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Universidades chinesas ligadas à defesa receberam servidores Super Micro dos EUA equipados com aceleradores Nvidia A100, apesar de sanções.

Técnico instalando componente de hardware em servidor dentro de data center moderno.

Super Micro volta ao centro de um escândalo por servidores de IA destinados à China

Quatro universidades chinesas compraram servidores de IA da Super Micro equipados com aceleradores Nvidia A100 sujeitos a controle de exportação. A informação foi publicada pela Reuters.

Segundo a agência, entre os compradores estão o Instituto de Tecnologia de Harbin (HIT) e a Universidade Beihang - instituições que, nos Estados Unidos, são associadas a pesquisas de interesse do setor militar chinês. A Reuters relata que o HIT adquiriu, em julho de 2025, um sistema da Super Micro com oito Nvidia A100; já a Beihang recebeu, em março deste ano, uma estação de trabalho de aprendizado de máquina com quatro chips do mesmo modelo.

As duas universidades fazem parte do grupo conhecido como “Sete Filhos da Defesa Nacional” - um conjunto de universidades chinesas com fortes vínculos com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China e com a indústria de defesa do país.

Embora o Nvidia A100 fique atrás de aceleradores mais recentes, como o Nvidia H200, o envio desses componentes para a China continua sob rígido controle de exportação dos EUA. Para importação legal, é necessária uma licença de exportação americana e, como observa a Reuters, é improvável que entidades ligadas a pesquisas militares na China conseguissem obter essa autorização de forma oficial.

Não está claro como, exatamente, as universidades conseguiram comprar esses sistemas. Ainda assim, a Reuters lembra que, recentemente, três pessoas foram presas - incluindo um cofundador da Super Micro - em uma investigação sobre a suposta remessa clandestina para a China de servidores de IA no valor de US$ 2,5 bilhões. De acordo com a apuração, o esquema teria utilizado intermediários e empresas de fachada em países do Sudeste Asiático, além de trocar números de série e documentos dos equipamentos antes do envio ao território chinês.

O caso já provocou reação em Washington. Os senadores Jim Banks e Elizabeth Warren enviaram uma carta ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, pedindo a suspensão temporária da emissão de licenças de exportação para o fornecimento de chips de IA à China - inclusive quando realizado por meio de intermediários - até que a situação seja esclarecida.

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