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Grand Frais: aplicativo alcança 1 milhão de usuários e acelera a expansão da rede

Jovem sorridente em feira segura celular mostrando tela de aplicativo de frutas com cesta de legumes.

Comprada no fim de 2025 pelo fundo americano Apollo, a rede especializada em produtos frescos acaba de atingir um marco importante com seu novo aplicativo. A ferramenta já foi adotada por 1 milhão de usuários e passa a funcionar como um impulso estratégico para a empresa, que quer dobrar sua capilaridade territorial.

Um milhão de downloads para um aplicativo de varejo alimentar, em um país onde os apps de compras ainda têm dificuldade para entrar na rotina das pessoas, é um resultado expressivo para o Grand Frais. Mais do que isso, o número confirma que a virada digital da marca começa a ganhar forma, três anos depois da aquisição pela Apollo. Segundo a consultoria OC&C, o Grand Frais já ocupa a terceira posição entre as redes mais queridas pelos franceses.

O aplicativo permite consultar as ofertas em vigor, localizar a loja mais próxima e acompanhar as promoções setor por setor. Do ponto de vista tecnológico, nada ali revoluciona o mercado. Ainda assim, no segmento de produtos frescos, em que a ligação com a loja física continua sendo decisiva, essa mudança é ousada. Pelo desempenho do aplicativo, tudo indica que os clientes do Grand Frais querem manter uma relação contínua com a marca, inclusive fora das unidades físicas.

O aplicativo como ferramenta de conquista do Grand Frais

Para entender essa mudança de estratégia, vale voltar à origem do Grand Frais, em 1992. Naquele período, enquanto a maior parte do varejo oferecia praticamente todos os itens disponíveis, o Grand Frais foi estruturado como um mercado coberto. O espaço reúne balcões especializados - como os de queijos maturados, açougue, peixaria e frutas e verduras - operados por profissionais dedicados sob o mesmo teto. Esse formato, situado entre o varejo alimentar e a mercearia gourmet, mostrou forte aderência ao cenário econômico dos últimos anos.

Quando a inflação dos alimentos disparou nos supermercados, o Grand Frais apostou em uma política de preços percebida como mais competitiva nos produtos frescos, sem abrir mão da qualidade. Como resume Jean-Paul Mochet ao jornal Le Parisien: “A gente permite que as pessoas montem pratos bonitos com preços acessíveis, toda semana”.

Em 2026, porém, o perfil do consumidor mudou. Mais conectado, ele também dispõe de menos tempo para as tarefas do dia a dia. Por isso, o Grand Frais precisou encontrar uma solução que respondesse a essas exigências sem romper com suas origens. O aplicativo, então, não oferece entrega em domicílio nem segue a lógica das tendências da tecnologia alimentar. Ele é simples, funcional e pensado para apoiar a loja física - justamente o que o transforma em uma ferramenta de conquista, e não em um adereço.

A rede, que hoje opera 338 lojas na França, planeja abrir 25 novas unidades em 2026, sobretudo em centros urbanos. Nessa lógica, o aplicativo serve para despertar interesse antes mesmo da inauguração de uma loja: atrair potenciais clientes, fixar a marca no celular dos franceses e preparar o terreno para a abertura das portas. Jean-Paul Mochet não esconde a ambição: a rede pode, no longo prazo, “mais do que dobrar”.

Num setor em que a compra de alimentos frescos depende muito de confiança, hábito e experiência, a presença no ambiente digital ajuda a manter a marca viva entre uma visita e outra. O aplicativo também reforça a percepção de praticidade: o consumidor pode consultar promoções, planejar a compra e chegar à loja com uma ideia mais clara do que procura.

Essa combinação entre presença física forte e relacionamento digital contínuo tende a ganhar ainda mais peso no varejo alimentar. Para redes como o Grand Frais, o desafio não é substituir a loja, mas prolongar sua influência para além dela - e transformar cada consulta no celular em uma oportunidade de visita, fidelização e aumento de frequência.

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