção do consumidor. Quando um lançamento é postergado por limitações de bateria - componente mais caro e mais crítico do carro elétrico - o mercado passa a observar com mais atenção temas como garantia, disponibilidade de peças e ritmo de evolução tecnológica. Para as marcas, isso aumenta a necessidade de comunicação clara sobre prazos e sobre como a cadeia de fornecimento será estabilizada.
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