A União Europeia (UE) está a atualizar as suas regras de ecodesign: a partir de 2028, todos os carregadores deverão adotar o USB‑C, trazer cabo destacável e cumprir requisitos mais rígidos de eficiência energética.
Depois de ter tornado obrigatório o conector USB‑C em diversos dispositivos eletrónicos em 2024, a UE avança agora para um novo passo, direcionado às fontes de alimentação externas (os “blocos”/adaptadores de carregamento). As exigências abrangem os equipamentos que servem para recarregar ou alimentar aparelhos como smartphones, computadores, routers e monitores.
Ecodesign na UE: USB‑C, eficiência energética e interoperabilidade nos carregadores
Em primeiro lugar, o pacote de regras obriga os fabricantes a atingirem padrões mais elevados de eficiência energética, reduzindo a eletricidade desperdiçada durante o carregamento. A proposta é cortar perdas tanto no uso diário como no consumo residual associado a estes equipamentos.
Além disso, a revisão das exigências de ecodesign reforça a interoperabilidade ao nível dos carregadores. Na prática, todos os carregadores USB passam a ter de incluir uma porta USB‑C fêmea. Outra mudança central é a obrigatoriedade de cabo destacável, o que tende a eliminar, na prática, os carregadores com cabo fixo/soldado - facilitando a troca de um cabo cortado ou danificado sem necessidade de substituir todo o carregador.
Um efeito colateral positivo desta padronização é a simplificação do dia a dia: com mais carregadores a partilhar o mesmo tipo de conector e cabo, tende a haver menos dependência de acessórios proprietários e menos “gavetas” cheias de carregadores diferentes. Isso também pode contribuir para reduzir o descarte prematuro de carregadores que funcionam, mas deixaram de servir por incompatibilidade física.
Fabricantes têm três anos para se adequar
A revisão foi publicada no jornal oficial, e os fabricantes passam a ter três anos para se ajustarem. Em termos práticos, as regras entram efetivamente em vigor em 2028.
Segundo o comunicado de Bruxelas, a medida deverá reduzir a pegada energética e ambiental associada tanto à produção quanto ao uso destes equipamentos. O texto também destaca um ganho de conveniência para os consumidores devido às regras de interoperabilidade.
Além disso, os produtos abrangidos pelas exigências de interoperabilidade deverão exibir o logótipo “EU Common Charger”, para serem facilmente identificados no mercado.
Impacto previsto até 2035
Quanto ao impacto esperado, a Comissão Europeia projeta que, até 2035, as novas exigências permitam economizar anualmente o equivalente ao consumo anual de 140.000 veículos elétricos.
A UE também estima: - redução de 9% nas emissões de gases com efeito de estufa associadas; - diminuição de cerca de 13% nas emissões poluentes associadas.
Do lado do consumidor, a expectativa é de queda nas despesas, com uma redução estimada de 100 milhões de euros até 2035.
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