Os moradores encaram essa retirada como um retrocesso no serviço público.
Pouco a pouco, as caixas de coleta de correspondência estão desaparecendo das cidades francesas e, sobretudo, das pequenas localidades do interior. Só em 2025, os Correios franceses decidiram eliminar nada menos que 6.300 unidades, com o objetivo de tornar a rota dos carteiros mais eficiente.
O fato é que o volume de cartas vem caindo de forma acelerada no país. Em quinze anos, a movimentação anual despencou de 18 bilhões para 6 bilhões de correspondências. Diante desse cenário, a empresa pública defende sem rodeios sua decisão. No ano passado, a área de comunicação explicou ao jornal francês Le Monde:
Temos muitas caixas que recebem menos de uma carta por dia. Por isso, em alguns casos, elas acabam sendo removidas. Ainda assim, os Correios buscam manter uma rede suficientemente ampla, inclusive na zona rural, mesmo quando as moradias ficam espalhadas.
Internamente, porém, esse caminho está longe de reunir consenso. Os sindicatos contestam a medida e afirmam que a retirada das caixas obedece прежде de tudo a uma lógica de redução de custos. “É algo realmente cínico; estamos perdendo o espírito do serviço público”, lamenta France Jéhan, representante da CGT-FAPT, federação dos setores postal e de telecomunicações, em Côtes-d’Armor.
Caixas de coleta de correspondência e serviço postal: como enviar cartas sem uma caixa perto de casa?
Enquanto a irritação cresce entre os moradores, autoridades locais também estão se manifestando. Em declaração reproduzida por nossos colegas, Yann Godet, prefeito independente de esquerda de Plouër-sur-Rance, na Bretanha, alertou: “Essas supressões fazem parte de um movimento mais amplo. Percebe-se uma tensão crescente da população diante de serviços públicos que estão se desagregando. Nada é pior do que isso, porque o que está em jogo é a confiança no pagamento de impostos”.
Mas fica a dúvida principal: o que fazem as pessoas que precisam enviar cartas e não têm uma caixa de coleta próxima de casa? Para esses casos, os Correios franceses adotaram um cartão magnético que deve ser colocado na caixa de correio particular. Um morador ouvido pelo Le Monde critica a solução: “São sempre os pobres carteiros que acabam pagando a conta, perdendo tempo para verificar os cartões! Aqui, além de não termos fibra óptica, a internet também funciona mal...”.
Nas áreas rurais, uma prática mais antiga também voltou a aparecer, segundo a revista Pleine Vie. Algumas pessoas passam a prender um prendedor de roupa na portinhola da caixa de correio para indicar aos carteiros que há correspondência a ser recolhida. Essa espécie de código ajuda os profissionais a identificar rapidamente quando existe envio a retirar. E, para entender melhor o cenário, vale reler a análise sobre a estratégia e o futuro da distribuição de correspondência pelos Correios franceses.
A redução dessas caixas também reacende uma discussão mais ampla sobre acesso a serviços essenciais fora dos grandes centros. Em muitos vilarejos, a caixa postal não é apenas um ponto de coleta: ela simboliza a presença do Estado e a manutenção de uma ligação mínima entre o cidadão e a administração pública. Quando esse tipo de estrutura desaparece, a sensação de abandono tende a crescer ainda mais entre os moradores.
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