A Colômbia voltou a colocar a Antártica no centro de sua agenda científica com a 12ª expedição, batizada de “XII Expedição Científica de Colômbia verão austral 2025–2026”. Nesta missão, os participantes são transportados e acompanhados pela Armada da Colômbia ao longo de cerca de 123 dias de atividades científicas.
O navio científico marítimo ARC “Simón Bolívar” zarpou em 6 de dezembro de 2025 do porto da Base Naval de Cartagena para sua segunda viagem ao continente branco, levando a bordo a tripulação conhecida como Os Leopardos Marinhos. No trajeto, a embarcação cruzou o Canal do Panamá, fez escalas em Punta Arenas e Valparaíso, no Chile, e atravessou o Passo de Drake com oficiais navais chilenos; esse foi um dos trechos mais desafiadores, com ventos de 20 km/h e ondas de até 2,5 metros. Depois de percorrer 5.800 milhas náuticas em 41 dias, chegou à base antártica equatoriana “Pedro Vicente Maldonado”, localizada na Enseada Chacón-Chile, onde descarregou nove toneladas de suprimentos e 1.900 galões de diesel antártico; em seguida, continuou a travessia em direção ao Estreito de Bransfield e ao Estreito de Gerlache.
O objetivo da expedição é realizar estudos científicos, desenvolver projetos em cooperação com outros países, fortalecer relações internacionais, trocar conhecimentos e registrar a experiência. Para isso, a equipe vem coletando amostras de água a 1.500 metros de profundidade desde o início da viagem, em um total de nove estações oceanográficas distribuídas em frente ao Peru, ao Equador, ao Chile, na bacia do Pacífico e na passagem de Drake. Esse trabalho é feito com o uso de garrafas Niskin, dentro de um projeto conduzido pela Direção-Geral Marítima (DIMAR), essencial para o desenvolvimento do ICEMAN (Pesquisa Científica Marinha para a Segurança Marítima na Antártica). A meta é acompanhar as condições oceanográficas e descrever as massas de água que se deslocam do sul em direção às costas colombianas, para entender suas variações e influências na região.
Na programação do ARC durante os 30 dias de permanência no continente gelado, estão previstas passagens por dez bases antárticas de Brasil, Bulgária, Chile, China, Coreia do Sul, Equador, Estados Unidos, Espanha, Peru e Uruguai, além da execução de doze projetos de pesquisa ligados à biodiversidade, mudança climática, oceanografia, ecossistemas antárticos, correntes oceânicas, biorrecursos e mamíferos marinhos.
Com essa expedição, a Colômbia segue avançando no Programa Antártico Colombiano (PAC), e a expectativa é que o retorno ocorra em 17 de fevereiro de 2026. Desde 2014, o PAC já realizou doze expedições e mais de cem projetos de pesquisa e cooperação internacional na Antártica. Entre seus objetivos estão conquistar o status de membro consultivo do Tratado Antártico, ampliar suas capacidades científicas em pesquisa antártica e, no futuro, estabelecer sua própria base no continente. A missão também representa mais um passo na implementação do plano da Agenda Científica Antártica da Colômbia 2025-2035.
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