A ação da MediaTek disparou em poucos dias - e o motivo não tem relação direta com smartphones. O movimento ganhou força após rumores de que a Google estaria a trabalhar com a empresa taiwanesa no desenvolvimento das suas TPU (Tensor Processing Units) voltadas para inteligência artificial. Se isso se confirmar, as TPUs da Google podem consolidar-se como uma das alternativas mais fortes às soluções da Nvidia no treino e, sobretudo, no desdobramento (deployment) de grandes modelos de linguagem.
Conhecida no mercado por ser um dos maiores fornecedores de processadores para telemóveis, a MediaTek tende a aparecer nas notícias associada ao segmento mobile. Desta vez, porém, o entusiasmo dos investidores aponta para outra frente: a corrida por hardware especializado em IA, onde a procura por chips e capacidade computacional continua a acelerar.
Segundo as especulações, a parceria teria como foco a evolução das TPUs usadas pela Google para sustentar os seus produtos e serviços de IA e, potencialmente, para oferta em infraestrutura de cloud. Num mercado em que a Nvidia opera com uma posição próxima de monopólio em GPU para IA, qualquer avanço relevante em alternativas de alto desempenho costuma mexer com expectativas de receita e com a dinâmica de fornecedores.
De acordo com a Bloomberg, as ações da MediaTek subiram de forma contínua durante vários pregões, acumulando um ganho semanal de 22%. A leitura do mercado é que a empresa pode ver as receitas crescerem caso a Google intensifique futuras encomendas relacionadas às TPUs - seja para expansão interna, seja para atender clientes da sua plataforma de cloud.
Google está a ganhar a corrida da inteligência artificial com TPU e Gemini 3?
Após o impacto causado pela chegada do ChatGPT há cerca de três anos, a Google aparenta recuperar terreno em 2025. O Gemini 3 passou a ser descrito como um dos modelos mais fortes do mercado, e isso reforça a percepção de que a empresa voltou a liderar em qualidade e competitividade de produto. Ao mesmo tempo, a Google beneficia-se do aumento da demanda por infraestrutura de cloud para IA - um segmento em que hardware próprio pode reduzir custos, melhorar eficiência e oferecer maior previsibilidade de capacidade.
Esse contexto também alimenta a tese de que a Google pode, em alguma medida, disputar espaço com a Nvidia, hoje a principal referência no fornecimento de chips para treino e execução de modelos de IA em larga escala. A diferença é que, enquanto a Nvidia vende amplamente para o ecossistema, a Google combina desenvolvimento de modelos, oferta de cloud e chips próprios numa estratégia mais verticalizada.
Em novembro, circulou ainda um rumor adicional: a Meta, que investe milhares de milhões de dólares em centros de dados, poderia vir a usar TPU. Por enquanto, trata-se apenas de especulação. Ainda assim, um eventual contrato entre Meta e Google para utilização dessas TPUs seria visto como uma validação importante para a empresa de Mountain View - sobretudo por envolver um cliente com escala e exigência técnica elevadas.
Vale lembrar que TPUs e GPUs não são apenas “chips de IA” indistintos: desempenho, eficiência energética, compatibilidade de software e disponibilidade em volume influenciam diretamente o custo total de operação em centros de dados. Se a Google conseguir posicionar as TPUs como uma opção madura fora do seu próprio ecossistema, isso pode aumentar a pressão competitiva sobre fornecedores tradicionais e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades para parceiros de fabricação e design, como a MediaTek.
Por outro lado, mesmo com o entusiasmo do mercado, esse tipo de aposta traz riscos: cronogramas de desenvolvimento podem escorregar, a adoção por terceiros pode ser mais lenta do que o esperado, e a concorrência em aceleradores de IA (incluindo outras soluções especializadas) está a intensificar-se. A volatilidade observada em ações ligadas a IA frequentemente reflete expectativas futuras - e não resultados já garantidos.
A resposta da Nvidia
A Nvidia já se posicionou sobre o tema. Ao mesmo tempo em que reconheceu a evolução das TPUs da Google, a empresa afirmou que os seus produtos mantêm uma geração de vantagem em relação aos concorrentes. Em outras palavras: a disputa pela infraestrutura da inteligência artificial está longe de terminar, e qualquer avanço de um lado tende a provocar respostas rápidas do outro.
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