2026 deve marcar uma fase difícil para o setor de tecnologia. A inteligência artificial já está alimentando uma crise sem precedentes e tende a empurrar para cima o preço dos smartphones, inclusive os modelos mais baratos. A RAM é parte central desse problema, mas não é a única responsável.
Se você está pensando em trocar de celular, o melhor momento é agora. Os estoques atuais ainda estão sendo vendidos por valores relativamente razoáveis. Em 2026, porém, o cenário tende a mudar bastante: os preços dos aparelhos devem disparar. Um período complicado se desenha para o universo tech, afetando PCs, consoles e também smartphones.
A origem dessa inflação recorde não é difícil de identificar. Em grande parte, ela está ligada à própria inteligência artificial. Há pelo menos três motivos pelos quais a IA deve fazer o preço dos smartphones subir com força.
O preço da RAM dispara com a IA
Já tratamos desse assunto em um editorial anterior: a memória RAM está ficando muito mais cara. E a inteligência artificial é a principal razão para isso. Google, Meta, Nvidia, Amazon, OpenAI e outros gigantes do setor estão construindo data centers gigantescos para atender - e também ampliar - a demanda. Como a IA depende fortemente de RAM para funcionar, essas empresas estão comprando volumes gigantescos do componente.
O mercado de RAM é dominado por três fabricantes: Micron, SK Hynix e Samsung. As linhas de produção não foram planejadas para uma procura tão intensa, então as empresas precisam se ajustar rapidamente. A Micron, por exemplo, anunciou que vai abandonar de vez o mercado de consumo, enquanto as outras duas adotam uma postura mais cautelosa. Mesmo prometendo aumentar o ritmo de produção, elas querem evitar excessos para não ficarem com estoques enormes encalhados caso a bolha da IA estoure. Na prática, isso deve transformar a RAM em um item escasso.
Quando isso acontece, o efeito se espalha. O preço dos smartphones sobe, mas o impacto também atinge outros produtos eletrônicos. Se somarmos a isso processadores cada vez mais caros, o resultado é uma combinação bastante explosiva.
IA nos smartphones: mais funções, mais RAM, mais custo
A inteligência artificial não está presente apenas nos data centers; ela também já virou parte dos nossos celulares. Algumas soluções, como Copilot e Gemini, funcionam na nuvem, mas muitos fabricantes preferem integrar recursos de IA localmente no aparelho. Isso pode ser útil para transcrever áudios, traduzir conversas em tempo real, resumir o dia do usuário ou simplesmente editar uma foto. Só que tudo isso exige muita RAM. Em alguns casos, essa memória pode representar até 15% do preço final de um telefone.
Por causa disso, os fabricantes não têm muito espaço para cortar esse componente nos smartphones. Hoje, a IA já aparece em praticamente todos os modelos, inclusive nos de entrada. Recuar nessa estratégia parece impensável, especialmente porque o desenvolvimento dos próximos produtos já está em andamento - e, em alguns casos, até concluído. É possível que o mercado de PCs aceite configurações com menos RAM, mas será que isso também funcionaria no celular? Não parece tão simples. Para continuar vendendo bem, as marcas não podem retroceder, sob pena de empurrar consumidores para aparelhos mais antigos. Além disso, um dispositivo com menos RAM tende a envelhecer pior.
Outro ponto importante é que os consumidores estão cada vez mais acostumados a fazer várias tarefas pesadas no celular ao mesmo tempo. Isso inclui edição de imagem, jogos, chamadas de vídeo e ferramentas de produtividade. Nesse contexto, reduzir memória pode afetar diretamente a percepção de desempenho e a vida útil do aparelho, algo que pesa ainda mais na decisão de compra.
A instabilidade política também pode influenciar
Esse terceiro fator é hipotético, mas merece atenção: o cenário econômico mundial. Em abril do ano passado, Donald Trump agitou os mercados ao impor tarifas alfandegárias arbitrárias. A medida gerou grande preocupação, embora, no fim, tenha isentado os smartphones fabricados na China da temida taxa de 125%. Sem essa exceção, os aparelhos teriam ficado caros demais. No fim das contas, essas decisões não causaram aumento negativo no preço dos telefones.
Ainda assim, o histórico de imprevisibilidade do presidente americano continua preocupando. Ele segue disposto a travar uma guerra econômica contra a China e a Europa, o que deixa espaço para novos decretos desfavoráveis. Além disso, a IA virou um tema político central, e os Estados Unidos adotam uma postura bastante protecionista nesse campo. Um exemplo é a restrição que impede a Nvidia de fornecer à China chips Blackwell, algo que irrita o CEO Jensen Huang. Esse é mais um elemento que precisa entrar no cálculo de 2026. Nada garante que isso vai gerar alta de preços, mas também não dá para descartar a possibilidade.
Comprar antes pode ser a decisão mais sensata
Diante desse cenário, o fim de 2025 surge como o melhor momento para quem quer comprar um novo smartphone ou PC. Se o seu celular já está no limite, a recomendação é não adiar a troca. Esperar pode significar pagar muito mais caro no início de 2026.
Para quem pensa em economizar, também vale observar promoções e comparar configurações com atenção. Em um mercado pressionado por RAM, processadores e incertezas internacionais, cada decisão de compra tende a pesar mais do que o normal.
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