Em uma tentativa de se firmar como a opção mais forte do mercado, a TKMS está ampliando sua proposta à Marinha do Canadá para fornecer 12 submarinos Tipo 212CD. Para tornar a oferta mais difícil de bater em Ottawa, a empresa vem negociando com diferentes companhias da Noruega e da Alemanha. Segundo o diretor Oliver Burkhard, as conversas não se limitam à construção dos submarinos e incluem temas estratégicos como terras raras e inteligência artificial.
Vale lembrar que a proposta da TKMS para o Tipo 212CD foi pré-selecionada em 2025 pela instituição citada, junto com a da sul-coreana Hanwha Ocean, que disputa o contrato com seu modelo KSS-III para substituir a envelhecida classe Victoria. Como o negócio representa uma oportunidade enorme para o vencedor - com investimento previsto de quase € 10 bilhões só nos submarinos -, a disputa ficou intensa e já eliminou as ofertas da sueca Saab, do grupo francês Naval Group e da espanhola Navantia.
Ao retomar os esforços para entrar na futura frota submarina canadense, vale destacar a fala de Burkhard, que resumiu a estratégia em uma frase: “Não se trata mais apenas dos submarinos. Trata-se principalmente do que está além deles.” Depois, ele reforçou que a ideia era levar a Ottawa um pacote econômico bem mais amplo e atraente, capaz de fortalecer as chances de escolha da empresa pela Marinha, incluindo, por exemplo, a alemã Isar Aerospace como parte das negociações em andamento.
Compensações como fator-chave
Além do trabalho conduzido pelo fabricante de submarinos, também chama atenção o fato de que Alemanha e Noruega analisam seus próprios mecanismos de compensação para tornar a proposta ao Canadá mais competitiva, reforçando a estratégia da TKMS. Como mostramos em outubro de 2025, Berlim avaliava incluir os novos sistemas de combate CMS 330, da Lockheed Martin Canada, para equipar seus navios de guerra, enquanto Oslo poderia facilitar a compra de novos sistemas de inteligência artificial produzidos no Canadá para sua frota; isso incluiria, potencialmente, a transferência de projetos para futuras bases que receberão os submarinos Tipo 212CD.
Essa lógica não surge por acaso. Parte da política de defesa canadense é justamente aproveitar ao máximo as contrapartidas em cada compra militar, para ampliar o efeito da aquisição na economia local. Nas palavras do Ministério da Inovação, Ciência e Desenvolvimento Econômico: “Todas as aquisições de defesa devem promover os interesses nacionais e militares do Canadá, bem como proporcionar um benefício líquido claro e mensurável para a economia canadense”.
Esse mesmo princípio aparece em outro processo importante conduzido por Ottawa: a compra de novos caças para a Força Aérea. Buscando levar vantagem nessa disputa, a Saab tenta fortalecer sua proposta por 72 aeronaves Gripen E/F, explorando a possibilidade de produção em solo canadense, o que criaria cerca de 10.000 empregos. Além disso, essas instalações poderiam eventualmente participar da produção de aeronaves destinadas à Força Aérea Ucraniana.
Uma relação tensa com os EUA
Pensando nesse cenário mais amplo, se o Canadá optar por submarinos alemães e caças suecos, ficará ainda mais evidente sua intenção de se afastar geopoliticamente do vizinho americano e estreitar laços com parceiros europeus. Isso ganha peso diante das tensões atuais provocadas pelas investidas de Washington sobre a Groenlândia, sob a alegação de preocupações de segurança ligadas à presença de navios chineses e russos na região; é também por isso que Ottawa busca reforçar sua capacidade de combate.
No campo político, o governo comandado pelo primeiro-ministro Mark Carney já deu sinais claros dessa distensão, sobretudo após um encontro com o presidente chinês Xi Jinping. Na ocasião, o premiê afirmou: “Em termos de como nosso relacionamento com a China evoluiu nos últimos meses, ele está mais previsível e estamos vendo os resultados disso”. A declaração soou como uma provocação aos Estados Unidos, cujo presidente já chamou o Canadá de “51º estado” e impôs tarifas sobre itens essenciais como lenha, aço e automóveis.
Além disso, os militares canadenses já começaram a desenvolver modelos teóricos para medir o impacto e a resposta a uma eventual invasão dos EUA. Embora seja apenas um exercício conceitual, ele mostra um relacionamento bem mais frio do que no passado. Em termos concretos, é a primeira vez em mais de um século que algo assim é feito, ainda que esse cenário continue sendo considerado altamente improvável.
*Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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