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Zoom, o famoso app da quarentena, está de volta.

Mulher usando headset participa de videoconferência em laptop com monitor externo e anotações na mesa.

Durante a pandemia de Covid-19, o Zoom virou praticamente sinónimo de reunião online: o uso disparou de um dia para o outro, à medida que milhões de pessoas passaram a trabalhar de casa.

Com o fim do confinamento, porém, a videoconferência continuou presente no dia a dia de muitas empresas - mas o jogo ficou muito mais duro. Google Meet e Microsoft Teams ganharam espaço de forma natural, impulsionados pela integração direta com suites já disseminadas (Google Workspace e Microsoft 365). Nesse cenário, o Zoom perdeu fôlego, embora tenha mantido a ambição de não ficar restrito ao papel de “apenas mais um app de videochamada”.

A virada veio com a inteligência artificial (IA). Para uma marca fortemente associada a uma janela de vídeo, apostar num reposicionamento amplo era um movimento arriscado - mas os sinais recentes indicam que a estratégia começa a recompensar. Hoje, o Zoom tenta ocupar um lugar mais abrangente: uma plataforma profissional capaz de automatizar fluxos, resumir conversas, organizar informação e até gerar tarefas a partir do que acontece nas reuniões.

Zoom e IA: um trimestre forte impulsionado pela automação

O grupo anunciou receita trimestral de US$ 1,23 mil milhões, uma alta de 4,4% e ligeiramente acima do esperado pelo mercado. O mesmo aconteceu com o lucro ajustado, que chegou a US$ 1,52 por ação, também acima das previsões.

Esse desempenho não é aleatório: a unidade de “enterprise” (empresas) - a parte mais relevante do negócio - cresceu 6,1%, com mais de 4.300 clientes a gastar mais de US$ 100 mil por ano cada um.

Segundo Eric Yuan, fundador e CEO histórico do Zoom, a empresa está a ver uma adoção expressiva do AI Companion. Recentemente, o Zoom lançou a versão 3.0 do assistente, que passa a permitir a criação de ferramentas personalizadas para automatizar tarefas específicas, num serviço cobrado a US$ 12 por mês.

Além disso, a empresa vem a ampliar o portefólio com soluções como:

  • Zoom Phone
  • Contact Center
  • Virtual Agent

A ideia é responder de forma mais completa à consolidação do trabalho híbrido, em que equipas alternam entre escritório e casa e precisam de comunicação integrada com automação de rotinas.

De “janela de vídeo” a plataforma completa de comunicação

O plano, no fundo, é direto: usar a IA para transformar o Zoom numa plataforma robusta de comunicação e automação - bem distante do uso essencialmente “de emergência” que marcou 2020. A empresa quer manter esse ritmo, apoiada por uma procura crescente por IA no ambiente corporativo e por um reforço da parceria com a NVIDIA, com o objetivo de elevar ainda mais as suas capacidades.

Num mercado em que Meet e Teams carregam a vantagem de já estarem acoplados às suites mais populares, o caminho do Zoom tende a depender cada vez mais de diferenciais práticos: ganhos de produtividade, automação que poupa tempo e ferramentas que levem o utilizador da reunião ao trabalho executável (tarefas, registos e encaminhamentos) com o mínimo de fricção.

Outro ponto que se torna central quando a IA entra no fluxo de comunicação empresarial é a governança: empresas costumam exigir controlos de administração, políticas de uso e padrões de conformidade para que resumos, transcrições e automações não comprometam processos internos. À medida que o AI Companion e produtos como Contact Center e Virtual Agent ganham tração, a expectativa é que o Zoom seja cobrado não só por inovação, mas também por previsibilidade operacional e segurança no uso corporativo.

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