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“Que desperdício! Você tem pelo menos 320 euros em casa sem saber.”

Mulher sentada no chão da sala surpresa olhando para o celular, com roupas e brinquedos ao redor.

Segundo um estudo recente do instituto OpinionWay encomendado pelo Leboncoin, 86% dos franceses guardam em casa objetos que já não usam, com um valor médio estimado em 320 euros por domicílio (algo em torno de R$ 1,7 mil, a depender do câmbio). Não se trata de mania minimalista nem de exagero publicitário: é um “poder de compra adormecido”, parado no fundo de armários e caixas, quando poderia ajudar a pagar presentes de Natal, uma conta de energia ou simplesmente aliviar o orçamento.

Para chegar a essa média de 320 euros, a OpinionWay entrevistou, no fim de setembro, uma amostra representativa de 1.054 pessoas, pedindo que cada uma estimasse o valor dos itens sem uso em casa. Quase um terço acredita ter até 100 euros em bens para revenda; por outro lado, quase metade diz ter mais de 200 euros “dormindo” em casa, e 1 em cada 5 menciona um potencial que ultrapassa 500 euros.

O levantamento também mostra que esse hábito não é exclusivo de quem tem mais folga financeira: mesmo entre domicílios com renda mensal abaixo de 1.000 euros, três em cada quatro afirmam acumular itens que não utilizam. Em média, isso dá 19 objetos por casa - e, para 20% dos franceses, o volume passa de 30 itens, todos com chance de ganhar uma segunda vida nas mãos de outra pessoa.

O que mais fica parado: roupas, livros e brinquedos

No topo do desperdício estão as roupas, citadas por 65% dos entrevistados. Jeans que não servem mais, casacos esquecidos, camisas nunca usadas… é um estoque que pode virar dinheiro relativamente rápido. E o mais frustrante é que a revenda ficou muito mais simples com plataformas de segunda mão como a Vinted, que reduzem a fricção de anunciar e vender. Já o sucesso de uma plataforma como a Shein é mais difícil de entender - mas isso é outra discussão.

Logo depois aparecem os livros (56%) e, em seguida, os brinquedos (31%), frequentemente empilhados em quartos de crianças, garagens ou áreas de armazenamento. Em um contexto de alta generalizada de preços, esses itens podem ser uma alternativa para famílias que procuram economizar nas compras de fim de ano.

Franceses “conservadores”: o poder de compra adormecido do estudo OpinionWay/Leboncoin

Outro ponto forte do estudo é que a tendência de guardar atinge todas as idades e atravessa classes sociais. Entre jovens de 18 a 24 anos, 89% têm ao menos um objeto sem uso; entre pessoas com 65 anos ou mais, a taxa sobe para 91% - sinal de que a “cultura da gaveta” não depende de geração. A pergunta, então, é direta: por que tanta gente não revende o que não usa?

As explicações se acumulam e, em geral, combinam apego emocional, procrastinação e subestimação de valor. Muita gente calcula para baixo quanto vale uma peça de marca, um livro conservado ou um brinquedo pouco usado. Além disso, o processo de separar, fotografar, anunciar e responder interessados assusta parte dos domicílios.

E há um paradoxo enorme: 95% dos entrevistados estão convencidos de que conseguiriam uma renda extra vendendo o que está parado, mas 82% sempre encontram um motivo para não começar. Falta de tempo, sensação de que “não compensa”, dificuldade de desapegar e medo de experiências ruins online aparecem entre os obstáculos mais citados.

Na prática, dezenas (ou centenas) de euros ficam se acumulando por anos em caixas, sacolas e organizadores. Ao mesmo tempo, as mesmas famílias caçam promoções no supermercado, compram roupa a 2 euros na Shein (sim, o ponto insiste) e comparam tarifas de energia centavo a centavo - sem perceber que a reserva mais imediata de poder de compra está… dentro de casa.

Como tirar os 320 euros do papel e transformar em dinheiro de verdade

Apesar da inércia, não faltam caminhos para converter esses 320 euros teóricos em dinheiro no bolso. Há plataformas generalistas de segunda mão, sites focados em livros ou moda e também opções locais, como feiras de garagem, bazares de bairro e eventos comunitários. A oferta é ampla e atende desde quem vende de vez em quando até o perfil de “revendedor em série”.

Para quem quer reduzir o risco e o desgaste, vale adotar alguns cuidados simples: definir um ponto de encontro movimentado e seguro, preferir pagamentos pela plataforma quando possível, e estabelecer uma regra prática de atendimento (por exemplo, responder em horários fixos). Isso diminui a chance de dor de cabeça e ajuda a manter constância nas vendas.

Também é útil pensar no destino do que não vale a pena anunciar. Parte dos itens pode ser doada (quando está em bom estado) ou encaminhada para reciclagem e coleta têxtil, o que libera espaço e evita que o que não tem saída comercial vire apenas mais volume guardado.

No dia a dia, um método simples costuma resolver: fazer um triagem focada em três categorias - roupas em bom estado, livros recentes ou bem conservados e brinquedos completos - já pode render rapidamente várias dezenas de euros. Com meio dia no fim de semana, dá para fotografar e publicar cerca de 20 itens sem grandes esforços e iniciar um fluxo de vendas ao longo de algumas semanas, especialmente na aproximação das festas. E, de bônus, você ainda reduz desperdício e dá um empurrãozinho positivo para o planeta.

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