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PlayStation 2 completa 25 anos; relembre seu lançamento turbulento.

Jovem sentado no chão desembrulha console de videogame antigo enquanto segura controle e olha para a TV.

A PlayStation 2 completa hoje 25 anos de história. Lançada no Japão em 4 de março de 2000 e chegada à Europa em 24 de novembro de 2000, a PS2 virou um divisor de águas e ajudou a redesenhar o mercado de videogames - por vários motivos.

Além do impacto cultural, os números falam por si: a PS2 é o console mais vendido de todos os tempos, com 160 milhões de unidades comercializadas até o fim da produção, em 2012. Para entender por que o lançamento foi um verdadeiro fenômeno, vale revisitar o que a tornou tão decisiva.

PlayStation 2 (PS2): o DVD como a peça que virou o jogo

Antes dela, a Sega já havia dado um passo na chamada geração “128 bits” com o Dreamcast. Ainda assim, quem realmente consolidou a nova fase do setor foi a Sony com a PlayStation 2, apresentada na E3 de 1999 com a missão pesada de suceder a primeira PlayStation - que, desde 1994, já tinha se tornado um enorme sucesso.

Para convencer o público de que não era apenas “mais uma sequência”, a Sony precisou ir além do que havia feito antes. E isso começou pelo visual: saiu o aspecto mais “computador cinza” e entrou um design mais próximo de um aparelho multimédia, mais sóbrio e futurista para a época. A sacada que virou assinatura foi permitir que o console ficasse tanto na horizontal quanto na vertical - e até o logótipo na parte frontal acompanhava essa mudança, podendo ser girado.

Nos comandos, a base do DualShock (já conhecida do público na PS1) foi mantida, mas com ajustes e refinamentos para acompanhar a nova geração.

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Em termos técnicos, a PS2 também impressionava. Ela trazia um processador desenvolvido pela própria Sony, o Emotion Engine: um CPU de 1 núcleo e 2 threads, a 300 MHz, combinado a um GPU com 4 MB de eDRAM. Na prática, era um conjunto capaz de lidar com cenários 3D mais complexos e ambiciosos do que o padrão doméstico que muitos jogadores conheciam até então.

Só que o elemento que realmente mudou as regras do jogo foi outro.

A inclusão de um leitor de DVD chegou no momento certo: o formato ainda estava a ganhar espaço e, ao colocá-lo dentro do console, a Sony deu um empurrão enorme à adoção do DVD no consumo doméstico. Foi uma jogada de alto impacto porque a PS2 não servia apenas para jogar - ela também reproduzia filmes em DVD, algo extremamente atrativo naquela virada de década.

E, para os jogos, o ganho era direto: um DVD podia armazenar até 8,5 GB, muito acima do CD-ROM (cerca de 700 MB). Isso abriu caminho para texturas mais detalhadas, mais áudio, mais vídeo e mundos mais densos - ou seja, jogos visualmente melhores e, muitas vezes, mais “cheios” de conteúdo.

Um lançamento tenso e inesquecível na Europa

A chegada oficial da PlayStation 2 à Europa aconteceu em 24 de novembro de 2000, com preço de 2.990 francos franceses - o que corresponderia a quase 700 euros em 2025, considerando a inflação.

Mesmo com esse valor elevado, a procura foi tão intensa que a falta de stock virou parte da história do lançamento. Em muitos lugares, reservar era praticamente a única forma de garantir uma unidade no dia.

Na França, um dos episódios mais lembrados envolveu a madrugada no Virgin Megastore da Champs-Élysées, em Paris: em 23 de novembro de 2000, perto da meia-noite, a confusão entre fãs evidenciou que o evento não estava dimensionado para o nível de histeria. Felizmente, não houve feridos, mas as imagens ficaram marcadas.

Em poucas horas, foram vendidas cerca de 500.000 PS2 somando França e Reino Unido. E isso aconteceu apesar de um catálogo inicial que não parecia tão irresistível no papel, com títulos como:

  • FIFA 2001
  • SSX
  • Fantavision
  • Dynasty Warrior 2
  • Tekken Tag Tournament

Retrocompatibilidade, acessórios e o “ecossistema” que prendeu o público

Um ponto que ajudou a PS2 a tornar-se a principal escolha de muita gente foi a sensação de continuidade: para inúmeros jogadores, ela não era apenas um salto tecnológico, mas também uma forma prática de manter hábitos e biblioteca. A ideia de um console que funcionava como centro de entretenimento - jogos e filmes - reforçou o apelo de “compra única” para a sala de estar.

Também foi uma geração marcada por expansão de possibilidades via periféricos e configurações para jogar com mais pessoas no mesmo espaço, algo que fez parte da cultura de sofá em muitos países. Esse lado social, somado ao efeito “aparelho de DVD”, ajudou a PS2 a chegar a públicos que não estavam necessariamente atrás do videogame mais potente, mas do produto mais completo.

Uma avalanche de jogos que viraram clássicos

Apesar do choque gráfico e técnico, os títulos que realmente definiram a era da PS2 foram aparecendo com o tempo - e, quando chegaram, mudaram a história do console e do videogame como um todo.

Em 2001, a Europa recebeu uma sequência de lançamentos que hoje são referência, como:

  • Silent Hill 2
  • GTA 3
  • Gran Turismo 3
  • Tony Hawk 3
  • Devil May Cry

Já em 2002, a cadência de sucessos continuou, com nomes do calibre de:

  • Metal Gear Solid 2
  • Final Fantasy X
  • GTA: Vice City
  • Onimusha

Ano após ano, a lista só crescia. Foi uma geração em que várias franquias ganharam forma - tanto de estúdios ligados à Sony quanto de produtoras terceiras - e o catálogo robusto acabou por consolidar o console muito além do “fator novidade”.

Concorrência existiu, mas os números não deixam dúvidas

A PS2 não ficou sozinha por muito tempo. Logo surgiram duas rivais de peso: a Nintendo GameCube e a Microsoft Xbox (com a Microsoft ainda a dar os primeiros passos no setor de consoles).

Mesmo assim, a diferença foi brutal. No total, o mercado viu:

  • Sony (PS2): 160 milhões
  • Microsoft (Xbox): 25 milhões
  • Nintendo (GameCube): 21 milhões

Na prática, foi uma geração em que a PlayStation 2 liderou com ampla folga.

Um triunfo difícil de repetir (e o caso da PS3)

Com esse domínio, seria natural imaginar que a Sony repetiria o mesmo roteiro com a PS3, que chegou à Europa em 2007. Só que o cenário era bem mais complicado: o preço de lançamento era altíssimo (600 euros), havia menos jogos de peso no início, a implementação do Blu-ray trouxe fricção técnica, e a disputa com a Xbox 360 foi muito mais agressiva.

O resultado foi um começo conturbado - prova de que o “efeito PS2” foi especial e dependia de uma combinação rara de timing, tecnologia e estratégia.

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