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Aos 94 anos, homem perde direito de dirigir, mas continua pagando R$ 700 pelo leasing do carro.

Carro elétrico azul escuro exibido em showroom moderno com janelas grandes ao fundo.

No sul da França, um caso vem chamando atenção e provavelmente soa familiar para muitas famílias: um homem de 94 anos não pode mais dirigir por motivos de saúde, mas continua preso a um leasing caro de um carro zero-quilômetro. O contrato foi assinado quando ele já tinha passado dos 90 anos - e expõe, sem qualquer suavização, como idosos muitas vezes ficam mal protegidos em contratos financeiros e automotivos.

Armadilha do leasing: 700 euros por mês por um carro parado

O episódio aconteceu em Salon-de-Provence. Max, nascido em 1930, hoje vive em uma casa de repouso, se locomove em cadeira de rodas e já não possui habilitação. Mesmo assim, o banco continua debitando mensalmente cerca de 700 euros de sua conta - referentes a um Citroën C4 automático, de 130 cv, que permanece estacionado em um pátio e não é usado.

O contrato de leasing apareceu por acaso para a família enquanto organizava documentos. O neto, Philippe, tinha certeza de que o avô havia pago o veículo à vista. Só ao examinar os papéis com atenção veio a descoberta: aos 92 anos, Max havia assinado um contrato de leasing bastante amplo, com validade até 2027, para um automóvel avaliado em mais de 34.000 euros.

Um homem de 94 anos paga todos os meses várias centenas de euros por um carro que nunca mais vai dirigir - e, juridicamente, isso parece estar totalmente em ordem.

Para a família, o choque foi grande, sobretudo porque as parcelas pesam de forma considerável sobre a aposentadoria do idoso. Esse dinheiro agora faz falta para cuidados, extras na casa de repouso ou simplesmente para garantir mais qualidade de vida na velhice.

Contrato assinado aos 92 anos - e ninguém interrompeu a operação

O que mais impressiona é que, para quem olha de fora, o contrato parece totalmente legal à primeira vista. O idoso tinha capacidade civil, a concessionária ficou satisfeita com a venda e o banco, com a garantia da parcela. Aparentemente, ninguém se perguntou se um cliente com mais de 90 anos realmente conseguiria avaliar o peso de um financiamento de vários anos.

O neto conta que o avô era conhecido na concessionária como cliente habitual. Max ia com frequência à oficina por causa de pequenos amassados, um sinal de que suas habilidades ao volante já estavam diminuindo. Por isso, a família acredita que a situação de saúde do idoso não era desconhecida.

Ainda assim, ele não recebeu apenas o contrato de leasing, mas também foi empurrado para vários seguros adicionais - contratos que, na prática, pouco ajudam. Porque justamente agora, quando Max está gravemente doente e não pode mais dirigir, eles não oferecem qualquer proteção.

Os seguros não cobrem nada - e a família se sente abandonada

Ao analisar a apólice, os familiares tiveram mais uma desagradável surpresa: nem uma cobertura por invalidez nem uma cláusula em caso de morte aliviam Max ou seus herdeiros. Se o homem de 94 anos morrer durante o período do contrato, a família, pelo cenário atual, teria de continuar pagando as parcelas até o fim ou assumir o carro por um valor residual elevado.

  • Parcela mensal: cerca de 700 euros
  • Veículo: Citroën C4, automático, 130 cv
  • Início do contrato: aos 92 anos
  • Prazo: até 2027
  • Uso: praticamente nenhum, já que ele está em casa de repouso e usa cadeira de rodas

Segundo a família, alguns contratos adicionais puderam ser cancelados. O contrato principal de leasing, porém, continua intocado. O carro fica parado, e os débitos seguem acontecendo.

A concessionária se mantém inflexível, apesar dos atestados de especialistas

Philippe não quis aceitar a situação e foi diversas vezes pessoalmente até a concessionária Citroën. Levou consigo atestados médicos emitidos por peritos credenciados, que negam de forma clara a aptidão do avô para dirigir. O homem simplesmente já não consegue assumir o volante, mesmo que quisesse.

O neto argumentou que, nesse contexto, o contrato havia perdido completamente o sentido. Ele apontou o agravamento severo do quadro de saúde, a situação na casa de repouso, a ligação próxima do idoso com a concessionária e o histórico conhecido de acidentes e danos.

A família se sente sem saída: os fatos médicos valem pouco, enquanto as cláusulas contratuais valem tudo.

A resposta da revenda foi frustrante para os parentes. A empresa se apoiou de forma rígida nas condições acordadas no contrato. A rescisão antecipada e sem custos do leasing foi recusada. As alternativas oferecidas pareceram pouco atraentes para a família: ou continuar pagando até 2027, ou assumir o carro de uma só vez por mais de 20.000 euros.

Discriminação contra idosos - ou proteção contra exploração?

Segundo a família, a concessionária invocou outro argumento: não seria possível excluir clientes idosos de contratos de leasing logo de saída, pois isso poderia ser interpretado como discriminação etária. Ninguém seria obrigado a envolver os familiares nem a alertar sobre possíveis riscos.

E justamente aí se chocam duas visões:

Visão da concessionária Visão da família
O contrato está juridicamente correto, com todas as cláusulas assinadas. Um homem com mais de 90 anos e saúde frágil foi colocado em uma situação acima do que podia suportar.
Não existe obrigação de informar os familiares. Há um dever moral de frear a operação quando a fragilidade é evidente.
Tratamento igual para todos os clientes, independentemente da idade. Proteção contra a exploração de problemas típicos da idade, como esquecimentos.

O neto fala abertamente em “exploração de uma fragilidade”. Para ele, é irresponsável arrendar um carro compacto de alto desempenho, com 130 cv, para alguém com mais de 92 anos cuja capacidade mental e física já estava claramente em declínio.

Zona cinzenta jurídica: até que ponto os idosos estão realmente protegidos?

O caso levanta uma pergunta central: até onde vai a responsabilidade individual de pessoas muito idosas diante de contratos complexos? Na Alemanha e na França, a regra é clara: quem tem capacidade civil pode assinar. Concessionárias e bancos não são obrigados a aplicar testes cognitivos.

O que existe como mecanismo de proteção está no direito civil, por exemplo, na figura da “exploração de uma situação de fragilidade” ou em regras semelhantes. Na prática, porém, esses processos costumam ser longos, caros e com resultado incerto. Para as famílias, isso significa que, quem quiser contestar um contrato questionável, normalmente precisa recorrer à Justiça.

É exatamente isso que a família de Max também está cogitando. Embora ainda espere uma solução amigável com a revenda, já se prepara em paralelo para medidas legais. O esforço é grande - especialmente para parentes que, ao mesmo tempo, cuidam de alguém dependente de cuidados.

O que as famílias podem aprender com este caso do leasing de um idoso

O caso mostra com clareza como idosos podem cair rapidamente em armadilhas contratuais caras. Os familiares podem agir de forma preventiva antes que isso aconteça. Entre as medidas mais importantes estão:

  • Verificar regularmente extratos bancários e documentos contratuais
  • Conversar em conjunto com assessores do banco ou da concessionária
  • Providenciar, com antecedência, procurações para poder intervir
  • Definir na família quem tem permissão para analisar quais contratos
  • Checar se os contratos têm proteção real (invalidez, morte)

Quem percebe que um parente idoso anda perdendo a noção com mais frequência deve falar abertamente sobre dinheiro - mesmo que seja desconfortável. Quanto mais cedo a família tiver acesso às informações, maiores as chances de evitar erros caros.

Leasing na terceira idade: opção útil ou risco?

O leasing costuma ser visto como uma forma prática de dirigir sempre um carro relativamente novo. Para muitos aposentados, isso pode ser bastante atraente: parcelas previsíveis, sem grandes pagamentos iniciais e com padrão moderno de segurança. Mas, na idade avançada, surgem riscos específicos.

Especialmente em contratos de quatro ou cinco anos, não há como prever como saúde e mobilidade vão evoluir. Uma queda, um AVC ou um diagnóstico de demência podem, de um dia para o outro, impedir alguém de dirigir. O contrato, porém, continua valendo, muitas vezes sem cláusula adequada de saída.

Para motoristas mais velhos, pode ser sensato observar alguns pontos logo na assinatura:

  • Escolher prazos curtos, em vez de se prender por muitos anos
  • Verificar com cuidado quais seguros realmente indenizam
  • Combinar desde o início um plano claro para o caso de proibição repentina de dirigir
  • Ler o contrato em conjunto com pessoas de confiança antes de assinar

Quem já passou dos 80 anos deve ser especialmente crítico quando um consultor insiste em prazos longos ou pacotes extras caros. Nem toda venda é automaticamente abusiva - mas o risco de assinar um contrato que depois se torne um peso aumenta claramente com a idade.

O caso de Max torna concreto o que esses riscos abstratos significam no dia a dia: um homem no fim da vida paga por um carro que nunca mais vai usar. Uma família luta contra um sistema que protege contratos, mas quase não prevê salvaguardas para clientes muito idosos. E muitos leitores se perguntam: isso também poderia acontecer com meus pais - ou um dia comigo mesmo?

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