Um enorme serviço deixou de funcionar de um dia para o outro.
O Photocall não era apenas “mais um” no universo da pirataria. Essa plataforma de IPTV disponibilizava mais de 1.100 canais de vários países e uma grande oferta de conteúdos esportivos sem possuir os direitos de transmissão. O alcance era gigantesco: somava cerca de 26 milhões de utilizadores, com forte presença sobretudo na Espanha e no México. E o verbo vai mesmo no passado, porque esse colosso do conteúdo ilegal acabou de encerrar as atividades.
Conforme noticiado pelo 01Net, a popularidade do Photocall acabou chamando a atenção da Alliance for Creativity and Entertainment (ACE), uma coalizão internacional que reúne alguns dos principais nomes da indústria do entretenimento. A partir daí, foi aberta uma investigação em parceria com a DAZN.
Depois de seguir rastros técnicos e operacionais, os detentores de direitos chegaram ao principal administrador do Photocall na Espanha. Em vez de partir diretamente para um processo judicial, escolheram uma abordagem diferente: entraram em contato com o responsável e exigiram a interrupção imediata das transmissões ilegais.
Photocall, IPTV e pirataria: como a operação foi derrubada
A tática deu resultado. O gestor do site se comprometeu a desligar a plataforma imediatamente e a transferir a gestão dos diferentes domínios para a ACE. Desde então, segundo a publicação, quando assinantes tentam aceder a esses portais, são redirecionados para uma página de conscientização.
Oscar Vilda, CEO da DAZN Iberia, foi direto ao comentar a vitória:
O roubo de conteúdo prejudica todo o ecossistema do esporte. Este serviço ilegal não oferecia os canais DAZN, mas redistribuía o conteúdo de alguns dos nossos parceiros, incluindo a MotoGP e a Fórmula 1, bem como a Serie A, a NFL (National Football League), a NHL (National Hockey League), a WTA (Women’s Tennis Association) e canais de clubes como Real Madrid TV, Barça TV e Betis TV.
Mesmo sendo um avanço importante no combate à pirataria, o problema continua longe de estar resolvido. De acordo com números divulgados recentemente pela DAZN na França, haveria cerca de 8 milhões de set-top boxes de IPTV em circulação - e “provavelmente chegaremos a 9 milhões no fim do ano, porque o período de Natal impulsiona uma venda extremamente forte”. Com um preço em torno de 50 euros por ano, isso representaria uma receita colossal estimada em 400 milhões de euros anuais (algo perto de R$ 2,1 bilhões/ano, em conversão aproximada).
Com a pirataria nesse patamar, o impacto passa a ameaçar seriamente o equilíbrio financeiro de toda a indústria do esporte - e, para além dela, também o modelo económico que sustenta produções de filmes e séries. Para se aprofundar no tema, vale conferir o nosso artigo anterior sobre o assunto.
Além do prejuízo aos detentores de direitos, serviços de IPTV ilegais costumam expor o usuário a riscos práticos: apps fora de lojas oficiais, atualizações inexistentes, possibilidade de malware, roubo de dados e até clonagem de cartões, dependendo do método de pagamento e da origem do “pacote”. Em muitos casos, o “barato” sai caro quando há vazamento de informações ou quando o serviço some sem aviso, como aconteceu aqui.
No Brasil, onde o consumo de IPTV também ganhou escala nos últimos anos, a tendência é de aumento de ações coordenadas entre autoridades, operadoras e entidades antipirataria - incluindo bloqueios de domínios e derrubadas de infraestrutura. Ainda assim, a dinâmica de “fecha hoje, reaparece amanhã” mostra que o combate efetivo depende tanto de enforcement quanto de alternativas legais acessíveis, com ofertas claras e preços compatíveis com a realidade do público.
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