Análise espectral dos anéis de Urano: μ e ν revelam materiais distintos
Astrônomos usando o observatório Keck, no Havaí, e os telescópios Hubble e James Webb conseguiram, pela primeira vez, separar completamente os dois anéis externos de Urano - μ e ν - por comprimento de onda. Isso permitiu descobrir do que eles são feitos e por que têm aparências diferentes.
Esses anéis são muito tênues e ficam próximos às órbitas de 14 pequenos satélites de Urano. Por causa disso, durante muito tempo foi difícil observá-los de forma direta, e muitos detalhes permaneceram desconhecidos.
Segundo Imke de Pater, da Universidade da Califórnia em Berkeley, a análise da luz refletida ajuda a estimar o tamanho das partículas e a composição do material, o que também permite entender como esses anéis se formaram.
Já se sabia que o anel μ tinha um tom azulado, enquanto o anel ν apresentava coloração avermelhada. Isso sugeria materiais diferentes, mas ainda faltava uma explicação precisa. Agora, ao combinar dados no visível e no infravermelho, os pesquisadores obtiveram o espectro completo de reflexão de ambos. Nele, encontraram uma característica comum: um sinal de absorção em torno de 3 microns, presente nos dois anéis.
A partir daí, as diferenças ficaram claras. Pelas suas propriedades, o anel μ corresponde a gelo de água. O anel ν, por sua vez, é formado principalmente por material rochoso, com mistura de compostos orgânicos ricos em carbono.
A origem da matéria desses anéis também não é a mesma. O anel μ é alimentado por partículas arrancadas da superfície de um pequeno satélite chamado Mab, com cerca de 12 km de diâmetro. Isso também indica que o próprio Mab é, em grande parte, gelado. Já o anel ν nasce de outra maneira: de detritos e poeira produzidos em colisões entre corpos rochosos maiores, que ainda não foram observados diretamente.
Os anéis de Urano foram detectados pela primeira vez em 1977, quando o planeta ocultou uma estrela observada. Depois, a Voyager-2 e o telescópio Hubble mostraram que o sistema de anéis era muito mais complexo do que se imaginava no início. A distinção entre os anéis μ e ν começou a ficar mais nítida no começo dos anos 2000, e o quadro final só pôde ser montado com a inclusão dos dados do telescópio James Webb, que opera no infravermelho.
Os cientistas observam que o brilho do anel μ pode variar com o tempo, mas as razões para isso ainda não estão claras. Para compreender de forma definitiva como o sistema de Urano funciona, provavelmente serão necessárias futuras missões espaciais.
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