Destinado a quem leva música a sério e procura um companheiro tão elegante quanto competente, o Bowers & Wilkins Px8 S2 é, hoje, o fone de ouvido mais sofisticado já lançado pela marca. É daqueles produtos “fora da curva” que a gente gostaria de encontrar de presente - ainda que o preço faça pensar duas vezes.
Na memória recente de qualquer audiófilo, 2025 tem tudo para entrar como um ano especialmente forte no segmento de fones premium. Entre o grande retorno da Sony com o WH-1000XM6, o JBL Tour One M3 com soluções bem criativas, o consistente Bose QuietComfort Ultra (2ª geração) e o surpreendente Nothing Headphone (1), montar a lista de desejos ficou bem mais complicado.
E quando parecia que a Bowers & Wilkins já estava “bem servida” depois do excelente Px7 S3 (lançado na primavera do hemisfério norte), a fabricante britânica voltou à carga. Às vésperas do Natal, apresentou o Px8 S2, uma nova versão do seu modelo mais luxuoso.
Dois anos após o primeiro Px8, a promessa aqui vai além de um retoque visual. Agora sob o guarda-chuva da Samsung, a empresa fala em reengenharia da arquitetura acústica e em várias novidades herdadas do Px7 S3. Com um design sempre muito desejável, o Px8 S2 quer um lugar de destaque - mas, com concorrência tão pesada, precisa ser impecável para justificar.
Bowers & Wilkins Px8 S2: o fone premium mais bonito de 2025
Basta colocar as mãos no Px8 S2 para entender o recado. Em acabamento e construção, ele foi o fone mais impressionante que testamos em 2025. Para começar, não há espaço para plástico no corpo do produto: a Bowers & Wilkins aposta forte no alumínio, aplicado em diferentes tratamentos.
O metal aparece escovado, polido e anodizado, contornando a estrutura com um cuidado quase artesanal, enquanto o couro nappa - macio e liso - reveste as almofadas. O encaixe entre peças é tão bem feito que não se veem marcas de montagem, e o cabo trançado que liga as conchas é bonito de verdade.
Acima do Px7 S3 (que já havia nos surpreendido), o Px8 S2 traz conchas um pouco mais finas, deixando o perfil mais elegante. Além de melhorar a aparência, isso ajuda na hora de guardar - porque, como nos modelos anteriores da marca, ele não dobra. No conjunto, fica claro que ele joga em outro patamar em relação a opções de Sony, Apple, Bose e companhia.
Conforto sem pagar o preço do design
É comum que fones muito “premium”, cheios de materiais nobres, acabem pesando e comprometam o uso prolongado. Aqui, a surpresa é positiva: o Px8 S2 consegue equilibrar robustez, beleza e leveza.
Na balança, ele fica em torno de 310 g - longe de ser um peso-pena como o Sony WH-1000XM6 (250 g). Ainda assim, não está muito acima do Px7 S3 (298 g) e, principalmente, é mais leve do que o Nothing Headphone (1) (329 g) e o Apple AirPods Max (387 g). Além disso, o arco é flexível e o acolchoamento distribui bem a pressão; só em sessões realmente longas pode aparecer um leve efeito de “aperto”.
As conchas envolvem bem as orelhas e são agradáveis ao toque, mas há um ponto inevitável: por ser couro legítimo, a ventilação natural é menor. No inverno isso passa batido; já em dias quentes, é bem provável que você precise de pausas para aliviar o calor.
Dois detalhes, porém, merecem crítica: o fone não tem certificação de resistência à água e a capa de transporte não acompanha o nível do produto. O tecido e os acessórios são bons, mas o estojo, no geral, não parece tão luxuoso quanto o fone que ele protege.
Ergonomia sem controles por toque - e isso é (quase sempre) uma vantagem
Assim como no Px7 S3, os botões físicos mudaram de lugar em relação ao Px8 original. Se antes ficavam no aro, agora estão posicionados na parte externa das conchas, o que deixa os comandos mais naturais no uso do dia a dia.
O botão central (play/pause e navegação) ganhou textura, facilitando localizar pelo tato. Ao lado dele ficam os controles de volume. Já na concha esquerda, há um seletor de liga/desliga/Bluetooth e um botão multifunção.
Na prática, a ergonomia é rápida e intuitiva depois que você se acostuma com as funções. Quem gosta de controles por toque pode achar o conjunto menos “moderno”, e quem busca ajustes avançados também pode sentir falta: apenas o botão multifunção aceita personalização - e com duas opções apenas, alternar entre modos de cancelamento de ruído ou chamar o assistente de voz.
Conectividade pronta para áudio sem perdas (lossless)
Aqui, é difícil “pegar no pé” do Px8 S2. O Bluetooth 5.3 vem acompanhado dos melhores codecs da Qualcomm, incluindo aptX, aptX HD, aptX Adaptive e, principalmente, aptX Lossless.
A Bowers & Wilkins também não esqueceu quem prefere ouvir com fio. A porta USB‑C pode funcionar como interface lossless (24 bits/96 kHz) ou ainda converter sinal analógico usando o cabo P2 (3,5 mm) para USB‑C. Com isso, o Px8 S2 tem fôlego para reproduzir áudio em qualidade CD e Hi-Res de serviços como Qobuz, Tidal e Deezer Hi-Fi.
Nos recursos básicos, ele também vem completo: Google Fast Pair, conexão multiponto, detecção de uso e suspensão automática. A marca ainda promete, via atualização, a chegada do Bluetooth LE Audio e do codec LC3+.
O que não acompanha esse “pacote” é o app Bowers & Wilkins Music. Ele é limpo e oferece um equalizador de cinco bandas, mas frente a aplicativos concorrentes, continua bem limitado.
Um ponto prático: Android x iPhone (iOS) no Px8 S2
Vale lembrar que a experiência com codecs varia por plataforma. Em geral, celulares Android mais recentes conseguem tirar melhor proveito de aptX Adaptive/aptX Lossless (dependendo do modelo). Já no iPhone, o comportamento tende a ser diferente por suporte de codecs; ainda assim, o modo USB‑C pode ser uma alternativa excelente para quem prioriza qualidade e estabilidade de sinal.
Qualidade de áudio: expressiva, detalhada e com assinatura própria
Por dentro, o Px8 S2 trabalha com drivers de 40 mm em carbono, além de DSP e DAC dedicados. A estrutura interna foi redesenhada em comparação ao primeiro Px8: a bobina e o ímã são novos, a câmara acústica foi remodelada e o processador ficou mais potente. Esse conjunto “premium” faz o Px8 S2 elevar o que já era bom (e também evidenciar o que já era discutível) no Px7 S3.
O primeiro impacto é de um som forte e cheio de camadas. Mesmo com bastante presença, os graves são rápidos e bem definidos. A ênfase nessa região não apaga nuances: dá para perceber microdetalhes, como a textura do ataque e do corpo de um contrabaixo acústico.
Essa sensação de energia também aparece nos agudos. A escolha é clara: há um realce que deixa a região alta mais recortada e brilhante. Quem gosta de pratos de bateria com aquele aspecto metálico e cintilante tende a curtir. Em compensação, os médios acabam ficando “apertados” entre graves e agudos energizados.
Resultado: certas vozes e instrumentos mais centrados nos médios (como violão) podem soar um pouco mais para trás. Em faixas muito densas, isso pode reduzir a sensação de “ar” e, em volume alto, a audição pode ficar cansativa.
Cuidados com o couro nappa no uso diário
Como o Px8 S2 usa couro verdadeiro, vale pensar em manutenção: limpar com pano macio e seco, evitar suor excessivo e guardar longe de calor/umidade ajuda a preservar textura e aparência. Em clima quente, pequenas pausas também prolongam o conforto e a durabilidade das almofadas.
Cancelamento de ruído: eficiente, mas com uma filosofia bem definida
A Bowers & Wilkins sempre foi transparente aqui: a meta não é ter o ANC (cancelamento ativo de ruído) mais agressivo do mercado. Segundo a marca - e faz sentido -, o cancelamento tem impacto relevante no processamento de áudio. Em vez de tentar “derrubar” Sony e Bose, a proposta é oferecer um ANC que atrapalhe o mínimo possível a musicalidade.
Mesmo com essa abordagem, o Px8 S2 entrega um desempenho sólido. Além de uma isolação passiva excelente, ele usa seis microfones. Em ambientes urbanos, a redução de ruídos contínuos funciona bem - como o ronco de um motor em marcha lenta ou o barulho constante dos trilhos do metrô. Já nos médios, a tarefa fica mais complexa: o fone atenua bem ruídos passageiros do ambiente, mas conversas próximas e constantes ainda podem ser percebidas.
Bateria: autonomia realmente boa
Apesar de carregar um DSP e um DAC (componentes que consomem mais energia), a marca anuncia até 30 horas. No uso real, com ANC ligado, volume a 60% e codec aptX HD, obtivemos cerca de 27 horas - um número bom, e que pode melhorar com codecs mais econômicos, como SBC ou AAC.
E sem ANC? A autonomia, naturalmente, passa com folga das 30 horas. Ainda assim, não é a forma de uso mais recomendável: sem o cancelamento ativo, a audição perde dinâmica. Os graves ficam menos destacados, mas o equilíbrio tonal sofre e, em alguns momentos, surge uma distorção que antes não aparecia.
Vale comprar o Bowers & Wilkins Px8 S2?
Considerando apenas o que ele entrega por si só, a resposta é sim. O Px8 S2 é um acerto: tem design e construção excepcionais, é confortável, aguenta longas sessões, e seu cancelamento de ruído é bem competente. Em conectividade e qualidade sonora, ele também coloca a régua lá em cima.
O trio DSP + drivers de carbono + DAC mostra um nível técnico alto, com um som potente, rico em detalhes e envolvente. Embora o brilho extra nos agudos às vezes o afaste da neutralidade, ele é versátil o suficiente para valorizar a maioria dos estilos. E, para quem assina Qobuz ou Tidal, a conectividade “audiophile” faz sentido: ele consegue honrar faixas em qualidade CD e Hi-Res Audio.
O porém é grande - e não é detalhe: o preço anunciado é de 729 €. Não chega a ser absurdo diante do pacote, mas obriga a refletir, sobretudo quando os modelos mais recentes de Sony, Bose e Apple costumam ficar na faixa de 450 a 500 € (o que já é caro). Se você tem Qobuz ou Tidal e também um setup em casa que permita perceber essas diferenças, o investimento fica mais justificável. Caso contrário, é o tipo de compra que pede planejamento - ou um lugar bem alto na lista de Natal.
Ficha de avaliação - Bowers & Wilkins Px2 S8
Preço: 729 €
Nota geral: 8,8
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Design e conforto | 9,5/10 |
| Conectividade e ergonomia | 9,0/10 |
| Qualidade de áudio | 9,5/10 |
| Cancelamento de ruído e chamadas | 8,0/10 |
| Autonomia e recarga | 8,0/10 |
O que gostamos
- Design luxuoso e construção impecável
- Conectividade pronta para Hi-Res
- Arquitetura sonora completa (DSP e DAC) para um som forte e detalhado
- Cancelamento de ruído competente
- Boa autonomia
O que poderia ser melhor
- Um pouco de exagero nos agudos em certas faixas
- Médios que poderiam ganhar vida com um ajuste no equalizador
- Aplicativo com poucos recursos
- Capa de transporte abaixo do esperado
- Preço que faz pensar duas vezes
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