O Poco F8 Ultra chegou às minhas mãos com uma promessa rara em celular: som 2.1 assinado pela Bose. No uso real, isso muda bastante a forma como a gente consome vídeo e música direto nos alto-falantes - e, sim, tem cheiro de “pequena revolução” para quem vive sem fones.
Além do áudio, a nova geração abandona várias escolhas do modelo anterior: muda o visual, aumenta (e muito) a bateria e aposta num acordo com a Bose para se diferenciar. Ao mesmo tempo, preserva pontos fortes que já eram marca da linha, como desempenho de topo e a ideia de recarga rápida - embora, como veremos, nem tudo seja tão simples na prática.
Em abril, eu tinha dito que o F7 Ultra “trazia argumentos perigosamente bons” e que, com suporte de software um pouco mais longo e uma interface menos carregada, viraria um acerto incontornável. O Poco F8 Ultra conseguiu corrigir isso e atender às expectativas? Vamos por partes.
Preço e disponibilidade do Poco F8 Ultra
Há duas versões do Poco F8 Ultra:
- 12 GB de RAM + 256 GB por € 833
- 16 GB de RAM + 512 GB por € 903
Nas pré-vendas, os valores podem cair para € 700 e € 750, respectivamente.
As cores anunciadas são preto fosco e azul “denim”.
Contexto para Brasil: os preços acima são em euros. Em importação, o custo final pode variar bastante por câmbio, impostos e garantia. Ainda assim, a faixa posiciona o aparelho como “início do premium”, não como intermediário.
O que gostei no Poco F8 Ultra
Design do Poco F8 Ultra com pegada de iPhone 17 Pro
De uns tempos para cá, parece que todo mundo ao seu redor “descobriu” aquele laranja chamativo estilo uniforme de obra - muito por influência do visual do iPhone 17 Pro. Eu, pessoalmente, não me empolgo com esse tom. O que me chama a atenção no aparelho da Apple é outra coisa: a forma como o “degrau” traseiro (a ilha de câmeras) é organizado, grande e bem resolvido.
O Poco F8 Ultra pega essa lógica e executa com capricho. Sai o traseiro em dois tons e entra um acabamento fosco uniforme bem mais elegante. Em vez de um monte de textos regulatórios espalhados, fica um logo discreto. E no lugar daquela câmera circular perdida no canto, aparece uma barra/platô traseiro que ocupa praticamente toda a largura do aparelho. O resultado é mais agradável de olhar e também parece mais “equilibrado” na mão.
Outro ponto positivo: a traseira marca bem pouco. Impressões de dedo e microarranhões do dia a dia (chaves no bolso, por exemplo) não parecem incomodar o vidro polido do Poco F8 Ultra. Dá para sentir que houve cuidado na construção. Observação importante: isso vale para a unidade preta testada aqui; a versão azul usa um “material nanotecnológico” no lugar, com textura que imita denim.
A sensação geral é de robustez. O aparelho é denso, passa confiança e tem certificação IP68. Em contrapartida, houve um leve ganho de peso: 218 g, contra 212 g no antecessor. É uma diferença pequena no papel, mas perceptível no uso cotidiano.
Som 2.1 Bose: o diferencial que realmente muda o uso
Em celular, por limitação de espaço, o áudio quase sempre sofre: falta corpo, detalhamento e separação. O padrão do mercado é tentar “simular” estéreo com um alto-falante principal embaixo e o speaker de chamadas como apoio - o que costuma gerar um som desequilibrado e sem profundidade.
Aqui, a Poco se juntou à Bose para colocar componentes acústicos novos, projetados por engenheiros da marca norte-americana. E tem um toque ousado: além do conjunto tradicional, existe um terceiro alto-falante, posicionado na traseira, embutido justamente na saliência do módulo de câmeras.
A ideia é diferente - e funciona. Em comparação com smartphones comuns, esse sistema 2.1 entrega mais volume e mais detalhes. Dá para reconhecer uma “assinatura Bose”: médios em evidência para separar melhor as vozes, junto de graves reforçados para um baixo mais cheio. Em música eletrônica, por exemplo, a diferença é muito clara: sai um “tum-tum” sem peso e entra um “bum-bum-bum” de verdade, sem engolir vocais e elementos que ficam na frente. Do jeito que está, o Poco F8 Ultra vira uma nova referência de áudio no mercado.
E tem um benefício prático que quase ninguém comenta: mesmo que você tampe um dos alto-falantes sem querer, ainda sobram pelo menos dois funcionando. Acaba aquela “ginástica” para não bloquear a saída de som.
Uma plataforma de desempenho completa (Snapdragon 8 Elite Gen 5)
Eu poderia detalhar o Snapdragon 8 Elite Gen 5 do começo ao fim: litografia de 3 nm, arquitetura, eficiência energética, benchmarks, FPS em jogos e até o leve aquecimento que senti ao compilar shaders em Wuthering Waves - aquecimento que depois não virou problema durante as partidas.
Mas a verdade é simples: é uma das plataformas mais fortes disponíveis, e já faz tempo que, no Android, é difícil achar tarefas que realmente derrubem um topo de linha moderno. E o mérito não é só potência bruta de GPU/CPU; há vantagens importantes no pacote de conectividade.
Você tem Wi‑Fi 7, 5G mais rápido do que na geração anterior, Bluetooth 6.0, compatibilidade com o codec AptX (e variações) e mais. Uma ressalva: o modem aqui vem sem a faixa de Wi‑Fi 6 GHz. Na prática, isso não me atrapalhou. Na minha internet por fibra de 8 Gbps, a cerca de 1,5 m do roteador, o Poco F8 Ultra baixou arquivos com mais rapidez do que meu Pixel 9 Pro, que tem suporte a todas as faixas.
eSIM finalmente entrou no pacote
A Poco corrigiu um ponto fraco antigo da linha. Além de dois slots para SIM físico, o F8 Ultra agora aceita eSIM (ocupando o lugar da SIM2 quando ativada).
Para relembrar: eSIM é um chip virtual. Ainda pode ser meio confuso em algumas operadoras, principalmente na hora de transferir entre empresas, mas é excelente para quem viaja e precisa trocar de linha com rapidez.
No Brasil, vale checar antes se sua operadora libera eSIM para seu perfil (pré, controle, pós) e como funciona o processo de migração. Em viagens, a combinação eSIM + chip físico pode ser a forma mais prática de manter número principal e dados.
Tela do Poco F8 Ultra no padrão premium atual
A tela cresceu: a diagonal vai de 6,67" para 6,9" (aprox. 17,5 cm). Já a resolução diminuiu: sai de 1440p e cai para 1200p, reduzindo a densidade de 526 ppi para 416 ppi. É uma perda chata no papel, mas sendo bem franco: no olho, a maioria das pessoas não vai notar.
Além disso, há um argumento técnico por trás: a camada de subpixels “ativa cada subpixel vermelho, verde e azul”, enquanto muitos OLED reduzem a quantidade de subpixels azuis (que gastam mais energia e se degradam mais rápido). A Xiaomi promete, com isso, mais nitidez percebida e melhor eficiência.
Saindo do laboratório e indo para o uso: com 120 Hz, brilho HBM de 2.000 nits e colorimetria de 12 bits, a tela do Poco F8 Ultra não deve nada aos melhores. Existem painéis ainda mais brilhantes, menos reflexivos ou com toque mais responsivo, mas no mundo real as diferenças costumam ser pequenas. Dos aparelhos recentes, o único que realmente me impressionou nesse tema foi o Galaxy S25 Ultra, por causa do tratamento anti-reflexo. No resto, muito do que você “sente” vem de ajustes e calibração, não de um salto gritante de qualidade.
O ponto mais fraco aqui não é exatamente a imagem: o taxa de atualização só alterna entre 60 Hz e 120 Hz, sem mais níveis intermediários. Você provavelmente não vai perceber isso olhando, mas a bateria percebe quando comparado a rivais que conseguem descer até 1 Hz.
Autonomia muito forte (e a nova realidade de 2025)
O ano de 2025 está marcando uma virada clara em autonomia, com mais aparelhos chegando com baterias maiores - e o Poco F8 Ultra entra com força nessa tendência. Se o antecessor somava 5.300 mAh, aqui o total vai para 6.500 mAh.
No dia a dia, a mudança é gritante. O que antes dava para fazer em uso moderado, agora dá para repetir em uso pesado. Traduzindo: se você conseguia segurar 8 horas alternando Instagram e YouTube, agora dá para pensar em 8 horas jogando com mais tranquilidade. Nesse ritmo, fica relativamente fácil passar dois dias sem recarregar - e até um pouco mais, se seu uso for mais econômico.
Essa folga é ótima, mas já dá para prever: nessa faixa de preço, isso tende a virar obrigação. O OnePlus 15, por exemplo, ainda consegue ser melhor.
O que me incomodou no Poco F8 Ultra
O aumento de preço pesa
Eu tinha fechado o teste do F7 Ultra destacando o “custo-benefício absurdo”. A € 750, ele era um “flagship killer” com preço agressivo.
O Poco F8 Ultra evoluiu e seria natural custar mais. Só que não foi um ajuste pequeno: o 12+256 foi para € 830 (alta de € 80). Já o 16+512 saiu de € 800 para € 900 (a conta dá +12,5%). Já vimos aumentos piores? Sim. Mas, para um aparelho com discurso de desafiar os grandes, dói.
E tem mais: o carregador, que vinha na caixa do F7 Ultra, não vem mais aqui. Se você quiser o bloco HyperCharge correto na loja da Xiaomi, prepare mais € 60.
Recarga rápida… só com o carregador certo
Sem carregador incluso, é natural usar o que já existe em casa. Eu fiz isso: dependendo do local, usei um OnePlus de 65 W ou um Anker de 120 W via Power Delivery.
Com esse cenário, conte com cerca de 1 hora para sair de 20% para 80% e mais uns 30 minutos para chegar em 99%. É demorado demais para um aparelho que se vende como “de recarga rápida”.
HyperOS continua carregada demais
Por trás da Poco está a Xiaomi - e isso significa HyperOS. É uma interface com cara de iOS por cima do Android 16, recheada de aplicativos da Xiaomi que acabam “pesando” no sistema. Eles podem ser úteis para quem quer diminuir a dependência do ecossistema Google, mas deveriam ser opcionais.
O mesmo vale para apps de parceiros que chegam pré-instalados: Facebook, TikTok, Spotify, Amazon Music, Netflix, Opera News e AliExpress. Faz sentido ter dois calendários? Dois controles remotos? Dois apps de streaming de música? Dois navegadores? Dois gerenciadores de arquivos? E por aí vai.
Nos ajustes, a organização também atrapalha. Exemplos: a versão do sistema do Google Play (importante para segurança) não aparece de forma clara. O tempo de tela desde a última carga também não é fácil de encontrar. E há inconsistências: mudar o design dos ícones fica em “Temas”, mas o tamanho está em “Personalização”. Ter mais recursos é bom - desde que continue simples de entender.
Câmeras boas “no geral”, mas inconsistentes no detalhe
O conjunto traseiro é bem padrão para a categoria: três módulos de 50 MP, com grande-angular estabilizada, teleobjetiva periscópica estabilizada e ultra grande-angular.
As fotos costumam agradar à primeira vista: contraste forte, cores mais intensas do que o ideal e bom nível de detalhe - desde que você não exagere no zoom ou não fique “caçando” imperfeições. Quando você amplia e olha bordas e cantos, aparece com frequência ruído digital, sombras que “fecham” demais e nitidez que perde precisão. Na prática, é mais seguro recortar no centro ou usar a foto sem ampliação para postar em tamanho menor nas redes.
À noite, eu gosto da atmosfera que o processamento cria, sem estourar luzes de forma exagerada. Em compensação, algumas áreas perdem detalhes automaticamente. A nitidez cai bastante e fontes de luz muito fortes ganham um halo pouco agradável.
Na frente, a câmera é de 32 MP. De dia, ela acerta bem e entrega selfies bem definidas. Conforme a luz piora, a imagem vai ficando mais “lavada” e menos precisa. E o fundo pode denunciar a lente: às vezes surgem artefatos roxos, típicos de um conjunto óptico mais simples.
Para quem o Poco F8 Ultra faz mais sentido (uso real)
Se você consome muita mídia no alto-falante - maratonas de YouTube, séries no streaming, vídeos curtos e música enquanto faz outras coisas - o som 2.1 Bose é um diferencial que você percebe todos os dias, não só em teste. É o tipo de recurso que muda hábito: você se pega usando menos o fone por pura conveniência.
Por outro lado, se você praticamente vive de fone Bluetooth ou headset, o principal trunfo do aparelho perde força. Aí o Poco F8 Ultra volta a ser “só” mais um topo de entrada com ótimos números, mas com duas pedras no sapato: HyperOS com excesso de bloatware e câmera que não é a mais confiável em todas as condições.
Minha opinião sobre o Poco F8 Ultra
Considerando os critérios clássicos, o Poco F8 Ultra se posiciona na porta de entrada do segmento premium. Ele tem pontos muito fortes: tela excelente, chip extremamente rápido e autonomia acima da média, além de corrigir falhas do antecessor (como a chegada do eSIM).
Ainda assim, ele sofre para bater de frente com modelos um pouco mais caros, como o OnePlus 15, ou com aparelhos que custavam mais no lançamento, mas hoje aparecem em promoção perto dessa faixa, como o Galaxy S25 Ultra. O motivo é claro: a interface carregada, cheia de bloatware difícil de justificar nesse preço, e um conjunto de câmeras que não convence com consistência do dia para a noite.
Só que reduzir o Poco F8 Ultra a isso seria injusto. Ele também é uma ideia nova bem executada: um celular que, de fábrica, entrega som 2.1 realmente limpo e potente - algo que praticamente ninguém tinha integrado desse jeito antes. Se você assiste muitos vídeos e ouve muita música direto no telefone, ele é o candidato mais interessante. Se você nunca tira os fones, o argumento principal desaparece.
Poco F8 Ultra - preço, nota e avaliação por categoria
Preço base: € 833
Nota geral: 8,3
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Design e tela | 9,0/10 |
| Desempenho e interface | 8,0/10 |
| Autonomia e recarga | 8,0/10 |
| Câmeras | 7,0/10 |
| Áudio | 9,5/10 |
Pontos positivos
- Áudio 2.1 Bose
- Autonomia muito boa
- Design bem resolvido
- Uma das melhores plataformas de chip disponíveis hoje
Pontos negativos
- Aumento de preço considerável
- HyperOS precisa de limpeza (excesso de apps)
- Câmeras corretas, mas sem brilhar
- Carregador não vem na caixa (como boa parte da concorrência)
- “Recarga rápida” decepciona com carregadores genéricos
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