A empresa hoje caminha de forma muito mais discreta do que em sua fase de expansão acelerada.
A WeWork deixou uma marca profunda na história da tecnologia nos Estados Unidos e no mundo. Sob o comando carismático de Adam Neumann, a empresa de espaços de trabalho compartilhados chegou a ser avaliada em 47 bilhões de dólares antes de entrar em colapso em 2023, após uma gestão amplamente criticada, retratada na série WeCrashed. Desde então, a companhia afastou seu presidente e colocou John Santora no cargo. Ele segue uma linha quase oposta à de seu antecessor e prefere a sobriedade a promessas grandiosas na tentativa de recuperar o negócio.
WeWork retoma a trajetória com coworking, imóveis e foco na rentabilidade
Em uma nova reportagem, a Fortune destacou justamente um novo conceito lançado pela WeWork: o WeWork Go. Na prática, trata-se de uma cabine de escritório envidraçada e sobre rodas, com aparência de uma grande cabine telefônica. Ela permite que uma pessoa trabalhe sozinha - ou até quatro ao mesmo tempo - em locais públicos, como hotéis e aeroportos. É mais uma aposta para gerar receita sem depender da locação de grandes edifícios.
A companhia também faz questão de reforçar que passou a ser lucrativa desde a reestruturação. Hoje, afirma reunir 550 mil membros em mais de 600 espaços de coworking. Muitos desses endereços já estão em mãos de franqueados e não pertencem mais diretamente à WeWork. Em dezembro de 2025, o Le Monde explicou como a empresa tinha conseguido se reerguer depois dos problemas. Segundo o jornal, ela passou a registrar lucro por quatro trimestres consecutivos depois de cortar 4 bilhões de dólares em dívidas e renegociar 190 contratos de aluguel comercial.
Citado pelos colegas de imprensa, John Santora declarou naquela ocasião que a empresa pretende investir:
Neste ano, serão 80 milhões de dólares. Vamos continuar melhorando nossos espaços para que sejam acolhedores, tenham tecnologia atualizada e façam com que nossos membros se sintam bem e produzam mais. Somos uma empresa do setor imobiliário: alugamos espaços e os sublocamos para nossos membros, e cada nova operação precisa dar lucro. Antes, tínhamos locais grandes demais. Hoje, estamos exatamente onde precisamos estar.
Depois de 47 anos de carreira na gigante imobiliária Cushman & Wakefield, ele parece bem posicionado para conduzir a recuperação da empresa sem se dispersar demais.
Em um mercado em que muitas organizações procuram reduzir custos e manter estruturas mais flexíveis, a aposta da WeWork também conversa com uma mudança mais ampla no modo de trabalhar. A demanda por ambientes menores, temporários e prontos para uso ganhou força justamente porque empresas e profissionais passaram a valorizar mais mobilidade, praticidade e controle de despesas.
Outro ponto importante é que o sucesso desse novo ciclo depende não só da ocupação dos espaços, mas também da capacidade de oferecer experiência consistente aos membros. Em um setor tão competitivo, atendimento, localização, conectividade e manutenção dos ambientes pesam tanto quanto o desenho do modelo de negócios.
Por ironia, Adam Neumann ainda não se afastou do mundo empresarial e também fundou uma companhia do ramo imobiliário. Batizada de Flow, ela já está avaliada em 2,5 bilhões de dólares.
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