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O que é o bug de 2038, que preocupa especialistas em informática?

Jovem observa tela de computador com código e falha técnica entre CPUs de 32-bit e 64-bit.

Há um “bug” no horizonte que lembra muito o famoso bug do ano 2000: ele também nasce de uma limitação na forma como computadores registram o tempo - e a data crítica é 2038.

Mais de 20 anos atrás, muita gente temia um colapso generalizado quando o calendário virasse de 1999 para 2000. O motivo era simples (e bem técnico): vários sistemas antigos guardavam o ano com apenas dois dígitos - 97 para 1997, 98 para 1998 e assim por diante.

Depois de 1999, o risco era o relógio “voltar” e o tempo ficar incorreto (porque 00 poderia ser interpretado como 1900, e não 2000). No fim, a tragédia foi evitada com atualizações. Ainda assim, na época, só nos Estados Unidos, as adaptações para a virada do milênio teriam custado cerca de 100 bilhões de dólares ao governo e às empresas.

Pourquoi le prochain “bug” est prévu en 2038 ?

Em 2038, é esperado um problema parecido - novamente por causa da forma como o tempo é representado em sistemas computacionais. O bug do ano 2038 afeta softwares que usam a representação UNIX do tempo. Nesse padrão, o tempo é guardado como o número de segundos decorridos desde 1º de janeiro de 1970 à meia-noite (tempo universal). Por exemplo, o momento em que este texto é escrito corresponde ao tempo UNIX 1713737958, ou seja, 1713737958 segundos desde 1º de janeiro de 1970.

O ponto crítico é que, se esse contador estiver armazenado em 32 bits, ele não consegue continuar contando depois de 2 147 483 647 segundos (o maior número possível nesse tamanho). A data correspondente ao tempo UNIX 2 147 483 647 é 19 de janeiro de 2038, às 3 h 14 min 7 s (tempo universal). Passando desse instante, ocorre um estouro (overflow).

Esse limite ficou famoso quando o clipe de Gangnam Style passou de 2 147 483 647 visualizações no YouTube. O contador de views da plataforma estava em 32 bits e precisou ser atualizado para 64 bits para conseguir registrar a 2 147 483 648ª visualização de PSY.

La solution à 64 bits

A boa notícia é que muitos sistemas já migraram para 64 bits (o que permite guardar números bem maiores para representar o tempo) ou estão no meio dessa transição. Um exemplo: com a atualização do macOS Catalina, lançada em 2019, a Apple deixou de oferecer suporte a aplicativos de 32 bits, aceitando apenas apps 64 bits. Além disso, já existem propostas de soluções para que certos sistemas de 32 bits consigam “sobreviver” em 2038.

Ainda assim, como destaca um artigo do Zdnet, é possível que em 2038 ainda estejam em uso sistemas embarcados ou objetos conectados que não tenham sido atualizados para lidar com esse bug. E isso pode, sim, gerar transtornos. Também pode acontecer de algumas empresas, acreditando que seus produtos não estarão mais em uso até 2038, simplesmente não fazerem nenhuma alteração.

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