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“Uma pena”: estúdio do PS5 fecha apesar de jogos muito bem avaliados, como 19/20 e 18/20.

Homem sentado no escritório segurando controle de videogame com dois monitores exibindo jogo em estilo pixel art.

No auge da geração PS5, um dos estúdios mais admirados do ecossistema PlayStation está prestes a sair de cena de forma discreta: a Sony decidiu encerrar a Bluepoint Games - equipe conhecida por tratar clássicos com um nível de precisão raro, acumular notas altíssimas e entregar projetos que vendem milhões.

O que mais surpreende é que, desta vez, nem a boa vontade do público nem avaliações acima de 90 no Metacritic foram suficientes para manter o estúdio vivo.

Fechamento da Bluepoint Games vira um choque para fãs de PlayStation

Segundo reportagens internacionais, a Sony optou por fechar a Bluepoint Games, responsável por dois remakes que viraram referência dentro dos PlayStation Studios: Shadow of the Colossus (2018) e Demon’s Souls (2020).

Os números ajudam a dimensionar a perda:

  • O remake de Shadow of the Colossus superou 1 milhão de cópias vendidas.
  • Demon’s Souls no PS5 chegou perto de 2 milhões.
  • No Metacritic, os títulos registram 91 e 92, o que na prática equivale a algo como 18/20 ou 19/20, dependendo da escala.

A Bluepoint era tratada como sinônimo de excelência em remakes: modernizava tudo o que precisava, mas sem violar a identidade dos jogos originais.

A aquisição oficial do estúdio ocorreu em outubro de 2021, quando a Sony ampliava seu portfólio sob o guarda-chuva dos PlayStation Studios. Para muita gente, aquilo sinalizava uma relação duradoura, previsível e rentável. Ainda assim, menos de quatro anos depois, o estúdio caminha para o encerramento.

A virada para “jogo como serviço” (God of War) que desandou

Nos bastidores, a Bluepoint não estava dedicada a mais um remake “de luxo”. Em vez disso, o time foi direcionado a um projeto bem distante da fórmula que o consagrou: um jogo como serviço ligado à franquia God of War.

A equipe já havia colaborado em God of War Ragnarök, e o novo título entraria na meta ambiciosa da Sony de colocar 12 jogos como serviço no mercado até 2025. A proposta envolveria um componente online forte, atualizações regulares e foco em retenção contínua de jogadores.

O problema é que o projeto acabou cancelado em janeiro de 2025, antes de se aproximar do público. Com isso, a posição da Bluepoint dentro do planejamento corporativo ficou vulnerável - especialmente por não haver um lançamento pronto para sustentar o estúdio.

  • Remakes de altíssimo nível: Shadow of the Colossus, Demon’s Souls
  • Desempenho comercial consistente, com milhões de cópias
  • Compra pela Sony em 2021, com cerca de 70 funcionários
  • Mudança para um jogo como serviço de God of War, depois cancelado
  • Fechamento previsto para março, conforme nota interna

A tentativa de reposicionar a Bluepoint em um modelo mais arriscado e menos previsível coincidiu com uma revisão maior da própria estratégia de jogos como serviço da Sony - que, nos últimos anos, acumulou atrasos, cancelamentos e críticas.

Cortes atingem toda a família PlayStation Studios

O caso da Bluepoint não aparece como exceção isolada. Fontes do setor apontam que a Sony vem encolhendo de maneira relevante sua estrutura interna de desenvolvimento. Apenas em 2024, três estúdios teriam sido encerrados: Neon Koi, London Studio e Firewalk.

A mensagem oficial coloca o problema no contexto de um cenário industrial mais duro: custos de produção crescendo, mercado avançando em ritmo mais lento, mudanças no comportamento do público e um ambiente econômico mais apertado.

Fazer jogos de grande porte ficou mais caro, mais demorado e mais incerto. Até estúdios altamente elogiados passaram a ser medidos por custo, cronograma e projeção de receita.

Nesse contexto, a Sony sustenta que está “se adaptando” para manter resultados financeiros e se preparar para o futuro. O fechamento da Bluepoint é descrito como uma decisão difícil, porém necessária dentro do processo de reestruturação.

“Uma vergonha” para quem defende jogos de autor

A reação entre jogadores, desenvolvedores e críticos mistura luto e revolta. O sentimento dominante é o de que um estúdio tecnicamente impecável, com histórico comprovado, foi colocado na conta de objetivos de curto prazo.

O termo “uma vergonha” se repete em redes sociais e fóruns por um motivo direto: o contraste entre a qualidade do trabalho da Bluepoint e o desfecho abrupto. Para muitos, o estúdio representava uma forma de preservar clássicos com respeito - e não apenas vender nostalgia.

Também pesa o timing. Enquanto fecha a Bluepoint, a Sony trabalha em remakes dos primeiros God of War, projeto que estaria nas mãos da Santa Monica Studio. A pergunta inevitável surge: se a empresa quer remakes, por que não manter justamente o time especialista nisso?

O paradoxo dos “remakes de luxo”

A história recente da Bluepoint expõe um paradoxo incômodo: mesmo remakes vistos como quase perfeitos, celebrados como referência técnica, não garantem estabilidade no longo prazo. Por melhor que sejam as críticas, esse tipo de produção depende de a empresa-mãe manter apetite constante por revisitar catálogo.

Jogo Lançamento Tipo MetaScore
Shadow of the Colossus (PS4) 2018 Remake 91/100
Demon’s Souls (PS5) 2020 Remake 92/100

Quando a prioridade passa a ser serviço contínuo, monetização recorrente e experiências “vivas”, remakes focados em campanha fechada tendem a perder espaço. Eles podem vender muito bem no lançamento - mas não carregam, por padrão, assinatura mensal, temporadas ou passe de batalha.

Um efeito colateral disso é a pressão sobre o que se considera “sucesso”: em um portfólio guiado por receita recorrente, o desempenho inicial (mesmo com milhões de cópias) pode parecer insuficiente se não houver cauda longa de monetização.

O que é “jogo como serviço” neste cenário

O termo jogo como serviço costuma confundir porque é amplo. Na prática, são títulos desenhados para durar anos: recebem atualizações frequentes, eventos, itens cosméticos e sistemas que empurram o jogador a permanecer conectado - e, em muitos casos, a gastar mais com o tempo.

Quando dá certo, a vantagem para as empresas é clara: um único jogo pode manter receita recorrente por um período prolongado, como ocorre com alguns gigantes competitivos e cooperativos do mercado.

Por outro lado, o custo e a complexidade sobem: é preciso equipe grande, servidores, suporte, operação contínua e marketing permanente. Se a base de usuários não se sustenta, o prejuízo costuma ser alto - e cancelamentos nesse formato geralmente deixam pouco material reaproveitável.

Preservação e acesso a clássicos: o que muda sem a Bluepoint

Além do impacto imediato, o fechamento reacende um debate que vai além de um estúdio: como o PlayStation vai preservar e atualizar seu catálogo histórico? Remakes e remasterizações também funcionam como porta de entrada para novas gerações - especialmente em uma era em que parte do público descobre franquias por recomendação, streaming e vídeos curtos.

Sem uma equipe com a consistência da Bluepoint, a tendência pode ser um aumento de terceirizações e parcerias pontuais para revitalizar jogos antigos. Isso não é necessariamente ruim, mas torna o padrão de qualidade menos previsível - e pode empurrar a empresa para remasters mais simples e baratos, em vez de reconstruções completas como a vista em Shadow of the Colossus.

Cenário possível para ex-funcionários e para os fãs

Para quem trabalhava na Bluepoint, o encerramento cria incerteza imediata - mas também abre portas. Profissionais capazes de entregar tecnologia de ponta no nível exigido por Demon’s Souls no PS5 tendem a ser muito disputados por outros estúdios, dentro e fora do mercado de consoles tradicionais.

Do lado dos jogadores, a dúvida central é direta: quem assume agora o papel de “cirurgião” dos clássicos? É provável que outros times internos ou parceiros externos façam remakes e remasterizações, mas a regularidade e o acabamento que a Bluepoint oferecia eram difíceis de igualar.

Um caminho possível é o crescimento de colaborações com estúdios independentes especializados em modernizar jogos antigos. Outro é a priorização de versões menos ambiciosas, com menor orçamento, para manter o catálogo ativo.

No fim, a mensagem para quem acompanha a indústria é dura: notas altíssimas, prêmios e rótulos de “obra-prima” nem sempre garantem futuro. Em um mercado pressionado por custos crescentes e pela busca de modelos de longa duração, até quem entrega “19/20” pode ser desligado sem alarde.

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