O conflito no Irã está provocando um efeito que vai muito além do mercado de energia. Ele também vem desestabilizando as cadeias de abastecimento de bens em todo o Oriente Médio, com reflexos inevitáveis na indústria automotiva. No segmento de luxo, que tem forte tração nesses mercados, várias marcas precisaram interromper as entregas.
Entre elas está a Ferrari, que decidiu suspender temporariamente as entregas por via marítima na região, “estando a gerir algumas entregas por via aérea”. “Estamos acompanhando de perto a evolução do conflito, assim como as possíveis implicações para os negócios”, informou a montadora à Bloomberg.
Mesmo sendo um contratempo diante da longa fila de espera da Ferrari, a fabricante tem a possibilidade de “redirecionar” seus carros para outros mercados, o que ajuda a evitar um impacto imediato em seu faturamento.
Outras marcas afetadas pelo conflito no Irã
Nem todas as marcas contam com o mesmo nível de flexibilidade. A Maserati, que já teve queda de 24,4% nas vendas em 2025, também suspendeu as entregas no Oriente Médio por causa de desafios logísticos e preocupações com a segurança.
De acordo com a fabricante, a suspensão continuará em vigor “até que a situação melhore e o transporte seja retomado em condições de total segurança”. Embora a empresa não tenha detalhado as vendas na região, sabe-se que 26,6% do seu volume de vendas é registrado em “Outros mercados”, incluindo o Oriente Médio.
A Bentley também interrompeu as entregas por via marítima para a região. O diretor-executivo, Frank-Steffen Walliser, afirmou, porém, que os volumes de produção seguem inalterados, embora a demanda tenha enfraquecido (fonte: Bloomberg).
O que está em jogo no Estreito de Ormuz?
Em 28 de fevereiro, EUA e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irã, tendo como alvos declarados os principais líderes do regime e infraestruturas estratégicas. Desde então, Teerã vem respondendo com ataques não apenas ao território israelense, mas também a bases norte-americanas localizadas em países vizinhos do Golfo.
O momento mais crítico do conflito veio com o anúncio iraniano de fechamento do Estreito de Ormuz, acompanhado de ameaças diretas a qualquer embarcação que tente atravessar a região.
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