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Xbox-hit chega ao PS5, mas lançamento enfrenta dificuldades.

Pessoa jogando videogame com controle, TV mostrando espaço e nave, console e fones sobre mesa.

Um antigo título vitrine do Xbox chega de surpresa ao PS5 e vende bem - mas falhas técnicas pesadas estragam o clima.

Um RPG que por muito tempo foi tratado como um cartão de visita do Xbox agora está dando o que falar no console da Sony. Muitos jogadores de PS5 foram atrás por curiosidade, mas, ao mesmo tempo, aparecem queixas sobre travamentos, salvamentos corrompidos e um estado técnico que muita gente já não aceita em 2026.

Um RPG de Xbox rompe a lógica de lado a lado e desembarca no PS5

Durante mais de dois anos, o RPG de ficção científica Starfield foi o exemplo perfeito da nova estratégia do Xbox: um grande RPG AAA, exclusivo para Xbox e PC, promovido como projeto de prestígio da Bethesda e da Microsoft. Por isso, a notícia de que o jogo chegaria ao PS5 em abril de 2026 pegou muita gente de surpresa.

Já na primeira semana após o lançamento no console da Sony, foram vendidas cerca de 140.000 cópias, segundo a Alinea Analytics. Isso representa uma receita de aproximadamente 7,7 milhões de dólares só no PS5. Para um título que muitos fãs de PlayStation já tinham dado como fora de alcance, é uma estreia respeitável.

No PS5, Starfield tem uma abertura de vendas sólida - para um jogo exclusivo da concorrência, que quase ninguém imaginava ver alguma vez em um console da Sony.

Ainda assim, sobra uma ressalva: para um RPG blockbuster desse porte, os números ficam abaixo do que se esperaria de um verdadeiro sistema vendedor. Muita gente já havia jogado no PC ou no Xbox, e a grande onda de hype de 2023 perdeu força.

De recordes à perda de jogadores

No lançamento original, em setembro de 2023, o cenário era bem diferente. Starfield rapidamente ultrapassou a marca de mais de 15 milhões de jogadores. Só no Steam, antes da chegada ao PS5, foram vendidos cerca de 3,7 milhões de exemplares pela loja digital. A Bethesda afirmou que se tratava de uma das estreias mais bem-sucedidas da história do estúdio.

Três anos depois, o retrato é outro. Em março de 2026, sites de monitoramento registraram no Steam apenas 3.000 a 5.000 jogadores simultâneos em certos momentos. Para um jogo pensado como um novo projeto de longo prazo no estilo de Skyrim, o número soa surpreendentemente baixo.

Muitos fãs de RPG criticam o fato de Starfield parecer tecnicamente datado. Os gráficos são competentes, mas não impressionam. O desenho das missões segue padrões já conhecidos da Bethesda, e as grandes surpresas ficam de fora. Na internet, consolidou-se a acusação de que se trata de uma espécie de "Skyrim no espaço" com inovação de menos.

Starfield no PS5 estreia com grande ofensiva de atualização

Para tentar marcar essa volta aos holofotes, a Bethesda vinculou o lançamento no PS5 a uma atualização robusta de conteúdo. A chamada atualização Free Lanes adiciona um recurso pedido pelos fãs desde o primeiro dia: agora os jogadores podem voar manualmente entre planetas, em vez de depender o tempo todo de telas de carregamento.

Além disso, chegou o novo DLC Terran Armada, que inclui novas missões, equipamentos e conteúdos em torno de uma frota espacial humana. A combinação entre versão de PS5 e material novo deu um impulso extra ao Steam:

  • cerca de 55.000 vendas adicionais no Steam
  • aproximadamente 2,3 milhões de dólares em nova receita
  • no total, agora bem acima de 200 milhões de dólares em faturamento só na plataforma da Valve

Do ponto de vista financeiro, Starfield continua sendo um sucesso. A pergunta central já não é tanto se o título deu retorno, mas se ele consegue manter os jogadores por bastante tempo - especialmente agora que os donos de PlayStation entraram pela primeira vez no jogo.

Desastre técnico: port de PS5 sofre com bugs graves

É justamente aí que começa o problema real: o port para PS5 parece, em muitos trechos, inacabado. Jogadores relatam travamentos recorrentes, às vezes a cada poucos minutos. Também surgem com frequência relatos de salvamentos danificados e telas de carregamento travadas, em que só reiniciar resolve.

A situação atinge tanto o PS5 padrão quanto o novo PS5 Pro. No PlayStation Store, as avaliações refletem essa frustração: cerca de 16 por cento dos usuários dão apenas uma ou duas estrelas. Nos comentários, há relatos de que o jogo trava "a cada dois minutos", mesmo depois de várias reinstalações.

O port de PS5 entrega um blockbuster com ambição de nova geração - mas em um estado que muitos jogadores descrevem como uma beta desajeitada.

Especialistas em tecnologia também acenderam o alerta. A análise da Digital Foundry fala em "bugs demais" e pede correções bem mais profundas. Os profissionais criticam tanto a estabilidade quanto o desempenho e consideram o estado atual quase inaceitável para um título AAA em 2026.

Bethesda reage e promete hotfix rápido

O estúdio já admitiu publicamente a situação. Em uma postagem no X (antigo Twitter), a Bethesda agradeceu os inúmeros relatos da comunidade e anunciou um hotfix para esta semana. Segundo a empresa, as causas das quedas foram reduzidas a "um pequeno número de problemas", mas a equipe não entrou em detalhes.

Muitos fãs se lembram de lançamentos anteriores. Jogos da Bethesda tradicionalmente chegam ao mercado com uma quantidade impressionante de falhas e glitches. Seja Skyrim, Fallout 76 ou a versão original de Starfield no Xbox, a frase "Bugs. Bugs never change." circula há anos como comentário sarcástico da comunidade.

O lançamento no PS5 poderia ter sido a chance de romper com essa reputação. Afinal, houve mais de dois anos adicionais de desenvolvimento entre a estreia no Xbox e a versão da Sony. Em vez disso, o port entrega um déjà-vu, que pesa ainda mais em uma nova plataforma, porque ali muita gente está tendo o primeiro contato com o jogo.

O que o acordo significa para Sony, Microsoft e jogadores

Para a indústria, esse movimento tem um peso simbólico enorme. A Microsoft deixa cada vez mais claro que não quer prender seus grandes títulos first-party somente ao Xbox e ao PC no longo prazo. Receitas extras no PS5 são tentadoras, sobretudo em produções caras e com vários anos de desenvolvimento.

Para a Sony, isso significa que a antiga separação nítida entre as campanas vai se enfraquecendo ainda mais. Um antigo título da concorrência entra na própria loja, rende milhões - mas também puxa debates sobre controle de qualidade e processos de aprovação. Afinal, no PlayStation Store não aparece só o logotipo da Bethesda, mas também o da Sony.

Os jogadores, por sua vez, em princípio ganham mais opções. Quem tem apenas um PS5 agora pode acessar um título que antes estava totalmente fora do seu alcance. Ao mesmo tempo, o exemplo mostra que disponibilidade por si só não basta: se técnica e estabilidade falham, até grandes nomes perdem força.

Como os jogadores podem lidar com a estreia conturbada

Quem quiser testar Starfield no PS5 apesar dos problemas deve levar alguns cuidados em conta:

  • Criar vários arquivos de salvamento com frequência, e não depender só do salvamento rápido.
  • Ativar os envios automáticos para a nuvem, para ter uma cópia de segurança em caso de emergência.
  • Manter o software do sistema do PS5 atualizado, já que patches da Sony também podem melhorar a estabilidade.
  • Priorizar o modo desempenho, se aparecerem engasgos ou quedas.
  • Acompanhar as notas de atualização e, se possível, esperar alguns dias até que o hotfix seja distribuído.

Para muitos fãs, a dúvida é se vale comprar agora ou aguardar as correções. Quem quer uma experiência mais redonda normalmente se sai melhor quando os primeiros grandes updates já foram aplicados. Veteranos de jogos da Bethesda conhecem bem esse ritual.

Jogos como serviço, suporte longo e a questão da paciência

A Bethesda já afirmou várias vezes que pretende manter Starfield por muitos anos - de forma parecida com Skyrim, que até hoje recebe novas versões, mods e atualizações. Esse tipo de abordagem de longo prazo pode funcionar, mas exige confiança. Em uma plataforma nova como o PS5, essa confiança ainda está começando a ser construída.

A indústria vem se movendo fortemente na direção de jogo como serviço, até mesmo em RPGs single-player clássicos. Novos conteúdos, patches e atualizações de qualidade de vida fazem parte da rotina. Para os jogadores, isso significa mais evolução ao longo dos anos, mas também disposição para aceitar imperfeições na estreia - um equilíbrio em que Starfield no PS5 está, neste momento, balançando bastante.

Se o sucesso do hit do Xbox no console da Sony vai se sustentar no longo prazo depende menos das vendas e mais da rapidez e da profundidade com que a Bethesda vai resolver os problemas técnicos - e de saber se os jogadores de PS5 estarão dispostos a dar uma segunda chance ao universo, apesar da estreia ruim.

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