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Pragmata: o novo jogo de ação e quebra-cabeças da Capcom que acerta em cheio

Criança e astronauta interagindo com holograma azul na superfície lunar com a Terra ao fundo.

Pragmata é o novo jogo de ação da Capcom. Mais do que apenas mais um título de tiro, ele aposta em mecânicas pouco convencionais, misturando disparos e quebra-cabeças. O resultado é uma combinação que funciona muito bem. Nós o testamos.

Com Pragmata, a Capcom assume uma aposta ousada: lançar uma grande produção que não só inaugura uma nova série, como também apresenta uma jogabilidade diferente do que se vê por aí. Na prática, o jogo parte de uma ideia que parece saída de uma maratona de criação de jogos: um título de tiro que obriga o jogador a resolver enigmas em plena ação.

Na teoria, isso soa estranho. No controle, porém, a ideia se revela um acerto. Com esse projeto, o estúdio japonês mostra que ainda há espaço para trazer frescor ao universo, tantas vezes previsível, das grandes produções. Nós o experimentamos, e este é o nosso veredito.

Pragmata: o que é esse jogo de ação e quebra-cabeças da Capcom?

Em Pragmata, controlamos Hugh Williams, um soldado enviado à Lua para restabelecer contato com uma base chamada Berço, que está sem dar notícias há meses. Logo nos primeiros minutos da missão, ele percebe que os robôs assumiram o controle e estão longe de ser amigáveis. Para piorar, o sistema de impressão 3D enlouqueceu, criando paisagens e cenários absurdos. Pouco depois, Hugh encontra Diana, uma menina sozinha e única sobrevivente da carnificina. Na verdade, ela é uma Pragmata, um robô capaz de invadir os inimigos. A história não é particularmente ambiciosa, mas acompanha-se com prazer.

Também é preciso se acostumar com a direção de arte um pouco fria, com cara de teste de desempenho de placa de vídeo. Ainda assim, o jogo é simplesmente belíssimo. No PS5 Pro, a Capcom exibe todo o seu talento, mas é no PC que o RE Engine - o mesmo motor de Resident Evil Requiem - realmente mostra seu potencial. O estúdio trabalhou com a Nvidia para oferecer efeitos impressionantes de rastreamento de caminhos. Além disso, o jogo é compatível com o DLSS 4.5, que permite ativar a geração de quadros para aumentar a fluidez. Com nossa RTX 5070, alcançamos 110 quadros por segundo, com DLSS equilibrado e rastreamento de caminhos ativado, em 1440p. É uma nova referência visual, ainda mais porque o título será compatível com o futuro DLSS 5.

É justamente nessa mistura entre leitura rápida do cenário e tomada de decisão imediata que Pragmata encontra sua identidade. Em vez de pedir apenas reflexos, ele exige também planejamento de curto prazo, fazendo cada confronto parecer uma pequena batalha tática sem perder o ritmo da ação.

Para quem gosta de dominar um sistema aos poucos, essa curva de aprendizado vira parte da diversão. Já quem prefere algo mais direto pode sentir o peso mental dessa proposta, porque o jogo nunca deixa o jogador entrar no modo automático.

Uma jogabilidade de Pragmata que mistura tiro e quebra-cabeças em tempo real

Mas a verdadeira força de Pragmata está no seu conceito. Os inimigos encontrados são praticamente invencíveis, protegidos por uma blindagem impossível de atravessar. Para atingi-los, é preciso invadir seu sistema. Ao apontar a arma para um robô, um quebra-cabeça surge automaticamente. Com os botões frontais do controle - cruz, quadrado, triângulo, círculo ou ABXY -, navegamos por um labirinto de tamanho variável, passando pelos “nós” para aumentar o dano causado. Enquanto isso, a ação continua, e precisamos administrar ao mesmo tempo a parte de tiro e a parte de raciocínio. É algo original, bem pensado, mas também exigente para a cabeça. Uma ginástica mental que exige domínio.

Um conceito que se mantém forte do começo ao fim

Temíamos que a ideia de Pragmata desmoronasse ao longo da campanha. Isso não acontece. O grande mérito da Capcom está em renovar quase constantemente essa mecânica. Hugh não recebe apenas novas armas inventivas - raio laser, bomba adesiva, rifle de estase, isca e outras -, como também novas possibilidades de invasão. Em certos casos, por exemplo, é possível “ligar” vários inimigos durante uma invasão, ampliar o dano causado ou deixar os adversários atordoados. Melhor ainda: os robôs inimigos apresentam quebra-cabeças cada vez mais elaborados. Sem falar nos chefões, todos criativos e muito bem pensados.

O resultado é um sistema que ganha camadas, se torna mais complexo, mas sem virar algo confuso ou cansativo. O equilíbrio é quase perfeito e, acima de tudo, extremamente prazeroso. A única ressalva é que, às vezes, os inimigos carecem de variedade. Ainda assim, que satisfação resolver um quebra-cabeça difícil em plena ação! Desviar no último instante para retomar o enigma, olhar para todos os lados e ver a atenção completamente tomada - é uma experiência intensa. Como consequência, saímos das sessões exaustos. Pragmata é um jogo mentalmente exigente, mas também absurdamente recompensador.

Outro ponto importante é que a progressão não depende só de dominar os combates. O jogo faz com que o jogador aprenda a observar padrões, antecipar movimentos e escolher o melhor momento para atacar, o que dá ao avanço uma sensação constante de conquista. É esse tipo de construção que faz cada nova ferramenta parecer valiosa, e não apenas mais um item no inventário.

Uma aventura variada e um vínculo que funciona

A isso se soma uma aventura envolvente e fases variadas o suficiente para nos empurrar sempre adiante. Pragmata é dividido em várias áreas distintas, todas conectadas ao refúgio, uma sala segura em que é possível melhorar o personagem ou conversar com Diana. Não há idas e vindas incessantes como em um Resident Evil, mas os jogadores mais dedicados podem revisitar cada área para encontrar todos os segredos.

Também vale destacar a relação entre Hugh e Diana. Embora não tenha nada de inédita - o velho clichê do herói bruto que encontra uma menina como substituta emocional -, ela ajuda a criar laço com os personagens ao longo das cerca de dez horas de duração do jogo.

Pragmata não é apenas um bom jogo; é uma grata surpresa. Um título refrescante em meio ao universo frequentemente repetitivo das grandes produções de videogame. Ele deve agradar a quem procura algo diferente, cansado dos tiros sem muita cabeça ou das aventuras narrativas excessivamente formatadas. Nós adoramos. Pragmata chega em 17 de abril de 2026 para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC.

Resumo da análise

Item Informação
Preço 60 euros
Nota geral 8,0/10

Gostamos

  • Conceito original e refrescante
  • Sistema rico que consegue se renovar
  • Fases agradáveis de explorar
  • Chefões memoráveis
  • Muitos segredos para descobrir

Gostamos menos

  • Direção de arte um pouco fria
  • História pouco original
  • Inimigos com pouca variedade

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