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Onde na Europa as pessoas ainda ganham meses de vida por ano - e onde o avanço travou?

Mulher analisando mapa transparente da Europa em mesa com documentos e ampulheta ao lado.

Uma grande pesquisa traz respostas inesperadas.

Um grupo internacional de pesquisadores acompanhou, ao longo de quase três décadas, como a expectativa de vida mudou na Europa Ocidental. O resultado desenha um continente em que o endereço no mapa pesa cada vez mais na idade que alguém alcança - e também em saber se os anos de vida seguem aumentando ou quase param.

Europa Ocidental envelhece: o mapa da expectativa de vida se divide desde 2005

Entre 1992 e 2005, tudo parecia seguir uma trajetória de sucesso relativamente uniforme. Na Europa Ocidental, a expectativa de vida média subiu de forma clara:

  • as mulheres ganharam, em média, cerca de 2,5 meses por ano
  • os homens avançaram ainda mais, com aproximadamente 3,5 meses por ano

O dado mais interessante é que as regiões que começaram pior conseguiram correr mais atrás. Entre os homens de áreas estruturalmente mais frágeis, os anos 1990 trouxeram ganhos anuais de até quatro meses. A distância para as regiões líderes diminuiu, e o mapa ficou mais homogêneo.

A partir de meados dos anos 2000, esse movimento se inverte. Em 2018/2019, o aumento era de apenas cerca de um mês de expectativa de vida por ano para mulheres e de dois meses para homens. As regiões já mais atrasadas sentiram o baque com mais força: seus avanços caíram, em média, cerca de 40% em relação ao período anterior.

A Europa Ocidental continua envelhecendo, mas não mais no mesmo ritmo - está surgindo uma longevidade de duas camadas.

A crise financeira de 2008 funciona quase como um acelerador dessa divisão. Empregos qualificados, renda alta e investimentos em saúde ficam concentrados em poucas metrópoles e em áreas mais ricas. Outras regiões ficam para trás e, ao que tudo indica, não conseguem acompanhar o mesmo ritmo de progresso.

Onde as pessoas vivem mais: as novas regiões líderes

O estudo, que contou com a participação de um instituto federal alemão, do instituto francês de demografia e do CNRS, analisou 450 regiões em 13 países da Europa Ocidental - ao todo, quase 400 milhões de pessoas - no período de 1992 a 2019. O retrato do fim da década de 2010 mostra vencedores bem definidos.

Norte da Itália, Suíça e partes da Espanha na dianteira

As maiores expectativas de vida aparecem, segundo a pesquisa:

  • no norte da Itália
  • em muitas regiões da Suíça
  • em várias províncias da Espanha

Nesses locais, em 2019, alguns homens chegavam a cerca de 83 anos, enquanto as mulheres alcançavam aproximadamente 87 anos. Há ainda outro ponto importante: nessas regiões líderes, a expectativa de vida segue subindo. Os homens ganham, em média, cerca de 2,5 meses por ano, e as mulheres, cerca de 1,5 mês.

Nessas regiões, os pesquisadores não veem qualquer sinal de um limite biológico para a duração da vida humana.

França: região da capital e áreas próximas à Suíça se destacam

Dentro da França, o padrão também é claro. Os melhores resultados aparecem especialmente em:

  • Paris
  • Hauts-de-Seine
  • Yvelines
  • em mulheres, também em departamentos ao redor de Anjou
  • e em áreas próximas à fronteira suíça

Ali, os níveis ficam próximos aos observados nas regiões líderes da Itália e da Espanha. A população local continua se beneficiando de aumentos anuais acima da média europeia.

Onde o progresso desacelera: regiões com expectativa de vida estagnada

Do outro lado do mapa, surgem áreas em que a expectativa de vida quase não avança - ou até recua em certos grupos.

Leste da Alemanha, partes da Bélgica e do Reino Unido sob pressão

De acordo com o estudo, isso inclui:

  • grande parte do leste da Alemanha
  • a Valônia, na Bélgica
  • várias regiões do Reino Unido
  • e, para os homens, também a região de Hauts-de-France, no norte da França

Nesses lugares, os ganhos anuais na expectativa de vida praticamente zeraram. Em alguns casos, eles se parecem com ruído estatístico: ora um leve aumento, ora uma pequena queda.

Tipo de região Tendência na expectativa de vida Ganho anual estimado (2018/2019)
Regiões líderes (por exemplo, norte da Itália, Suíça) Aumento acentuado Homens cerca de 2,5 meses, mulheres cerca de 1,5 mês
Regiões médias Aumento moderado Homens cerca de 2 meses, mulheres cerca de 1 mês
Regiões mais atrasadas (por exemplo, leste da Alemanha, Valônia) Estagnação ou quase nenhum avanço em alguns casos, quase 0 mês

O quadro geral deixa um contraste muito nítido: a Europa da longevidade se divide em dois grandes blocos - um grupo de regiões que continua empurrando os limites da expectativa de vida e outro, mais amplo, que apenas tenta não ficar ainda mais para trás.

O ponto mais frágil: mortalidade entre 55 e 74 anos

Os pesquisadores queriam entender quais faixas etárias explicam essa separação. Três suspeitos óbvios foram colocados à prova:

  • mortalidade no período de bebês e crianças
  • mortalidade em idades mais avançadas, a partir dos 75 anos
  • mortalidade na idade adulta intermediária e mais alta, entre 55 e 74 anos

O resultado foi o seguinte: a mortalidade infantil já é muito baixa na Europa Ocidental e cai quase em todos os lugares. Entre os maiores de 75 anos, as taxas de morte também continuam recuando na maioria das regiões.

O verdadeiro ponto de ruptura está entre 55 e 74 anos - é aí que se define se uma região avança na expectativa de vida ou fica parada.

Em muitas partes da Europa, as taxas de mortalidade nessa faixa etária haviam melhorado muito nos anos 1990. Nos últimos anos, porém, esse progresso perdeu força e, em alguns lugares, a curva até virou levemente para cima.

Mulheres no Mediterrâneo e homens no norte da França e na Alemanha afetados

Dois padrões chamam atenção de forma especial:

  • em muitos departamentos franceses ao longo do Mediterrâneo, a mortalidade das mulheres entre 55 e 74 anos volta a subir
  • em grande parte da Alemanha, observa-se uma tendência parecida para as mulheres, enquanto os homens no norte da França seguem em situação particularmente vulnerável

O estudo aponta vários fatores que se combinam nesse cenário:

  • alto consumo de tabaco em determinados grupos etários
  • danos provocados pelo consumo prolongado de álcool
  • alimentação inadequada e sedentarismo
  • impactos econômicos e rupturas sociais מאז a crise financeira de 2008

Por que o local onde se vive importa cada vez mais

Os pesquisadores falam em uma “Europa de duas velocidades” no que diz respeito à expectativa de vida. Por trás dessa expressão está uma mensagem direta: o avanço médico, sozinho, não basta quando ele chega de forma desigual no território.

O futuro da longevidade na Europa depende menos de um limite biológico e mais da capacidade de as regiões mais frágeis alcançarem as mais fortes.

Quem mora em uma região rica, com boa rede de saúde, alta taxa de emprego, transporte público que funciona e acesso rápido a especialistas parte com vantagem clara. Já quem vive em áreas com perda de postos de trabalho, falta de médicos, infraestrutura fraca e desemprego elevado paga com uma expectativa de vida menor - muitas vezes sem perceber isso de forma imediata.

O que isso permite concluir - e o que significa para a Alemanha

Na Alemanha, a diferença entre leste e oeste já é tema antigo. O estudo mostra que essa distância diminuiu, mas voltou a se cristalizar em algumas regiões. A faixa entre 55 e 74 anos continua sendo a mais sensível.

A partir disso, surgem vários campos de ação que os pesquisadores indicam de forma indireta:

  • prevenção direcionada para pessoas de meia-idade e mais velhas, com programas contra o tabagismo e o consumo de álcool de risco
  • melhor estrutura para regiões rurais, com mais médicos, médicas e oferta de prevenção
  • políticas de emprego e sociais que reduzam o desemprego de longa duração e a falta de perspectiva
  • incentivo à alimentação saudável e à atividade física no cotidiano, por exemplo por meio do planejamento urbano e do transporte público

Outro ponto importante é que quem fumou muito nos anos 1990 ou manteve um estilo de vida pouco saudável muitas vezes só sente as consequências décadas depois, na forma de doenças cardiovasculares, câncer ou problemas crônicos no fígado. Por isso, parte das diferenças regionais reflete hábitos passados, que agora aparecem na mortalidade.

O que significa “expectativa de vida” na prática e como ela pode ser influenciada

O termo expectativa de vida pode enganar. Em termos estatísticos, ele representa a média de anos que um recém-nascido provavelmente viveria nas condições atuais. Se essas condições mudam - por novas terapias, crises econômicas ou alterações nos hábitos de vida -, o indicador também muda.

Para a pessoa individual, o lugar onde ela vive não é o único fator. Há comportamentos concretos que fazem enorme diferença, sobretudo entre 55 e 74 anos:

  • não fumar ou parar de fumar, mesmo em idade mais avançada
  • consumir álcool com moderação
  • praticar atividade física regularmente, e até 30 minutos de caminhada por dia já ajudam
  • manter uma dieta rica em fibras, com bastante legumes, frutas e cereais integrais
  • participar de exames preventivos, como check-ups de câncer e do coração

O estudo deixa claro que até pequenas melhorias nesses fatores, em regiões desfavorecidas, podem elevar a expectativa de vida na Europa mais do que novos recordes em áreas já privilegiadas. A longevidade passa, assim, a ser um termômetro de quão bem as oportunidades de saúde estão distribuídas - e de quão seriamente a política e a sociedade tratam a ideia de não deixar ninguém para trás.

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