A MG quer continuar a surfar a onda de crescimento que tem mostrado na Europa e, para isso, está a apostar forte em tecnologia - especialmente nas baterias. A marca do grupo chinês SAIC foi a primeira a levar baterias de estado semissólido para um automóvel de grande produção e agora prepara-se para trazer essa solução para o mercado europeu.
A promessa é clara: mais desempenho e um nível de segurança superior. E o modelo escolhido para estrear esta tecnologia é o novo MG4 EV Urban, a segunda geração do MG4, lançada em meados do ano passado na China e que começou a chegar ao mercado europeu este ano.
Mesmo assim, é uma opção pouco comum. Em vez de guardar as soluções mais avançadas para modelos topo de gama, a MG faz exatamente o contrário.
“Toda a gente sabe que a China faz as melhores baterias, nós somos os líderes.”
Li Zheng, cientista-chefe de baterias da MG, no Tech Day MG
A explicação foi dada pelo próprio Li Zheng, responsável técnico da marca, durante o primeiro Tech Day MG realizado na Europa, onde a Razão Automóvel esteve presente. De acordo com Zheng, começar por um modelo de volume acelera a industrialização da tecnologia e ajuda a garantir a qualidade da cadeia de fornecimento, ao mesmo tempo que baixa custos a um ritmo que um produto de nicho nunca conseguiria acompanhar.
Quais as vantagens da bateria de estado semissólido?
Desenvolvida em parceria pela SAIC e pela QingTao Energy Development, a nova bateria de estado semissólido - chamada SolidCore - continua a ser uma bateria de iões de lítio. Ainda assim, posiciona-se a meio caminho entre as baterias de iões de lítio que equipam praticamente todos os elétricos atuais - LFP (fosfato de ferro-lítio) ou (níquel, manganês e cobalto) - e as futuras baterias de estado sólido, que prometem densidades energéticas muito mais elevadas.
A principal diferença está no eletrólito, ou seja, no meio responsável por transportar os iões de lítio entre o ânodo (elétrodo negativo) e o cátodo (elétrodo positivo) durante os ciclos de carga e descarga, gerando corrente elétrica. Nas LFP/NMC o eletrólito é líquido; nas baterias de estado sólido é… sólido. Já nas semissólidas, coexistem ambos.
No caso da SolidCore, o eletrólito contém partículas sólidas suspensas num condutor líquido. Aqui, a fração de eletrólito líquido foi reduzida para cerca de 5% (face aos habituais 20% nas baterias de iões de lítio convencionais). Os restantes 95% correspondem a eletrólitos sólidos.
Entre as vantagens desta bateria semissólida, destaca-se o facto de ter demonstrado maior segurança em testes (passou com sucesso o teste de perfuração em três direções) e um desempenho superior a baixas temperaturas quando comparada com as LFP/NMC, conseguindo manter até 75% da autonomia em temperaturas negativas com pré-condicionamento.
No MG4 Urban, embora ainda não tenham sido divulgadas especificações técnicas para o mercado europeu, na China utiliza uma bateria SolidCore com 53,9 kWh, que permite até 530 km de autonomia no ciclo mais permissivo CTLC.
Vem para Portugal?
Sim: o MG4 EV Urban e a sua bateria de estado semissólido também vão chegar a Portugal. Ainda assim, será preciso esperar mais um pouco, para mais perto do final do ano. Os preços ainda não foram anunciados.
O crescimento da MG na Europa tem sido notável. No ano passado, ultrapassou em vendas nomes como a Nissan, a Tesla e a BYD, tendo registado mais de 307 mil veículos vendidos, o que corresponde a um crescimento de 26% face a 2024.
Com estes números, a MG começa a ponderar produzir no continente - outros construtores chineses já decidiram produzir na Europa -, mas para já não foi confirmado qualquer plano.
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