Amazon Leo, Blue Origin e pressão dos acionistas sobre Jeff Bezos
A Amazon desembolsou cerca de US$ 1,8 bilhão para a Blue Origin no ano passado por serviços de lançamento de satélites, segundo o relatório corporativo. O valor é quase três vezes superior ao do ano anterior e mostra a aceleração do programa da empresa para implantar sua própria constelação de satélites em órbita baixa.
No total, os contratos de lançamentos de satélites no ano fiscal somaram aproximadamente US$ 2,2 bilhões, e a maior fatia ficou com a Blue Origin. Para efeito de comparação, no exercício anterior a Blue Origin havia recebido cerca de US$ 578 milhões de um volume total de contratos de US$ 1,7 bilhão.
Esse avanço de gastos está ligado ao ambicioso projeto da Amazon de montar uma rede com 3 236 satélites em órbita baixa da Terra. O programa, antes chamado Project Kuiper, agora se chama Amazon Leo e foi desenhado para oferecer internet banda larga a usuários e empresas em todo o mundo. Até agora, a Amazon colocou 243 satélites em órbita e pediu à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) a prorrogação do prazo para cumprir a exigência de lançar cerca de metade da constelação. O prazo original vence em julho.
Ao mesmo tempo, a companhia vem ampliando sua infraestrutura de lançamentos. Nesta semana, a Amazon anunciou um acordo de US$ 10,8 bilhões para comprar a operadora de satélites Globalstar, que antes tinha a SpaceX como principal fornecedora de lançamentos. A Blue Origin, de propriedade de Jeff Bezos, continua entre os parceiros centrais do programa. Seu foguete New Glenn fez o voo inaugural em janeiro de 2025, mas ainda não atingiu a cadência de lançamentos necessária para uma implantação em grande escala da rede de satélites.
Além da Blue Origin, a Amazon também trabalha com a United Launch Alliance e a Arianespace, e ainda recorre aos foguetes Falcon 9 da SpaceX para parte dos lançamentos, apesar da concorrência entre as empresas.
A situação passou a chamar a atenção dos acionistas da Amazon. Está em votação uma proposta para tornar obrigatória a figura de um presidente independente do conselho. A iniciativa, apoiada pelo fundo AFL-CIO Reserve Fund, aponta para um possível conflito de interesses ligado aos negócios externos de Jeff Bezos.
Bezos deixou o cargo de diretor-presidente da Amazon em 2021, mas permanece como presidente executivo. Os acionistas destacam sua participação em outros projetos, incluindo a startup de IA Project Prometheus, que atua na aplicação de inteligência artificial na indústria e na engenharia. No texto da contestação, afirma-se que o Project Prometheus “pode ser um concorrente ou parceiro em potencial da empresa, o que cria possíveis conflitos de interesse”. Também são mencionados os contratos bilionários da Amazon com a Blue Origin e a colaboração com outras estruturas ligadas a Bezos, entre elas o The Washington Post.
O conselho de administração da Amazon recomenda votar contra a iniciativa e sustenta que a estrutura atual, com um diretor líder independente, já oferece supervisão suficiente. Essa função é exercida hoje por Jamie Gorelick, ex-vice-procuradora-geral dos Estados Unidos.
Os contratos com a Blue Origin já haviam sido alvo de disputa judicial. Uma ação movida por acionistas em 2023 alegava que o conselho aprovou os acordos de lançamento em menos de 40 minutos e sem examinar alternativas, inclusive a SpaceX. O tribunal de Delaware rejeitou a ação, e a Suprema Corte do estado confirmou a decisão em novembro de 2025.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário